8 de set. de 2009

Minha terra árida


Tenho sede, mas não dessas águas que movem moinhos, lavam pedras.
Tenho sede, mas, definitivamente, não é de águas devidamente engarrafadas com ares pomposos vindas da França. Muito menos dessas que descansam no fundo de moringas de barro, em alguma cozinha simples lá do sertão.
O que minha sede espera ainda não tem nome. Feito um peregrino, sigo pelo deserto de mim mesma procurando desesperadamente por um oásis. Pressinto que nele existe a fonte da vida e (quem sabe?) é nela que escorre o líquido que tanto anseio para me saciar.

Sabrina Davanzo

4 de set. de 2009

Quando chegar...


Por que é que a gente vive sempre a espera de? A espera de um milagre, de uma volta improvável, um salário no fim do mês, uma oportunidade. Triste constatar, mas há os que vivem a espera de um prato de comida, um sorriso, uma grande cura.
E acaso enquanto espera não vive? Parece que não. A paz só alcança os corações quando a espera chega ao fim. Que Deus mantenha meus olhos abertos, fazendo-me enxergar que vida é o que acontece enquanto sonhos não se concretizam. Que ele mantenha em mim a coragem de desejar, mas também desperte a serenidade de aceitar que certas coisas podem nunca se tornar uma realidade.

Sabrina Davanzo

2 de set. de 2009

Livro: Contos filosóficos do mundo inteiro


Acabei de ler o livro Contos filosóficos do mundo inteiro, de Jean Claude Carriére. Editora Ediouro. O livro é fantástico e traz uma compilação de contos, lendas dos mais remotos cantos do mundo até os mais conhecidos. São histórias que vão sendo contadas de geração para geração e que chegam até nós trazendo ensinamentos e reflexões. Adoro livros assim. Amei esse e recomendo!

"Uma vitória em questão

A um conquistador que era aclamado em todas as partes por uma vitória sobre inimigos, e sobre a qual ele se glorificava grandemente, um humilde mendigo perguntou:
- Quem era o mais forte? O inimigo ou você?
- Eu, certamente.
- Nesse caso, por que se glorificar por sua vitória?"

Pág. 115

Quem quiser saber mais sobre o livro, é só clicar aqui: contosfilosoficos

Sabrina Davanzo

21 de ago. de 2009

Peso para o que é leve


Tenho pena dos pesos para papel. Por mais que alguns sejam realmente lindos, nada muda seu triste destino de ser um empecilho na vida do que é, por natureza, leve.
E o pior é que tem gente que se parece com eles. Nasceu para acrescentar toneladas à vida do outro.

Sabrina Davanzo

19 de ago. de 2009

Antes de:


Da próxima vez, pensarei sete vezes antes de tomar uma decisão. Percebi que duas não adiantou muito.

Sabrina Davanzo

Bicho papão


O Bicho Papão dos adultos chama-se Solidão. Assusta. Ouvi dizer que tem gente que até morre de medo.

Sabrina Davanzo

Dobradura


Não posso dar asas a mim mesma. Isso eu descobri tentando algumas vezes. Nunca saí voando embora alguns momentos de imensa alegria ou tristeza fossem propícios para tal feito.
Conformei em dar asas às borboletas e pássaros que dobro cuidadosamente em papéis coloridos.
Depois de trazê-los à vida, não os prendo a mim. Distribuo-os aos meus amigos, que recebem achando graça e querendo aprender dar asas também. Nem que seja à imaginação. É uma corrente que não para. Desde então, todos os dias, nascem dezenas de pássaros e borboletas e, com eles, sorrisos.

Sabrina Davanzo

18 de ago. de 2009

Não-sei-o-que


Vez em quando esse não-sei-o-que que mora dentro de mim sai pra passear e me faz sentir arrepios, querer colo. Ensinaram que é preciso ser forte que nem São Jorge, que faz aniversário junto comigo e mora na lua. Mas lá ele tem as estrelas. Quem eu tenho por aqui? Só as pontas dos meus dedos suados de medo. Aperto com força. A dor faz esquecer dos arrepios e de que esse não-sei-o-que vive prestes a me sufocar.


Sabrina Davanzo

Diálogo


- Vê aquela estrada logo ali na frente? Coloca um pé na frente do outro e vai. Sem olhar pra trás.
- Não posso! Meus pés estão colados a este instante para sempre.
- Se você quiser, eles descolam. Mas só se você quiser.
- Não entendes que este é exatamente o meu problema? Não sei o que quero.

Sabrina Davanzo

17 de ago. de 2009

Mini Dino



Tikito era um azarado filhote de dinossauro que ninguém queria por perto. As pessoas acreditavam que ele cresceria muito, até não caber mais dentro de casa, nem no quintal, nem na cidade. Poderia até esmagar o dono.
Tikito nunca foi amado e o motivo era o prazo de validade desse sentimento.
Pois até um animalzinho jurássico sabia que as coisas não podiam ser levadas a ferro e fogo.
"os humanos são mesmos engraçados. Afastam deles mesmos a chance de ser feliz, pensando em algo que talvez nem aconteça."
Com Tikito foi assim. As pessoas não sabiam que ele nunca cresceria. Tikito era um dinossauro anão.

Sabrina Davanzo


Engenharia


Perdi muito tempo destruindo barreiras. Está na hora de construir pontes.


Sabrina Davanzo

14 de ago. de 2009

Adocicado



De manhã, amor em (des)pedaços.
A tarde, pé de moleque, para correr por aí.

A noite, sonho doce.


Sabrina Davanzo

13 de ago. de 2009

Nó


Acabei perdendo o fio da meada
A linha da minha vida anda muito embaraçada.

Sabrina Davanzo

Arrumação



Arrumei minha mala. É que amanhã vou viajar. Arrumei também meu quarto, que é para estar em ordem quando eu voltar. Tomara que eu continue assim... Quem sabe se de arrumação em arrumação acabo que organizo minha vida?

Sabrina Davanzo



11 de ago. de 2009

Efêmera


Para alguns a vida passa num piscar de olhos; Para outros, insônia.


Sabrina Davanzo

10 de ago. de 2009

Passarinho Azul

Pessoal, agora estou no Twitter também! Não sei colocar o link ali do lado =D
Ainda estou meio tímida por lá, mas apareçam! Ou, como diria a Altiva (Eva Wilma em A Indomada... lembra dela?): Follow me!

http://twitter.com/SabrinaDavanzo

Ps: Fui looonge agora, viu? hahahah

Beijos e obrigada pelas visitas! ;)

Sabrina Davanzo

9 de ago. de 2009

Trilha



Tem horas que faz falta um piano em casa.... notas musicais suaves e intensas para tornar o riso ou choro ainda mais bonito e inesquecível. A vida deveria ter trilha sonora.



Sabrina Davanzo



Sobre sonhar acordada




Ainda que lhe doa os músculos da face ela fecha os olhos com força e não para de sonhar. Não para. Já lhe avisaram mil vezes que existe vida através do espelho mas ela não quer acordar. É bom o que sente quando viaja dentro de si.
Para encarar a realidade conta até três. As pombinhas conhecem seu segredo porque quando ela se veste de adulta e sai para trabalhar, são elas quem lhe sorri. Ela acredita que há algo de mágico nos seres de asas. Ah, como gostaria de tê-las. Voaria para bem longe dos sonhos que já não podem mais serem sonhados. Sim, porque há restrições. Quando não há esperança, o sonho se torna ilusão e esta não é nada boa. É mentira vestida de palavra bonita.
Hoje, no sonho, nasceu uma florzinha frágil e ela pode com um anjo brincar. Ela quis ficar lá contemplando a flor, mas lhe avisaram que precisava voltar e encarar prédios encardidos. Para aliviar, buscava sobre eles o azul do céu e o calor do sol. Sim hoje fez bastante calor... Ainda bem, porque pelo avesso ela era só frio. Ficou de meia o dia todo.

Sabrina Davanzo



8 de ago. de 2009

Até onde a vista alcança?


Eu vivo em algum lugar deste universo infinito e gigante. Será que Deus consegue me enxergar lá de cima?

Sabrina Davanzo

6 de ago. de 2009

Meu inverso ganhou asas, voou...


Queridos e queridas!

É com bastante orgulho, lagriminha nos olhos e felicidades que informo a vocês que o Inverso Meu ganhou asas e pousou nas páginas de um livro. Meu primeiro livro.
Inverso Meu - Pequenas Histórias para Gente Grande, está sendo publicado pela Editora Multifoco e traz uma coletânea de textos do blog e alguns inéditos. Todos com novas e lindas ilustrações. Dessa vez, feitas por minha amiga e designer Clara Gontijo.
O lançamento está previsto para setembro. Enquanto isso, continuem por aqui fazendo a contagem regressiva comigo.

Obrigada pelo carinho de sempre, pelas palavras de apoio e incentivo. Adoro. De verdade! :)

Sabrina Davanzo

Amargura



Em um céu de brigadeiro, duas nuvenzinhas conversavam. A primeira, branquinha e fofa refletia os raios do sol ficando toda iluminada. A outra, cinza, carregada, parecia mais uma bola de chumbo perdida na paisagem.
- Para que tanta amargura? Perguntou a nuvenzinha que transbordava felicidade à amiga.
- Cansei de ser nuvem. Não tenho consistência, não posso ser tocada... Parece até que não sou real! E quer saber? Como são cansativos os dias e a noites. Resmungou.
- Mas e o fato de poder caminhar por todo o céu, que é infinito? Não te agrada? Podes ter a forma que quiser. Podes inclusive brincar com os humanos.. Eles adoram nos adivinhar.
- Não vejo vantagem nenhuma em caminhar ao léo e além do mais, não ligo para os humanos. Estão muito distantes de nós.
- Minha amiga, acho que não percebes a importância de ser quem tu és. Trabalhas em conjunto com o sol. No seu mais alto reinado, só tu podes se aproximar dele e fazer sombra fresca à terra.
A outra continuou a resmungar: o céu é sempre azul, a noite sempre muito escura...
A nuvenzinha feliz se afastou, deixando a companheira com seus pensamentos.
"Tem gente que não entende sua própria grandeza, nem dá valor ao paraíso que tem diante de si", disse ao sair.
"Cabruuuummm", trovejou a nuvem carregada e chorou.

Nesse momento, em algum lugar, começava a cair uma chuva grossa, doída e gelada.

Sabrina Davanzo

4 de ago. de 2009

Trenzinho

Minha vida é igual a um trenzinho de parque: cheia de altos e baixos.
Quando desce sinto medo, apavoro, grito...
Depois que sobe, sou só gargalhadas. Olho para trás e não acredito que me desesperei. No final, tudo acaba valendo a pena e, não raro, sendo muito divertido.
Ah! Esqueci de dizer: o trenzinho não para. "Moça, me vê mais um ingresso!"

Sabrina Davanzo

3 de ago. de 2009

Pedras no caminho



Andava despreocupada quando deu uma topada.
- Ai! Vê se olha por anda! Esbravejou Dona Pedra que acabara de levar uma pisada.
- Desculpe, Dona Pedra. Tenho tanta pressa... não a vi. Mas também, o que faz aí, bem no meio do caminho?
- Veja que insolente! Eu estou onde deveria estar. Aqui nasci e aqui vou ficar. E ai daquele que em mim tropeçar!
Observou-a desconcertada. Precisava ir andando.
-Desculpe mais uma vez, Dona Pedra. Não vou lhe incomodar, prestarei mais atenção.
Ela se foi. Dona Pedra continuou no mesmo lugar.

Vez ou outra você vai tropeçar, não há mal nenhum nisso. Pior é ser pedra que não sai do lugar. Vive levando topada e pior: atrapalha quem quer caminhar.

Sabrina Davanzo


"A vida é maior do que isso..."

Seria a vida maior do que amor? Para mim, o amor é base da vida. Viver é uma experiência que deve e merece ser compartilhada. Não quero conquistar o mundo e ao faze-lo não ter ninguém ao meu lado para dizer: eu consegui! Minha vida é resultado das relações que existem nela. São essas convivências que me movem, fortalecem e me fazem querer sonhar cada vez mais.

Sabrina Davanzo

31 de jul. de 2009

Refeição

Vez em quando ele come jiló. Só para lembrar que existem coisas bem mais amargas que sua vida.

Sabrina Davanzo

30 de jul. de 2009

Presente

Henrique Pimenta, do blog Bar do Bardo, presenteou-me com este lindo poema que compartilho com vocês:

Encantamento

- para a fada Sininho

Libélulas e sílfides em cruza,
fadinhas, borboletas, colibris,
um grumo de inocência na confusa

folia do jardim, como se diz
em época de amores "eu te adoro",
os seres e os encantos vão de bis

e tri e... não se cansam do canoro,
em nuvens de cantata para mim:
adentro no brinquedo que ignoro,

um anjo poliniza-me e... jasmim.

- Henrique Pimenta

Obrigada, Henrique! É lindo... estou encantada!

Alice



Eu me recuso a enxergar esse mundo cinza, poluído, com pouco rio para nadar, com cada vez menos árvores para me proteger do sol e menos ainda comida nas mesas.
Eu me recuso a acreditar que um pai não tem tempo de ver seu filho crescer porque está ocupado ganhando dinheiro e comprando apartamento de um milhão.
Hoje eu não quero ouvir sobre o castelo do político. Se for para falar de castelo, que seja sobre os construídos na areia, de brincadeira.
Hoje eu não quero saber se uma bomba explodiu no Iraque, porque isso simplesmente não deveria acontecer: mais que um atentado a um pedaço de terra e algumas vidas, esse ato é um atentado a felicidade do mundo.
Não me faça entender como um lugar tão grande como nosso planeta não tem casa para acolher todas as famílias, fazendo com que algumas delas tenham que morar nas ruas. Será que Deus errou nos cálculos? Ou foi a ganância que ocupou mais espaço? Nem me lembre dos cobertores de jornal dessas famílias. Só me mostre as tirinhas engraçadas e as palavras cruzadas.

Não me peça para imaginar chuvas que inundam casas e destroem tudo... só consigo imaginar chuva de bênçãos sobre cada cabeça cansada de tanta luta.

Ainda teimo em notar a diferença nas cores do céu, no por do sol e nunca na pele das pessoas que me cercam.

Hoje eu quero recolher todos os cachorros abandonados e coloca-los em casinhas de madeira confortáveis.

Quanto as crianças abandonadas, levarei todas para o parque de diversões, de onde nunca deveriam ter saído. Deverão manter um sorriso no rosto, enquanto forem apenas crianças nunca saberão o que é trabalho.
Não, eu não vou ligar a TV para assistir jornalismo sensacionalista e estúpido. Ao invés disso, vou confiar nos cientistas inteligentes e cultos que buscam a cura das doenças, alivio para as almas.
Eu prefiro a utopia. Estou de mudança para o Pais das Maravilhas. Quero voar com Peter Pan, viver na Terra do Nunca. Vou organizar uma revolução industrial nas fábricas de chocolate.

Há quem diga que fujo da realidade, mas me diga: Você QUER continuar vivendo aqui? Esperando ansiosamente que, ao sair de manhã, você volte seguro para a casa? Desejando que não seja hoje o dia em que aquele cara vai cruzar seu destino e levar sua carteira, sua identidade e talvez sua vida?

Estou cansada de agradecer por mais um dia “sobrevivido”, enquanto alguém cai no chão para nunca mais se levantar vitima de uma bala perdida.
Definitivamente, eu queria que o mundo fosse o meu quintal e não meu cantinho do castigo.

Ps: Será que esse mundo ainda tem jeito? Será que ainda dá tempo de fazer alguma coisa?


Sabrina Davanzo


24 de jul. de 2009

Purifica



A previsão do tempo é de chuva. Vou aproveitar para lavar minha alma com essa água que cai do céu. Tomara que Deus olhe para mim e veja que é de bom grado que recebo cada gota de purificação.
E quanto a você, chuva... desmancha com sua força mais que minha maquiagem ou penteado, desmancha minhas ilusões. Enquanto limpa minha pele, limpa também minha visão deturpada e me faz enxergar a realidade. Arraste com você o que não me pertence, o que não faz parte de mim, só assim poderei ser eu mesma. Caia o quanto quiser, o quanto for necessário para que eu me torne outra vez fértil. Não importa o quanto dure... eu acredito e confio que depois vem a luz do sol, igual toalha quentinha, para me aquecer.
Amém.

Sabrina Davanzo



23 de jul. de 2009

Sorriso estranho

Quando chegou à festa vestida toda de preto com uma meia-calça rosa bebê, todos notaram. Ainda bem. Reparando a meia, não notaram seu sorriso cinza e suas olheiras roxo-esverdeadas. "E essa meia de quando você tinha 12 anos?", alguém perguntou. "Está com saudade do seu tempo de bailarina?".
Ela usava a meia para disfarçar o clima fúnebre dentro dela. Constrangida com as brincadeiras, acabou indo discretamente ao banheiro retirar o motivo dos comentários.
Saiu e encarou outra vez os amigos. Agora, parecia pior. Exposta, sua pele branca, pálida, parecia nem ter sangue correndo nas veias. Tremia de frio e de medo. Não queria encarar aqueles tons escuros que teimavam lhe colorir.
Ele se aproximou dela e, com paciência, lhe perguntou: "Por que tirou a única coisa que lhe trazia um pouco de vida? Você precisa ficar alegre. Com as meias, você parecia sorrir. Ainda que com as pernas..." Ela lhe olhou desconfiada.. achou estranho e engraçado. Ele lhe conduziu aos empurrõezinhos e pediu que tratasse de vestí-la de novo.
Foi o que ela fez. Quando saiu, tímida, tinha um imenso "sorriso" cor de chiclete. De alguma forma, aquilo lhe deixou feliz.

Sabrina Davanzo


21 de jul. de 2009

Nascimento



Observavam o jardim ao entardecer. Os últimos raios de sol estabelecia uma cumplicidade alaranjada entre eles. Diante de uma roseira, ele sorriu, apontou para as flores que exalavam vida e suavidade e lhe perguntou: "Qual delas é você?". Com o olhar mergulhado em água que teimava em brotar, tocou um pequeno botão, tão fechado dentro de si que mal podia respirar, mal podia ser notado em meio a toda exuberância desabrochada a sua volta. "Sou esta aqui", respondeu num sussurro.
Observando-a com um misto de pena e admiração quis saber por quê. "Porque apesar de existir, ainda estou para nascer".

Sabrina Davanzo

Contra-tempo


Hoje ela tem pressa apenas para ser feliz. Não está correndo contra o tempo e não quer que nada ao seu redor seja assim. Para ele as horas são apressadas, então a procura por cinco ou dez minutos nem que seja para saber como ela está. Houve um tempo em que ele parecia ter a vida inteira para ela. Não. Ela não quer se conformar com o pouco que ele quer lhe oferecer agora.
A sua pressa é boa. É pressa que espera pelo o que ainda vai acontecer. Então ela lhe pede: Não atrapalhe minha calma de viver com sentimentalismos fora de lugar. Eles apenas roubam minha esperança por segundos e fazem com que eu me sinta vazia o resto do dia.

Sabrina Davanzo

10 de jul. de 2009

Acabou


Um dia eu experimentei felicidade. Era doce e, como tudo o que é bom, acabou rapidinho.


Sabrina Davanzo

7 de jul. de 2009

diagnóstico



Todo dia sentia uma dorzinha no coração, umas pontadas. Piorava a noite. Falaram que podia ser angina. Não era não. Ela sabia que o órgão lhe doía era de solidão.

Sabrina Davanzo

6 de jul. de 2009

Sorry

Todo mundo vem com um manual. Alguns, em inglês. Desculpe. Eu ainda não falo outra língua.

Sabrina Davanzo

Instruções


Rio que corre para o mar

lava minh'alma
sem me arrastar

margem que me mantém no lugar
segure-me
por favor, sem sufocar

lodo que cobre meu interior
acomode-se
de forma que eu não sinta dor.

Sabrina Davanzo

5 de jul. de 2009

Bandeira branca


Hoje meu espírito saiu em protesto em meio ao caos que se instalou nas avenidas de minha vida. Solitário, bradava gritos inaudíveis. Implorava por paz.

Sabrina Davanzo

1 de jul. de 2009

Faxina

Às vezes penso que o mundo necessita mais de consciência limpa do que de paz.

Sabrina Davanzo

29 de jun. de 2009

Dos livros que eu li

Acabei de ler O Som do Pasquim. Uma coletânea de entrevistas históricas de cantores como Tom Jobim, Chico Buarque, Luiz Gonzaga, Raul Seixas, Waldick Soriano, concedidas ao jornal O Pasquim, na década de 70. Achei super interessante. Dá para conhecer um pouco mais essas personalidades e também a realidade do mundo da música e do Brasil naquela época. Nas entrevistas, eles falam de suas músicas de sucesso, polêmicas. Deu vontade de sair ouvindo uma por uma. Foi o que eu fiz. Fantástico. As entrevistas são sempre marcadas pela irreverência do pessoal do jornal: Jaguar, Ziraldo, Millôr. Muito bom, vale a pena ler.

"A minha casa fica lá detrás do mundo
Onde eu vou em um segundo
Quando começo a pensar..."

Lupicínio Rodrigues ( um dos entrevistados)

Confiram o hotsite: O Som do Pasquim

Sabrina Davanzo

Inundação


Sou barragem que segura águas inquietas, revoltas. Um dia acaba que não me aguento: rompo.

Sabrina Davanzo

Sem destino


Como uma frágil e pequenina pétala, estou a voar ao sabor do vento. Não há muito o que eu possa fazer a não ser esperar que ele perca sua força para só então me deixar parar, para só então eu entender onde eu deveria chegar.

Sabrina Davanzo



Por perto

Ela esperava por ele como quem espera encontrar um oásis no meio do deserto. Resistia tentando manter sua dignidade, tentando não se perder rodeada de tanta ausência.
Então, numa tarde de nuvens escuras, ele apareceu. Chegou quando o mundo todo já havia ido.
Ele entende seu coração. Por isso, trouxe no sorriso o ânimo e a tranquilidade que ela tanto precisava.
Ele, que sempre está longe, é o primeiro a se fazer perto. Ela não precisa pedir. Ele sabe quando deve aparecer.

Sabrina Davanzo

26 de jun. de 2009

Raridade

Quanto mais eu cresço, menos amigos tenho. Quanto mais pessoas conheço, mais superficial se torna minha relação com elas. Lembro de uma época onde eu não concebia estar entre amigos e não abraça-los. Era impossível não existir intimidade. A proximidade física implicava cumplicidade, sintonia.
"Bom dia", "tudo bem" não eram obrigatórios caso o dia não estivesse valendo a pena ou a vida não estivesse lá grandes coisas.
Não se faz mais amigos como antigamente. Daqueles que você ganha não só atenção, mas colo. Já tive amigos de passar tardes pulando na cama imitando uma cantora mexicana sem saber falar espanhol. Já tive amigos de dividir a mesma lata de "leite moça" sem o menor receio pois havia confiança. Hoje, mal divido um sorriso, uma angústia.
Amigos como atigamente estão cada vez mais raros. Difíceis mesmo de se encontrar.
O que aconteceu? O mundo mudou? Ou será que fui eu?
Eu não sou mais a menina divertida e legal que eu era? Ou as pessoas não tem mais tempo para serem amigas?

Sabrina Davanzo


23 de jun. de 2009

Singelo:inocente;puro



Num dia desses, enquanto falava ao telefone, resolvendo um desses assuntos que parecem mais de morte do que de vida, eu fitava a imensa janela que tem na sala de casa e que dá para uma espécie de pátio. Absorta pela conversa, qual foi a minha surpresa quando de repente, com uma suavidade que não sou capaz de transcrever, um avião de papel corta o céu e pousa bem ali naquela imensa área do prédio. Tal foi a delicadeza do pouso que fiquei imaginando quem haveria de ser aquele piloto tão cuidadoso. E mais, quem teria enviado aquela aeronave de contornos tão perfeitos para perto mim? Emocionada com a simplicidade desta cena ante a complexidade da conversa ao telefone, comecei a sorrir e comentei com um que de anestesiada: "acabou de pousar um avião aqui.... o avião mais lindo e singelo que já vi". Sem entender nada, quem estava do outro lado da linha quis saber se eu estava bem ou se já começava a variar. Pedi desculpas e desliguei. Corri para a janela. Queria ver mais de perto o avião feito de folha de caderno. Que bobagem pareceu as tramas e os dramas em que me via envolvida. Aquele pontinho branco estacionado a alguns metros me mostrou que a vida pode ser mais leve, pode ter o peso de um avião de papel se a gente quiser.

Sabrina Davanzo


Invisível



A relação dos dois é como criança-escondida-atrás-da-cortina-com-o-pé-pra-fora. Ele sabe que ela está ali, mas finge que não vê. Lamentável dizer que não é para tornar a brincadeira mais emocionante. Ele age assim há mais de vinte anos.

Sabrina Davanzo

22 de jun. de 2009

Sussurros




Um dia, numa troca de emails escritos em itálico, você disse que ler assim era como ouvir sussurros narrados em primeira pessoa. Talvez seja porque escritas assim, deitadinhas, as palavras soem mais românticas, leves e íntimas.
Hoje, faço-me valer de tal delicadeza para te dizer bem baixinho: "eu ainda amo você.."

Sabrina Davanzo



21 de jun. de 2009

Dos livros que eu li


Acabei de ler Garoto Linha Dura de Stanislaw Ponte Preta. Achei sensacional. O autor escreve de forma tão simples que você começa a ler e não quer mais parar. No final, você se sente íntimo dele. O livro é uma série de crônicas (hilárias), ilustradas pelo Jaguar, que narra temas como repressão, traição, velório, miséria e tudo o que permeia o dia a dia das pessoas.

"-Qual é o sujeito que, tendo saído do povo e se tornado mais do que um simples elemento do povo, quer se integrar ao povo? Ninguém... porque ninguém é besta de andar pra trás. Por isso, é uma mentira, quando certos exploradores do povo vem com essa conversa de que falam pelo povo. Falam nada... eles estão querendo é se arrumar mais ainda, para ficar mais distante ainda do povo..."

O Discurso

Fica a dica: Garoto Linha Dura

Sabrina Davanzo

17 de jun. de 2009

Para sempre

Perguntava, aflita, a quem passava por sua janela:
- Quantos dias são necessários para se fazer uma eternidade?
"Cinco" respondia um, "mais de mil" respondia outro, "um infinito de calendários" sugeria alguém mais por dentro do assunto.
Uma eternidade deve ser mais do que suficiente para se aprender algumas coisas. Nunca ouvi dizer que alguém levou duas ou três dessas para fazer o que quer que seja.
Há quem diga que a eternidade é um lugar e para lá, diariamente, são mandadas coisas, pessoas, palavras. "Não me lembro de ninguém que tenha ido para a eternidade e voltado", pensava.
E então, da janela, perguntava aflita:
- Ei, senhora... quanto tempo leva para uma eternidade passar?

Sabrina Davanzo

16 de jun. de 2009

Enchimento


Fico olhando para o coelho que mora em cima da minha cama, tão cheio de si.
Eu que ando me sentindo tão vazia. Peço para ele um pouco daquela coisa que o torna tão fofinho para preencher o buraco que tenho no coração. Ele diz que não pode. Se ele me completar, quem vai ficar murcho é ele.

Sabrina Davanzo

15 de jun. de 2009

Dos livros que eu li

Hoje é dia de novidades aqui no Inverso. A Editora Ediouro enviou-me de presente um Livro para ler, com a condição de que eu falasse sobre ele aqui no blog. Aceitei correndo. Afinal, tenho certeza que todos vocês que vem até aqui todos os dias também adoram ler e não é nada mal receber dicas de livros legais. Para democratizar, gostaria muito que nos comentários vocês colocassem o que estão lendo, o que leram e gostaram.

O livro enviado pela Ediouro, chama-se Obra Imatura de Mário de Andrade. Com um pouquinho de tudo, poesia, ficção e ensaio, é possível fazer uma viagem maravilhosa pelos primeiros trabalhos do escritor com as palavras. Ler Mário de Andrade é um prazer. Até então, eu só havia lido Macunaíma de sua autoria. Adorei principalmente suas poesias.

" ... E, vagarosamente, se entranhando
no perfume vermelho da manhã,
ela vem triste, como que sonhando,
- ela, que é sã-
e ele, - o ferido- traz sorrisos francos,
vem assobiando entre seus lábios brancos
uma valsa alemã..."

Trecho de Epitalâmio

Para saber mais sobre o livro é só clicar aqui: Obra Imatura

Sabrina Davanzo


Eu no Releituras

Com muito prazer, compartilho uma novidade com vocês: O Projeto Releituras acaba de dedicar uma página a um texto meu na sessão Novos Escritores.
O texto não é novo por aqui mas é bom vê-lo fazer parte de um projeto tão bacana quanto este.
Para quem quiser conferir é só clicar aqui ó: Releituras - Novos escritores

Sabrina Davanzo

Des-matar


Adentrou aquele matagal denso, escuro, onde apenas poucos raios de sol conseguiam penetrar.
Levou uma pequena foice para o caso de não conseguir arrancar com as próprias mãos algo que pudesse lhe impedir o caminho.
No meio do mato alto, que quase cobria o seu corpinho franzino, procurou um sorriso, uma amarelinha da infância, as amizades verdadeiras. Procurou pelos carinhos recebidos e doados, pelos sonhos que deixou para trás, pelas pequenas felicidades que viveu.
Juntava os cacos, o que restou e se misturou àquela lama toda no imenso pântano que havia se tornado o seu coração. Precisava encontrar um por um, nem que fosse para provar para si mesma que, um dia, havia sido inteira. Um dia, havia sido floresta de conto de fadas.

Sabrina Davanzo



12 de jun. de 2009

Chronos


Tive uma conversa séria, de longas horas, com certo senhor. Ele me disse que não tem jeito mesmo: tem que ser vinte e quatro horas, contadinhas, por vez. Não dá para acelerar. Achei que explicando meu problema, falando sobre a minha dor, ele pudesse fazer alguma coisa. Mas não dá. Tenho mesmo que esperar um dia inteiro, depois outro, depois outro. Até aliviar. Enquanto isso, ele me mandou comer bolachas recheadas. É gostoso e distrai.

Sabrina Davanzo

10 de jun. de 2009

Capítulo um


Para que uma história comece, é preciso que outra termine.


Sabrina Davanzo

8 de jun. de 2009

Sobre inverno e o frio dentro de mim

Neste frio cinza que congela meus ossos, debaixo de camadas impessoais de casacos negros puídos, minhas meias coloridas me alegram, trazem a esperança de que sim, eu posso me aquecer. Sim, com paciência, logo chega o verão.

Sabrina Davanzo



5 de jun. de 2009

Cubo mágico


No meu prédio tem um velhinho desses simpáticos que usam pulover e meias de lã. Não o conheço. Não sei sequer o andar que ele mora. Mas de uma coisa eu desconfio: ele é professor de cubo mágico. Sempre que passo pela portaria ele está lá com um cubo colorido nas mãos, explicando a algum dos porteiros como colocar as cores iguais, lado a lado, em tempo ágil.
A vida tem mesmo dessas coisas. Cria pra gente umas manias esquisitas, engraçadas, bonitinhas.
Esse meu vizinho tem mania de cubo mágico. Passa horas tentando organizar as cores.

Sabrina Davanzo

31 de mai. de 2009

Sobre letras e barcos

Barquinho de papel desliza na água
leva embora o ditado escrito com tanto esmero.
Cada letra bordadinha em seu devido lugar,
Encantava a professora
era bonito de se olhar.

Podia ser um barquinho de álgebra, ou ciência.
Mas seria muita responsabilidade para a embarcação.
Imagina informar os passageiros
sobre raiz quadrada de setenta e oito
ou, pior, contar sobre as células do corpo.

Melhor um barquinho pautado, bem aportuguesado
que sabe de cor e salteado
qualquer palavra que lhe perguntar.

Essa viagem, tem uma tripulação especial.
Junto com o barquinho
vai o trema que caiu em desuso e depressão,
e o acento de ideia, que não tem mais utilização.
Só ficou de fora o hífen, que com tanta confusão,
esse o barquinho não leva não.

Sabina Davanzo

Texto postado no Coletânea Artesanal que, este mês, tem o tema Sobre letras e barcos.


29 de mai. de 2009

Relógio


De repente, o tempo começou a andar devagar. Cada segundo é uma eternidade. Cada hora dura mil vezes mais do que deveria durar. Parece que os ponteiros se apaixonaram pelos números e não querem sair do lugar. A noite não tem fim e quando vem o dia, começa toda a lentidão de novo. 
Passa, tempo... Passa que eu também quero passar. 

Sabrina Davanzo

27 de mai. de 2009

Sobre jujubas e as delícias da vida



-Fica sempre esse gosto de quero mais quando acaba? Perguntou se pendurando no balcão, tentando enxergar o velho vendedor. 
-Somente quando foi muito bom.  
-Mas então por que acaba? 
-Para que você possa experimentar outros sabores. 
- E eu posso querer sempre do mesmo?
- Se quiser, você pode. Escolha o seu sabor preferido e experimente de novo e de novo e de novo. 

Sabrina Davanzo 



Porque 10 é número bom!


Na escola, quem tira 10 é bom aluno. Nas escalas imaginárias você sempre analisa algo de 0 a 10. 10 reais é uma boa quantia para se ter na carteira. Quando alguém é muito legal, sempre podemos recorrer à velha gíria " fulano é nota 10".

Hoje, o inverso também é 10. 10 mil visitas. Isso é tão bom! É como se eu tivesse tirado a nota mais alta, minha escala chegasse ao máximo e de quebra eu tivesse esse dinheiro para gastar com chocolate e sorvete, tudo ao mesmo tempo.
Por 10 mil vezes o inverso foi visto, lido, admirado.
Quero muito agradecer a todos vocês que aparecem por aqui há oito meses, chegaram agorinha, passam de vez em quando, visitando ou deixando comentários que eu adoro receber.
Obrigada! Vocês também são 10!

Sabrina Davanzo

26 de mai. de 2009

Desculpas


E ela, que só queria ser boa e fazer o bem, vezenquando maltratava alguns corações. 
Doeria menos se ela explicasse que não teve a intenção? 

Sabrina Davanzo 

25 de mai. de 2009

Primeiro Ato


Ficou ali, observando o passarinho na gaiola que voava pra aqui e pra ali todo atarefado. E comia. E cantava. E bebia água e voava baixinho e curto de novo.
- Não te cansas essa monotonia? Quanto tempo ainda há de aguentar, até que te tornes livre para viver?
O passarinho estufou o peito, afinou o bico e respondeu:
- Ora, pois eu já vivo. A vida é peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, pouco importa onde instalaram o meu palco, trato logo é de ser um bom ator.

Sabrina Davanzo

Furacão


Tem horas que se sente na obrigação de ser feliz. É quando menos consegue.
Para ela a felicidade não é inata, inerente, não vem fácil. É algo que deve ser buscado. Uma busca sem fim, que cansa e no final só encontra frustração e desespero.
É aí que vem o choro e a vontade de parar de buscar. Mas não para. É anciosa demais para sentar e esperar.
Quando era pequena era mais fácil. Tinha um passarinho que cantava dentro dela e a liberdade dele reinava.
Por dentro, hoje, ela só tem um furacão que consome tudo. Que faz barulho. Que assusta, mas não mata.

Sabrina Davanzo

22 de mai. de 2009

?

Sabe quando você não sabe o que fazer? O que você faz?

Sabrina Davanzo

21 de mai. de 2009

Recordação



Numa tarde de sol, do alto dos meus três anos, eu via pela janela um senhorzinho que subia a rua puxando uma zebrinha por uma corda. Os dois subiam mansos, com aquela preguiça que um sol quente traz.
O senhorzinho, me vendo pendurada na janela, abriu um sorriso e perguntou:
- A mãe tá aí?
Não obtendo nenhuma reposta minha, tocou a campanhia, que foi atendida por minha mãe. 
Depois de alguns dedos de prosa ela me chamou: 
- Vem tirar foto! 
E foi assim que nasceu uma linda recordação de minha tenra idade. No passeio de casa, com os raios de sol iluminando minha alegria e excitação, minha mãe me sentou no lombo da zebrinha, e o senhorzinho registrou o momento em sua câmera fotográfica.
Só Muitos anos depois é que fui perceber que a zebrinha na verdade era uma mulinha com listras pintadas à mão. Achei engraçada a situação... Mas para mim, continuou sendo uma zebrinha. Dessas que vem lá da Savana Africana para tirar retrato com a gente. 

Sabrina Davanzo 



16 de mai. de 2009

Discontos de fadas


Quando era pequena adorava ouvir o vinil azul do Patinho feio que ficava na casa da minha vó. Não me lembro de ter visto filme, desenho, livro dessa mesma história que tenha me marcado tanto. O narrador, com sua voz grave, denotou uma feiúra para o patinho que imagem nenhuma poderia representar. E como isso me entristecia. Como pode ter sido tão humilhado, tão desprezado? Afinal, feio ou bonito, são as diferenças que nos fazem ser quem nós somos.
Claro que, naquela época, eu não formulava esse raciocínio em minha cabeça, mas sabia que isso era o que me incomodava. E se eu também fosse feia? Nunca seria aceita? O pobre patinho, que na verdade era um cisne, enfrentou até bicadas de galinhas. Sentia profundamente aquelas bicadas. Chegava a imaginar a dor do coitado. Com lágrimas nos olhos, ouvia o canto das avezinhas que entoavam com suas vozinhas finas a canção “nós somos as garcinhas, somos umas gracinhas...”. Imaginava se elas eram mesmo tão bonitinhas e quanto devia partir o coração do patinho ouvir isso. Ele que era só um cisnezinho novo que nem conhecia o mundo, que nem conhecia a si próprio.
Ainda bem que no final tudo se resolvia. Sentada ao pé da vitrola, sem quase nem respirar para não fazer barulho e perder a história, eu realmente sentia um grande alívio quando a tormenta passava. Quando terminava o vinil, eu o pegava e ficava admirando. Como cabia uma história tão pesada como aquela daquele disquinho azul claro? Guardava na capinha rota de nem sei quantos anos. Sempre pensava que um dia ouviria de novo. No fundo, queria que na próxima vez a história tivesse mudado. Queria que o patinho não sofresse tanto. Já naquela idade eu tentava aprender formas de não enfrentar a dor.

Sabrina Davanzo

Texto postado originalmente no blog Discontos de fadas da artista plástica Adriana Peliano.

14 de mai. de 2009

Manisfesto:

Eu quero ter alguém.
Alguém que queira dividir comigo a cama,
a casa, o último pedaço de pizza amanhecida.

Eu quero ter alguém.
Alguém que divida comigo a vontade de conhecer a Europa,
de passar o dia deitado na grama do parque,
de ter um filho.

Eu quero ter alguém.
Alguém que compartilhe comigo sorrisos e decepções
que tenha sonhos
e que eu possa estar incluída em alguns deles.

Eu quero ter alguém.
Alguém que seja personagem de filme romântico,
que erre mas, acima de tudo,
tenha um coração puro.

Eu quero ter alguém.
Alguém que compartilhe comigo
um cantinho pequeno e aconchegante
que vai acomodar tudo o que a gente conquistar.

Eu quero ter alguém.
alguém que ao ver de manhã
sorrindo para mim eu possa pensar:
eu te encontrei!

Eu quero ter alguém.

Sabrina Davanzo

Floral

Tenho uma amiga que está tomando gotinhas de felicidade. Ela compra na farmácia um vidrinho todo cheio. A receita? Uma mistura de flores e cores.
Gostaria que as farmácias também vendenssem comprimidos de sabedoria, sprays de humildade, pomadas de carinho. Seria bom se as dores pudessem ser curadas assim.
Ah! E claro, tudo baratinho para todo mundo ter acesso. Desconto garantido pelo programa do governo: Receita para vida feliz.

Sabrina Davanzo

10 de mai. de 2009

um pouco de mim


Eu sou criança, mimada, boba. 
Não coloco malícia onde não tem. 
Onde tem, não enxergo. 
Parto do princípio de que todos são 
como eu: simples. 

Também excomungo, como o Papa, 
quando as coisas ou pessoas
não são como eu gostaria. 
Mas um minuto depois 
já sou eu de novo: doce. 

a vida coloca monstros diante de mim.
Não sei como lidar com eles.
fico com vontade de chorar
mas lembro que tenho que ser como todos: forte. 

Fecho os olhos, aperto bastante. 
Quando os abro o monstro é menos assustador. 
Chuto sua canela, "sai da frente" 
e sigo como eu sou: feliz. 

Sabrina Davanzo 

8 de mai. de 2009

Sorria


Todos os dias se senta ao lado de uma velha para esperar o ônibus. Todos os dias a velha conta a mesma história desbotada de quando era moça e trabalhava na casa do governador.

Como resposta, ela sempre lhe oferece um grande sorriso.
E algumas vezes, não importa o que está sendo dito, o que as pessoas esperam da gente é só isso mesmo: um sorriso.

Sabrina Davanzo

7 de mai. de 2009

Onde encontrar?


E porque ela queria conhecer a tranquilidade da alma saía a procura-la por toda parte. Na música, na dança, no silêncio da mãe que amamenta o filho, na euforia dos apaixonados.

Onde mora a tranquilidade que deveria residir dentro dela? Procura-a na mente ocupada pelo trabalho, nas tardes no campo, no sono pertubado.
Não acha. Não acha. Não acha. Enquanto isso, não descansa. A cabeça é uma confusão maior que trânsito de cidade grande.
Não acha. Não acha. Não acha. Não tem paz.

Sabrina Davanzo

6 de mai. de 2009

Recomeço


Contou até sete, porque acreditava que sete era um número bom.

Suspirou fundo, abriu os braços e saltou.
Queria recomeçar, mas para isso precisava chegar ao fim.

Sabrina Davanzo

Proteção


Uma chuva de desgraça caía sobre sua cabeça. Diferente de todo mundo, não abria o guarda-chuva.

Sabrina Davanzo


Espera

Ficou sentada esperando que seus sonhos se tornassem realidade.
Ninguém lhe avisou que para dar vida a algum deles, era preciso sair do lugar.

Sabrina Davanzo

4 de mai. de 2009

sobre amar


É sempre bom amar. Mas o melhor amor é aquele que dedicamos a nós mesmos, sem cobranças. O primeiro e verdadeiro amor deveria ser o amor próprio.
Assim seria mais fácil e menos doloroso se apaixonar pelo outro.

Sabrina Davanzo

Sobre traumas



Sempre tive medo de andar de bicicleta. Achava tão inseguro, desprotegido. No fundo eu me sentia mal por ser a única da turma que não desfrutava da liberdade de sentir o vento na cara, enquanto pedalava a cecizinha. Olhava, ao longe, as bicicletas coloridas se afastarem, equanto eu ficava na firmeza do chão. Hoje eu vejo que deixei de experimentar por não ter certeza de como seria. Medo da queda. Medo da dor, que talvez nunca chegasse.
Não andei de bicicleta na infância e não ando até hoje. Ainda não me acostumei à incerteza.

Sabrina Davanzo

24 de abr. de 2009

Sombras



Ele é desses sujeitinhos que sempre andam com os nervos expostos à flor da pele. Flor essa que é feita de espinhos e folhas murchas.
Briga com o trocador do ônibus. Reclama com a atendente da padaria. Discute com o vizinho de frente. Não dá um centavo para o pedinte. Sua casa, assim como sua alma, é vazia e tem a escuridão de sete palmos abaixo do chão.
O dono da banca da esquina o conhece bem e conta que a última vez que ele sorriu foi há muito tempo, ao despedir-se de sua senhora à porta de casa, quando essa saía para o trabalho. A mulher nunca mais voltou. Nem o sorriso dele.
Quem o vê julga-o mesquinho, resmunguento, mal humorado. O que ele tem mesmo é um imenso amor reprimido. Um desespero entalado na garganta. um deserto no lugar do coração.
Ele não sabe lidar com o amor que já se fez presente e hoje não mais está.

Sabrina Davanzo


21 de abr. de 2009

Obstáculo



No meio do caminho, havia uma poça d’água. Como chegar do outro lado sem passar por ela? Como passar por ela sem se molhar? E se sua perninha pequena não desse conta de ultrapassar a poça? Talvez fosse possível resolver de outro jeito. Teria mesmo que encharcar os sapatos tão confortáveis? Adiou até a noite chegar. Por fim, decidiu voltar e pegar outro caminho, sem imprevistos. Por falta de coragem, escolheu não enfrentar. Pegando um atalho, optou por não seguir em frente. “Ainda não estou pronta para o salto” pensou. E então, começou tudo de novo sem saber aonde a estrada que deixou para trás a iria levar.

Sabrina Davanzo 

14 de abr. de 2009

Decreto

E fica estabelecido que, a partir de hoje, a vida de todo indivíduo será como um campo de margarida florido.

Sabrina Davanzo

12 de abr. de 2009

Visita a casa velha

Para Fran, minha amiga de infância

Diante da casa velha e decrépita, das paredes desbotadas de emoções passadas, percebo o tanto que o tempo passou. Cortaram, primeiro o galho, e depois a àrvore toda, onde pendurei minhas pernas finas e meus sonhos de menina.
A rua, que antes parecia tão colorida e cheia de vida, a rua que antes era o meu mundo, hoje é só uma rua qualquer, com seus velho moradores. Mudaram todos. Não de casa, não de lugar. Mudaram suas fisionomia, mudaram seus modos de pensar. Envelhecem a cada carro que sobe e desce a rua que era o meu mundo. De alguns fica uma vaga lembrança do rosto de criança. Notícias de longe contam que estão bem.
E eu que achava que uma árvore deveria durar para sempre. Onde foi parar a corda que pulei? A pedra que risquei o chão para demarcar meu território na brincadeira inocente?
O tempo levou tudo embora. E a cada vez que volto, percebo que levou mais alguma coisa consigo. Desta vez foi a tintura do portão da frente e a solterisse da minha melhor amiga. Quem diria... a menina que se pendurava comigo nos muros e galhos, hoje pendura-se no pescoço do seu marido.

Sabrina Davanzo

7 de abr. de 2009

Felicidade

Mar de rosas, com ondas gigantes, que invade e inunda toda a cidade que vive dentro da gente.

Sabrina Davanzo

6 de abr. de 2009

Percepção


Sinto que sou frágil. Meu temperamento está ligado às situações que estão diante de mim.
Meus olhos... Ah, os meus olhos... como me enganam. Fazem com que eu enxergue coisas onde não têm. Transformam um sopro em vendaval. Minhas mãos me traem agarrando-se em algo que já não faz sentido.
Sou toda pavor. Gato arisco. Queixumes. Até na risada escancarada percebo fantasmas. Meu coração já caducou. Não sabe mais falar por si só. Está sempre pedindo conselhos.
Percebo o mundo através de uma redoma de vidro. Saio de vez em quando só para constatar que aqui dentro é mais seguro.


Sabrina Davanzo

5 de abr. de 2009

Companhia



Todos os dias passava em frente ao armarinho da esquina e admirava a vitrine. Do outro lado do vidro, um cãozinho de pelúcia, encardido pelo tempo de exposição, exibia uma plaquinha no pescoço: Sou seu melhor amigo. 
Ele andava se sentindo tão só que acabou não resistindo, comprou o bichinho.  O problema é que, quando ele chega em casa, o cão não faz festinha, não abana o rabo. Quando ele sai, não fica triste, não sente sua falta. Mas para ele não importa. Aquela plaquinha no pescoço já diz tudo. Ele agora tem uma companhia, isso basta. Ele bem sabe que um amigo não tem que ser perfeito. 

Sabrina Davanzo



3 de abr. de 2009

Sobre a lágrima

Gotinha de sal que tempera a dor e, às vezes, a alegria.

Sabrina Davanzo

30 de mar. de 2009

O menino com mãos de gancho



Era uma vez um menino que tinha ganchos no lugar das mãos. Prendia todo mundo que se aproximava dele.
O menino fazia isso para não se sentir tão só... para ele, a maneira mais fácil de chegar ao coração era prendendo com as mãos.
A história termina com um menino que nunca deu um abraço apertado e com todos aqueles que ele amava saindo machucados.

Sabrina Davanzo

Astronauta



Ele tinha um avião supersônico no qual viajava todas as noites. Visitava outros planetas, passeava pelas galáxias.
Fez amizade com um marciano que estava de passagem por Júpiter. Explicou a ele como funcionavam as amizades aqui na terra e tratou de avisar: "mais cedo ou mais tarde eu vou lhe magoar mas, como amigo, você deve entender e perdoar".
O marciano concordou. Ele sabia que essa amizade só duraria enquanto o menino tivesse sonhos. E nunca se sabe quando alguém vai deixar de sonhar: pode ser que nunca... mas também pode ser pra já.
E toda noite eles bricavam de astronauta.
De manhã, quando a mãe ia acordar o menino para a escola, via aqueles pezinhos sujos e não entendia.
Pezinhos descalços que brincaram na poeirinha da lua... ela nunca adivinharia. Ela já não sonhava.

Sabrina Davanzo

27 de mar. de 2009

Brincadeira colorida



Filó tinha mania de inventar brincadeiras. Pegava os retalhos das costuras da mãe e criava suas histórias com eles. De todas as brincadeiras que inventava a que ela mais gostava era a de fazer arco-íris. Emendava uma tira colorida na outra e saía correndo igual quando se empina pipa.
Por alguns segundos, as tiras pairavam no ar. Ela tinha um lindo arco-íris palpável só para ela. No final, um pote de biscoitos que a mãe deixava preparado para quando acabasse a brincadeira.
Para Filó, isso é que era riqueza.

Sabrina Davanzo

26 de mar. de 2009

.

E porque toda história tem seu fim a dela terminou assim: Fechou os olhos e adormeceu. Para sempre.

Sabrina Davanzo

25 de mar. de 2009

Reflexão

Essa agitação de todo dia é o que as pessoas chamam de vida. Deram-lhe o apelido de rotina. Não, eu não quero quebrar a minha. De vez em quando, talvez. Mas não é isso o que me cutuca as costelas. O que realmente me deixa pensativa é: para quê?
Eu sei que se levanto bem cedinho é para chegar ao trabalho na hora certa. Se trabalho é porque preciso de dinheiro para fazer alguma coisa e por aí vai. Mas onde vou chegar com tudo isso? Não. Também não falo de mansões, carros do ano e roupas de marca. Falo de dentro de mim.
Tudo é experiência. Para quê? O que vem depois que me exige tanto preparo? Uma outra vida? Não sei.
Por isso insisto tanto nesta pergunta: Qual o sentido da vida?
O que tenho eu com outras vidas se não a minha? Por que quando um amigo derrama uma lágrima isso dói em mim? Por favor, não pense que sou insensível ou egoísta. Essa é só mais uma das questões que me corroem, assombram a vida que vivo. E vivo. Sem saber, sem conhecer.
Na tentativa de obter respostas, converso com o vento, com as paredes. Conto o que estou sentindo, agradeço as coisas boas que recebo, me desculpo pelos erros, ofereço barganhas, faço promessas.
Oi, tem alguém aí?

Sabrina Davanzo

24 de mar. de 2009

Simpatia

Acontece quando você identifica dentro do outro um pedacinho de você e vice-versa.

Sabrina Davanzo

20 de mar. de 2009

Pedido


Ela mal nasceu e ganhou asas, capa de super herói. Queria voar para longe.
Pedi que ficasse. É sempre bom ter anjos por perto.
Contei sobre como é bom descobrir coisas novas todos os dias.
Falei sobre as bolinhas de sabão multicoloridas e do seu barulhinho quando estouram.
Ufa! Acho que a convenci. Ela decidiu ficar.
Ainda bem. Era muito cedo para sair de perto de mim.

Para Letícia

Sabrina Davanzo

Estátua de Pracinha

Acho que, sem perceber, virei estátua. Já faz um tempinho que não saio do lugar, meu olhar não muda de direção, minhas mãos não agem.
Estátua de pracinha, rodeada de gente feliz, no corre-corre das coisas que acontecem, que se realizam.
Com quem posso reclamar? Será que a culpa é da prefeitura?

Sabrina Davanzo

Sem inspiração

Hoje eu queria escrever um texto bem lindo.
Sobre o que ele falaria? Não sei.
É que minhas ideias foram passear em parque que tem um laguinho
com flores em volta. É isso: foram se refrescar.
De vez em quando é bom ter a cabeça vazia...

Sabrina Davanzo

16 de mar. de 2009

Falta de açúcar


Formiguinha passou por mim apressada e meio zonza - glicose baixa. Estava indo ao mercado comprar um doce.
Disse que na casa onde está hospedada ninguém mais come açúcar. Só coisa light. Está todo mundo de dieta.
saiu reclamando: "Maldita ditadura da beleza! Intromete até na vida de uma pobre formiga!"

Sabrina Davanzo

De molho

Colocou de molho algumas peças de roupas que estavam encardidas.
Reparando na sujeira que saía aos poucos da roupa e se misturava à água, pensou que queria ser assim também. Queria poder se pôr de molho para tirar as marcas mais profundas que ficam impregnadas em si mesma.
O tempo de um mergulho é pouco. Precisava de mais. Talvez uma tarde, um dia todo submersa como as peças de roupa.
Sairia tudo e voltaria purificada? Ou seria o caso de, não sabendo lidar com a situação, ficaria com manchas (marcas) para sempre?
Roupa manchada a gente só usa dentro de casa. Não serve para se expor.
Ela tinha medo de, ao tentar se purificar, deixar ainda mais à mostra suas marcas.

Sabrina Davanzo

11 de mar. de 2009

Fim de festa



Uma boa festa chega ao fim quando ela é invadida por um arco-íris de bala de coco que vem enrolada no papel com franjinha.
As balas têm gosto de sabão e o papel colore o chão.
Quando vem chegando o arco-íris eu já sei que é hora de ir embora.

Sabrina Davanzo

6 de mar. de 2009

Cadê?


Tem horas que eu me perco.
Me perco dentro de mim.
To aqui e de repente... cadê?
Me abandono.
Queria saber por onde ando nesses momentos.

Sabrina Davanzo


Valsinha

Na vitrola antiga (presente do avô) ouvia um vinil que tocava sempre a mesma música: Uma valsinha bonita.
Sentada próxima à janela, sentia a brisa fresca que lhe chegava até o rosto. Um carinho do vento. Fitava as árvores e as outras casas que tinham suas tonalidades douradas pelo sol.
Isso é que é paz. Pensou.
Paz é valsinha bonita tocando por dentro e brilho de sol irradiando por fora.

Sabrina Davanzo

4 de mar. de 2009

Viagem de balão - parte 1



Daqui a alguns dias vou voar de balão. 
Já comprei minha passagem e reservei alguns suspiros. 
Quem vai dirigi-lo é um casal de  girafas que fica todo encurvadinho para caber lá dentro. 
Estou ansiosa. Vai ser minha primeira vez.  
"É bom levar agasalho e algodão doce" me aconselhou o vendedor de bilhetes. 
Ah! esqueci de contar. Ele é um hipopótamo bem velhinho. 
Está há muitos anos nesta função: vendedor de passagens de balão. 
Se quiser vir comigo ainda dá tempo. Agorinha ele disse que tem muitas vagas. 
Quase ninguém mais quer voar de balão. As pessoas andam muito sem tempo. 

Sabrina Davanzo 




3 de mar. de 2009

sobre as pessoas

Tem gente que é assim que nem peninha branca voando 
num dia de sol quentinho e céu com nuvem de algodão. 
Tão bonito de se ver.É suave, delicado. 
É. Tem gente que traz essa paz de peninha bricando com o vento. 

Sabrina Davanzo 

Uma amiga



E sua melhor amiga é uma estrelinha que vive em seu quarto. 
Caiu do céu bem ali. 
Seu sorriso é luzinha prateada na imensidão da noite. 
De manhã a estrelinha é só uma almofada macia de braços abertos para lhe receber. 
Esperta essa amiga! Ela bem sabe que com céu azul anil estrela tem de ficar escondidinha. 
Então, ela se faz de almofada macia. 

Sabrina Davanzo