12 de dez de 2011

Se você quer saber...



Eu estou tentando me adaptar aos nãos, procurando um sim entre as pedras que atravessam o meu caminho.
Tenho buscado força no único lugar onde eu sei que ela jamais vai deixar de existir: dentro de mim.
Alguns dias parecem ter vinte e quatro horas vezes dez; e outros, dezesseis.
Na maior parte do tempo chove, mas eu vou continuar olhando a previsão, esperando pelo tempo bom.
Desisti dos milagres. Não vou fazer planos para o ano novo, nem me impor resoluções. O plano é deixar as coisas acontecerem.
Chega de listas que em dezembro só provam que não fui capaz de cumpri-las. Não quero limitar meus sonhos, encolhê-los para que caibam em doze meses.
Não. Eu quero a liberdade de fracassar, de não ter tempo, nem dinheiro, nem vontade de fazer o que devia ter feito e não me sentir culpada por isso.
Eu quero exercer o meu direito de deixar a vida me surpreender.
Que venha a dor, o medo, o amor, a alegria, a paz. Eu serei sempre a mesma, as situações é que mudarão. Isso eu já aprendi.

Sabrina Davanzo


21 de nov de 2011

Pausa para conversa e jabá

Pessoas queridas,
Perdoem o meu sumiço. Andei ocupada com o trabalho e com o coração. Precisei dar uma pausa, mais longa desta vez, mas estou de volta. Eu sempre volto!

Aí embaixo já tem um post novo! = )


Aproveitando essa conversinha rápida, vou deixar aqui neste post, e depois ali no cantinho do blog, o link para o meu portfólio. Não sei se todos sabem, mas eu sou redatora publicitária. Trabalho em uma agência aqui em BH, mas estou procurando uns freelas também. É isso!

É só clicar aqui: Eu Redatora

Obrigada pela paciência e pela preferência.


Sabrina Davanzo


Sobre não desistir de buscar



Tenho pensado bastante sobre a vida ser uma questão de se aconchegar. Tudo o que a gente quer é estar confortável no emprego, na casa que a gente vive (seja ela grande ou pequena), com as pessoas que gostamos ao nosso redor.
É para ficar à vontade que a gente pinta o cabelo, faz tatuagem, opera o nariz. É por isso que mudamos de emprego, compramos quadros, fazemos textura na parede. Tudo é uma questão de nos aceitar e ajeitar o que temos para encontrarmos o nosso lugar (ele existe mesmo?) e podermos relaxar.
É por causa dessa zona de conforto que a gente não para de se mexer. É como fazer uma longa viagem de ônibus. Até chegar ao destino, tentamos encontrar uma posição para repousar. Seguramos o rosto com o cotovelo, fazemos o casaco de travesseiro, encostamos a cabeça no vidro (ah! a janela!). Dormimos no máximo uns dez minutos em cada posição e logo somos despertados pelos incômodos das câimbras, do aperto, do desajeito.
E começa tudo outra vez. É assim até a viagem chegar ao fim.
Desconfio que acontece o mesmo com a vida: há o tempo de descansar e de movimentar, apesar de passarmos uma boa parte dos dias buscando o conforto eterno, a imobilidade. Esperamos ansiosamente pela hora de aquietar com alguém, em um bom emprego, na casa dos nossos sonhos, mas eu temo que quando estivermos diante disso é porque a vida chegou ao final. Sempre vai existir um incômodo. Enquanto o ar entra e sai dos nossos pulmões, é impossível ficar parado.

Sabrina Davanzo

13 de out de 2011

Deve ser por isso..


- Então ela me perguntou: Por quê? Por quê? POR QUÊ?
- E eu lhe respondi: Sinceramente? Não sei! Mas, aconteça o que acontecer, não olhe para trás. Não dê ouvidos e, principalmente, não deixe ele perceber que ainda a faz tremer.

-E o que ela achou disso?
- Deu de ombros. E me perguntou de que adianta ele não saber se ELA sabe. Ela queria não saber de nada disso também.
- Você tem ideia de por que essas coisas acontecem?
- Acho que é porque o tempo é meio como você.... Devagar. Demora muito para fazer as pessoas se afastarem umas das outras.
- Mas eu não pertubo...
- O que não quer dizer que não está lá, traçando o seu caminho e, invarialvemente, cruzando o de alguém que não o quer por perto.

Sabrina Davanzo


7 de out de 2011

Notícias de mim



Estou sumida porque ultimamente tenho me encontrado apenas nos livros de autores desconhecidos e conversas triviais.
Minha vida anda como aqueles copos cheios de afeto que alguém serve a uma pessoa num momento desespero: água com açúcar. É doce, mas ao mesmo tempo, sem graça.
Vai tudo bem com a minha família, com o meu trabalho, com o edredom macio que durmo todas as noites e com o café da manhã que eu tomo todos os dias. Minha saúde nunca esteve melhor. E, veja só! Essa calmaria quase me mata! Porque eu aprendi que paz é estar diante de um mar sereno, brisa leve, pés descalços na areia. Talvez paz até possa ser uma casinha simples, com varanda, no meio do mato e um riacho ao fundo ou quem sabe descansar em uma banheira de espuma ouvindo jazz. Essa paz aqui é estranha, não estou acostumada a essa coisa que se parece com um breve espaço entre uma decepção e outra. Uma euforia e outra. Uma conquista e outra.
Eu estou feliz de um modo que não sairia nas manchetes dos grandes jornais. É sem alarde. Quase imperceptivelmente feliz.
Nesse momento, você está pensando que eu reclamo de barriga cheia. Há as pessoas que não têm família, nem emprego, muito menos o café da manhã. Há aquelas pessoas na África que caminham quilômetros, debaixo de um sol escaldante, à procura de um mísero copo de água imunda (engraçado como que, pelo menos nas reportagens da TV, nunca as vemos reclamar dessa situação. Elas apenas se conformam) quando eu estou paz. Eu deveria estar radiante - você exclama. Talvez eu não esteja porque nunca acreditei que a paz viria assim, de graça (há aquelas histórias emocionantes sobre lutar por ela, lembra-se?). Estou surpresa.
Não quero que você pense que estou triste, apesar dessas palavras soarem como uma lamentação. Eu estou bem, só essa conformidade com o "está tudo certo - as coisas vão acontecer no tempo delas" que me deixa desconfiada.
Mas, se isso te tranquiliza, estou aproveitando o coração vazio e a cabeça aliviada para respirar amenidades. Tenho falado da vida dos artistas, pesquisado os próximos lançamentos do cinema, feito aulas de espanhol e comido mais salada. Descobri que adoro alface e já não tenho mais gastura ao ver a beterraba colorir o arroz. Tudo isso só aconteceu porque eu não tenho me ocupado de mais nada, pois nada me aflige.
E agora, me faça um favor. Para o caso de eu jamais viver outro momento de lucidez e plenitude como esse, espalhe pela casa bilhetes dizendo: "Sim. a paz existe e você a conheceu".

Sabrina Davanzo



15 de set de 2011

Aprende...


Aprenda de uma vez que tem coisas que acabam para sempre como se fosse proibido seguir em frente com elas.
No inicío, você quer espernear no meio da praça e pensa a cada maldito segundo na situação, entrando numa espécie de obsessão. Até cogita a ideia de desistir porque é bem capaz que você não aguente passar por isso.
Aí um dia, sem aviso prévio, você acorda e a coisa toda já esfriou. Você não chega a esquecer, mas lida com a história como se ela fosse um vaso no canto da sala que não incomoda ninguém.
O "para sempre" acontece enquanto você segue com a sua vida. Você sobrevive. E quer saber? Vai sobreviver sempre a todas essas coisas de pessoas e situações que não deram certo. Eu não estou aqui?
Vai passar, menina e tem mais: você acostuma, amadurece.

Então, agora relaxa! Aproveita que você não tem escolha e abre essa mão, desocupa o coração. Solta desse abraço e deixa ir de uma vez. Para que atrasar o que vai partir de qualquer jeito?

Sabrina Davanzo


6 de set de 2011

(...)



É bonito quando chega o momento em que não existe mais nada para ser dito.
Ou é ou não é. Ou ata ou desata.
Sem esforço. Sem nenhum contragosto.
A vida decide de graça o que vai ser sem que ninguém precise pagar uma alta dose emocional por isso.



Sabrina Davanzo

a.c



Quando eu parar de me impor torturas medievais
em nome de esperanças frustradas,
minha pele (finalmente) conhecerá o significado de paz.


Sabrina Davanzo





1 de set de 2011

Notas 2


Um bom clichê tem o seu lugar.

...

Eu ficaria feliz se hoje, de repente, fosse decretado "Dia Internacional do Moleton" e todo mundo fosse obrigado a vestir roupas confortáveis, quentinhas e fofas.

...


Sabrina Davanzo

30 de ago de 2011

Relógio



Efeito anti-horário:
Quanto mais o tempo passa,
mais a sua ausência se faz presente.

Sabrina Davanzo

26 de ago de 2011

Em outro canto



Meninos e meninas,
Hoje tem um conto meu lá na página do Eu Amo Escrever. Corre lá e, se você gostar, vote em mim!

O conto é esse aqui: Sobre a Realidade

ps: para votar, clique nos coraçõezinhos abaixo do título.


Obrigada!

;)



22 de ago de 2011

Notas


Não insista nos amores impossíveis. O próprio nome diz que você nunca irá conseguir.
...
Tente não fazer tempestade com os raios que caem sobre a sua cabeça.
....
Espere, pacientemente, por cada uma das estações. A fruta colhida antes do tempo não tem sabor agradável.
...
A relatividade do tempo varia entre a vida de uma rosa e a idade de uma pedra.
Sabrina Davanzo

12 de ago de 2011

Sobre aceitação


Era um roteiro todo amarradinho, escrito com coerência e certezas, quando a vida chegou e fez um vendaval. As folhas, abraçadinhas ao vento, se deixaram levar. Os papéis foram invertidos e as letras embaralhadas.
O que acontece com uma história quando seu capítulo é cortado ao meio? É possível retomar do ponto que nunca se quis parar?
Meus personagens sofreram uma conspiração do universo quando, inocente, acreditei que poderia colocar o destino em suas mãos. Eu tentei escrever a história do meu jeito e então foi tudo pelos ares, não tive tempo nem de ler as entrelinhas.
Enquanto cobria os olhos para me proteger da bagunça que o vento fazia, ouvia as pessoas dizerem: "Ele sabe o que faz!" e eu gritava em resposta: histórias estão sempre ao sabor do vento e, às vezes, ele é amargo.

Sabrina Davanzo

8 de ago de 2011

Ocupado


Enquanto caço afazeres desnecessários
para entulhar a minha cabeça e não pensar em você,
meu coração se ocupa com uma única tarefa:
sentir a sua ausência.


Sabrina Davanzo

28 de jul de 2011

Aviso




Vontade de instalar uma plaquinha aqui do lado do coração:
Cuidado ao entrar! Você pode me machucar.

Sabrina Davanzo


24 de jul de 2011



Dorme cheia de convicções.
Acorda com incertezas.
Masca dúvidas o dia inteiro.
À noite, sabe direitinho o que quer.
Dorme cheia de convic....

Sabrina Davanzo


20 de jul de 2011

Pra...


Pra sarar
Pra esfriar
Pro vento levar
: assopre


Sabrina Davanzo

19 de jul de 2011

Silêncio

Tenho preferido os silêncios.
Depois de tanto falar o que devo, o que não quero... experimento me calar.
Agora, quero essa espécie de mudez consentida por fora e por dentro.
Chega de gritar aos quatro ventos o que foge dos meus pensamentos.
Chega de falar como especialista. Confesso: eu não sei nada. Sobre nada.
Estou em silêncio para ouvir o nada que está sendo dito pelos outros.
Quero ser vácuo, onde o som não se propaga.
Cansei de ecoar as coisas que eu não entendo.

No silêncio, (eu estou aprendendo) mora a paz.
Nas palavras não ditas se escondem os mistérios.

Eu não sei nada.
É delírio falar enquanto se está sonhando.
É quase um pecado.
Vou deixar o sonho vir e contar a sua história.

Depois eu falo. Ou não.
Tenho perdido a vontade de falar.
Tenho preferido os silêncios.

Sabrina Davanzo

10 de jul de 2011

Passo a passo


Lição número 2 para ser feliz de verdade:

se você precisa correr atrás para estar com ele (a), desista.
O amor não é uma maratona.
As pessoas que se gostam se esperam
ou estão exatamente no mesmo lugar.


Sabrina Davanzo

Do lado de fora


Vez em quando a vida, alguém ou até a gente mesmo fecha uma porta e depois, por insegurança, medo, fraqueza (ou muito provavelmente tudo isso junto) voltamos para conferir se está realmente trancada ou se existe a possibilidade de entrarmos de novo e continuarmos ali, jogados no sofá (acomodados).
Encontrar a porta fechada é doloroso, mas é reconfortante também. É um alívio saber que não há mais nada a fazer a não ser ir embora sem o menor receio de estar deixando algo para ser vivido.
Uma porta fechada significa que é hora de encontrar outra aberta. Significa uma oportunidade de viver outras coisas, de adentrar outros cômodos. É a certeza de que deve-se esquecer as chaves extras, não tocar a campainha insistentemente.
Com a porta trancada, a gente pode ir sem dor e cheio de coragem. Nossas lembranças estarão guardadas para sempre do lado de dentro e lá fora os postes iluminam quem sai em busca de um lugar para ser bem-vindo. As ruas estão cheias de pessoas que desceram as escadas sem olhar para trás.
Há portas abrindo e fechando o tempo todo e, em algum momento, uma casa aconchegante vai estar de portas abertas nos convidando a entrar.

Sabrina Davanzo


7 de jul de 2011

Passo a passo



Lição número 1 para ser feliz de verdade:
pare de achar que coisas mais ou menos são boas.
Pessoas, sentimentos mais ou menos serão sempre mais ou menos.
O que é bom nasce bom.


Sabrina Davanzo

5 de jul de 2011

Nome



A vida deveria se chamar montanha russa. Ou o contrário.


Sabrina Davanzo

Invenção

A gente (sempre) se reinventa
quando descobre o que fazer com o que sobrou de nós
depois que outro foi embora.


Sabrina Davanzo

27 de jun de 2011

Lição

A vida é um teste.
Sem cola.
Sem perguntas óbvias.
Sem respostas fáceis.
Sem que a gente tenha a chance de aprender a matéria antes.
E não pode perder a calma.
E tem que fazer o que sabe.
E tem que terminar a tempo.
E tem que sorrir quando acabar.

Sabrina Davanzo

22 de jun de 2011

Sobre não esperar por ninguém


Para Gabi, Jéssica, Lili e Paloma:



De todas as coisas que foram ditas,
a mais importante ficou sufocada nas entrelinhas:
a gente não sabe o que vai ser e, apesar do amor que existe,
a cada uma só cabe contar com a própria metade.



Sabrina Davanzo

Descoberta




Por trás dos meus olhos
existe um mundo enlouquecedor
que eu não ouso
desvendar.

Sabrina Davanzo

8 de jun de 2011

Faz de conta


Realidade é a gente que inventa. A gente pode brincar que é feliz e fica sendo. Igual quando se dedilha uma canção... quem faz o som senão as nossas próprias mãos?
A gente é capaz de fazer nuvem da poeira e nem sabe... só precisa levantar e sacudir.
A gente traz no peito uma máquina que fabrica sonhos só nossos, mas a máquina não funciona se a gente não der corda e emperra se a gente não usa.
E Deus lá criaria alguma coisa sem utilidade?
Tem que sonhar, tem que querer.
Eu sempre quero e aprendi a fazer colar com as lágrimas que caem quando um sonho sai meio torto. O sonho eu levo de volta para a forma, pra ver se ganha outro molde, e o colar eu penduro no pescoço que é pra tristeza ficar bonita.


Sabrina Davanzo


7 de jun de 2011

Significado




Esperança é quando a gente tem um guarda-chuva colorido
para usar nos dias de tempestade.


Sabrina Davanzo



6 de jun de 2011

Pra quem é de qualquer lugar

Vale a pena conferir o trabalho lindo da Designer Fabrícia Batista (tem ilustrações fofas que vou começar a "roubar" para o Inverso = D ).

Clica aqui: www.fabriciabatista.com.br



Sabrina Davanzo

3 de jun de 2011

Conversa

Sentir, entender, aceitar.
Vez em quando é tão difícil. Eu tenho mania de explicação.
No fim, eu sempre te obedeço, mas como eu fujo dessa hora. Deve ser por isso que dói por dentro.
Dizem que você sempre compreende.
Tem certeza que tá aí me vigiando o tempo todo? Eu olho para cima e não te acho. Não consigo te ver.
Em que estrela você mora?
E se eu te pedir para esperar só mais um pouco (tenha paciência comigo)?
Ainda não sei o que fazer... por enquanto eu vou ficando...
Aparece e conversa comigo?
Você sabe de tudo, você sabe de mim.
Preciso de você.

Sabrina Davanzo

29 de mai de 2011

Fim




E quando a história acaba,
mas a gente esquece de fechar o livro e guardar na estante?



Sabrina Davanzo

26 de mai de 2011



Ponto final

Obstáculo que impede que as palavras sigam em frente
e continuem narrando uma história.


Sabrina Davanzo

22 de mai de 2011

Sem sentido



ver e não enxergar
escutar e não ouvir
tocar e não sentir
falar e não dizer
por que meus sentidos me traem?

Sabrina Davanzo


19 de mai de 2011

Ainda não


Diante da possibilidade de ter, aos 28 anos, uma casa própria, em um lugar previamente estabelecido, me pego pensando: não quero me condenar a viver aqui para sempre. Ainda tenho muito o que andar até encontrar um lugar para morar.

Sabrina Davanzo

Aceita?



A gente pode tomar um café.
Tomar um avião e ir pra Paquetá (nem sei se é brega, mas vá lá...). Vai que dá?

Não se faça de difícil não.
Vem, toma minha mão e me leva pra qualquer lugar.
Eu sei que pode ser irrelevante o que eu sinto nesse momento,
mas é importante (pelo menos para mim) que você saiba que eu não sou sempre assim,
não costumo me oferecer. É que eu to querendo mesmo você.

Diz que sim? Será um prazer.

Sabrina Davanzo

*Inspirado em um Job aqui da agência = )

15 de mai de 2011

Suspeita


Às vezes, no auge das minhas preocupações e ansiedades, eu gosto de pensar que Deus, sentado em sua cadeira grande e confortável no céu, olha para mim aqui embaixo, sorri e diz baixinho:
- tsc, tsc, tsc. Sua boba, você não sabe de nada.
Tomara mesmo que eu não saiba e que os seus planos sejam maiores do que as minhas perspectivas. Eu não quero entender, só quero confiar que cada coisa acontece no tempo e do jeito certo para que eu possa viver plenamente.


(Amém)

Sabrina Davanzo



À deriva


Tem dias que o barco vira e a gente cai em pleno mar, sem saber nadar.
Os braços tentam se agarrar às ondas, os pés tentam encontrar a terra firme. É pouco fôlego e muita água num lugar que de vazio não tem nada. O mar é cheio, tão cheio que engole a gente com medo e tudo.
O mar revira os cabelos, arranca a roupa com violência. Expõe nossa nudez diante de quem está seguro na areia. E quem é que vem nos salvar? Ninguém se arrisca... o mar é traiçoeiro.
A gente torce por um milagre, torce para sair nadando na marra, fecha os olhos para não enxergar o que existe no fundo e bate os braços. A gente não para de bater. Nunca. Até o fim.


Sabrina Davanzo



13 de mai de 2011

Estado Sólido



A leveza das borboletas.
A capacidade dos girassóis de se voltarem para a luz.
O bumbum dos vagalumes que ilumina a escuridão.
As abelhas e formigas que se relacionam sem se afetarem.
A cambalhota - mecanismo de defesa - do tatu bola.
Tem vontade de ser qualquer coisa menos humana (limitada) quando se detém nas espertezas do universo.
Tem vontade de ser outra menos preocupada com o que está por dentro e mais conectada com o que há por fora.
Ás vezes, é tanta nunvem que parece que o sol desistiu e foi embora. Quando é assim, ela ouve a musiquinha que fica tocando lá onde está guardado o coração. Um ritmo macio (tum tum - tum tum - tum tum) canta que "se o sol não vier hoje outro dia ele vem.... lalala.. outro dia ele vem. Não fique triste, meu bem."

Sabrina Davanzo

12 de mai de 2011

Premonição


Pode ser um arrepio, um calafrio percorrendo a espinha. Pode ser uma espécie de sussurro ou o piscar de uma luz na escuridão.
É um estalo no meio da tranquilidade. Discreto. Quase imperceptível.
Tem que estar atento para percebê-lo. Tem que querer entender o que o recado quer dizer. Ele acontece, não é lenda. Quase sempre a gente recebe avisos de quando não é para ser, de quando a gente não deve se meter.
E quem é que quer ouvir? Nessas horas a gente é surdo, cego, insensível.
"Depois não diga que eu não avisei". Mas a gente diz. Diz porque alguém tem que levar a culpa por nossa persistência, mesmo sabendo que não era para agir assim.
Talvez se tivesse sido gritado para mim... Assim discreto, de leve, não acreditei, não aceitei. Fingi que não ouvi as batidas na porta, enquanto no rádio tocava a canção que eu escolhi e que me dizia para ir além.
Mas você veio me avisar...
Ah, premonição! Infelizmente, eu já deveria saber que você custa falhar! Você é certeza de tombo com placa em letras garrafais: cuidado! Piso Escorregadio!

Sabrina Davanzo


3 de mai de 2011

Verbo

Para ouvir lendo: clock


E se eu viajasse?

E se eu (não) fugisse?
E se eu (não) ficasse?
E se eu dormisse?
E se eu (não) me escondesse?
E se eu não ligasse?
E se eu escolhesse?
E se não?
E se eu (não) falasse?
E se eu corresse?
E se eu (não) aceitasse?
E se?
E se eu me entregasse?
E se eu não engolisse?
E se eu não (me) respeitasse?
E se eu (não) duvidasse?
E se eu amasse?
E se não?
E se eu acreditasse?
E se eu (não) fosse?
E se eu desistisse?
E se?
não
Verbo é ação. Eu sou feita de verbos.
Todo verbo implica a existência de um tempo que define para sempre o que será pretérito (perfeito ou não) e o que será o futuro. O presente é uma decisão.
Embora me custem um pouco de alma para serem conjugados, não fossem eles talvez eu nem vivesse.


Sabrina Davanzo

2 de mai de 2011

Perdas



Reconhecer a derrota também é uma forma de vencer.
Estou exausta por ter insistido tanto... Perdi.
Entrego os pontos com uma sensação de que foi ridículo ter tentado,

ter usado todas as armas que eu tinha, ter me exposto tanto.
Mas eu nunca saberia...

Você venceu, destino.
Vou me retirar, preciso me preparar para a próxima batalha.



Sabrina Davanzo

29 de abr de 2011

Cárcere


Gaiolas,
por mais bonitas, espaçosas,
coloridas e confortáveis que sejam,
são sempre prisões.

A gente deveria parar de acumulá-las nas paredes da alma,
encarcerando sentimentos e pessoas.

Vive mais feliz o coração que pode,
a qualquer momento,
alçar voos e pousar onde quiser.
É sempre mais doce e sereno
o que cresce sem limitações.

Deixa vir..
Deixa partir quando chegar a hora...


Sabrina Davanzo

27 de abr de 2011

Na pele


Se eu soubesse como não me deixar consumir por qualquer coisa, eu seria mais inteira. Sempre coloco um peso que não posso suportar nas situações e me despedaço. Queria não me importar tanto porque no fim acontece o que tem de acontecer, independente das minhas vontades. E isso também passa.
Queria me impressionar só com o que vale a pena, gastar mais meu tempo com as coisas possíveis, com a felicidade real, e menos com as suposições.
Estou sempre tão preocupada com as respostas que esqueço de contemplar as perguntas e acabo não sabendo nem o que buscar. Perdida entre o que está por vir e o que ficou para trás, não aproveito o presente. As conexões me roubam a atenção, enquanto eu deveria apreciar o destino para onde elas me conduzem.
Falta equilibrio, sobra frustração. Eu vivo elevada ao quadrado, à máxima potência de sentimentos.
Descubro em minha própria pele que sofre mais quem se entrega e se apega. Eu sofro.


Sabrina Davanzo

26 de abr de 2011

Expectativa




E acabou sendo melhor do que esperava porque, afinal, não esperava nada.


Sabrina Davanzo


19 de abr de 2011

Imortal



E descobriu que o amor, por ser nobre, não morre.
Apenas adormece (às vezes, para sempre).


Sabrina Davanzo

18 de abr de 2011


Ela tem uma fé inabalável. Em meio a tantos desvios, erros e desilusões, essa fé continua acesa, afirmando que ainda dá para continuar.
Essa fé é uma mistura de força interior e inspiração divina, tem algo de sagrado que imortaliza a esperança e a torna um pouco heroína invencível. É uma energia renovadora que vem do coração, da mente, de cada célula do seu corpo cansado de lutar e faz milagres, move montanhas.
São inúmeras as quedas e as vezes em que o adversário tem super poderes maiores que os dela. Mas ela é meio que protegida do destino, o bem está do seu lado (ou seria ela que está do lado dele?).
A fé dela é um pensamento positivo e inspirador que traz ânimo ao espírito, claridade aos pensamentos, leveza para escolher novas formas de combater os obstáculos.
Que ela nunca perca essa fé. Que nada nem ninguém seja capaz de apagar essa chama que a liga à fonte da vida, que a faz ter esperança de que tudo muda e ela pode vencer.
"Nunca houve uma noite ou um problema que pudesse derrotar o nascer do sol ou a esperança"
Sabrina Davanzo

7 de abr de 2011

Quando


Só quando ela não esperar mais nada

quando estiver livre de qualquer interesse
quando tiver certeza de que estará salva
quando sentir que acabou
terá coragem de se aproximar
Vez em quando ela queria estar pronta
(seria essa vontade uma prova de que não se recuperou?)
Para em seguida não querer estar
(só para não ter que encarar?)
Existem duas possibilidades:
Descobrir que passou
Perceber que não terminou
Ela gosta de nunca mais
Mas também acha bonito o quem sabe um dia

Sabrina Davanzo


6 de abr de 2011

Explicação



Duas coisas que ela não entende:
como alguém pode não gostar de sorvete napolitano
e como um príncipe, de repente, se transforma num monstro bobão.

Sabrina Davanzo




31 de mar de 2011

Sem saída



Estou contra a parede dos meus próprios sentimentos.
Uma parte de mim quer ficar longe de você,
pois corre o risco de se apaixonar e não ser correspondida.
A outra quer estar com você custe o que custar.

Sabrina Davanzo

25 de mar de 2011

Conselho




Sempre que for tomar alguma decisão,
pare e pergunte a si mesmo: "eu posso me arrepender disso?"

Se a resposta for sim, não siga em frente.


Sabrina Davanzo



23 de mar de 2011

Agridoce

Visto o meu melhor vestido e calço o meu sapato mais confortável para participar de um banquete.
Por não saber como será essa festa, dá vontade de ficar em casa. Mas seu eu ficar o que é que vou ter para contar? É preciso ir e experimentar os doces e salgados. Os líquidos e os sólidos. Se alguma comida não me agradar, sempre dá para andar pelo salão e conhecer os outros convidados, dançar alguma música.
Tem que ter boa vontade. Tenho aprendido que nada é de tudo ruim e que é por isso que existe o agridoce. Para os indecisos. Para não ser tão trágico, nem maravilhosamente emocionante.
Há que se ter um equilíbrio e esse é o motivo do banquete. Eu me sirvo como bem entender.
Cuido-me para não estragar o penteado, sujar o vestido. Nunca se sabe quando alguém está para chegar. Há atrasados que nos chegam nas piores horas, é bom estar preparada.
Meu convite vale para uma vida inteira e eu só vou embora quando me cansar. Quando já tiver provado de tudo. Repetidas vezes.


Sabrina Davanzo

Teoria das relações



. . .

Eu fico sozinha.

Eu aprendo a estar sozinha.

Eu gosto da minha companhia.

Você aparece.

Eu continuo gostando de estar sozinha.

Você é gentil e divertido.

Eu acredito em você.

Eu quero estar com você.

Eu não quero mais estar sozinha.

Você vai embora.

Eu fico sozinha.

Eu aprendo a estar sozinha.

Eu gosto da minha companhia.

Outro você aparece.

Eu continuo gostando de estar sozinha.

O outro você é gentil e divertido.

Eu acredito no outro você.

Eu quero estar com o outro você.

Eu não quero mais estar sozinha.

O outro você vai embora.

Eu fico sozinha.

. . .

. . .

Outro aparece.

. . .

. . .

Outro vai embora.

. . .

. . .

Eu acredito.

. . .

. . .

Eu fico sozinha.

. . .

. . .

Eu não quero mais estar sozinha.

. . .

Outro aparece.

. . .

. . .

. . .

Eu fico sozinha.


Sabrina Davanzo



18 de mar de 2011

Sincero

A sinceridade pode ser, algumas vezes,
uma bofetada na cara dos sonhos.

Pode ser aquela pedra amarrada na ponta da corda
que faz peso para o balão não sair do chão.

Se a verdade que você queria ouvir é irreal demais,
a sinceridade acaba doendo mais que uma mentira.

Ainda existe gente sincera.
Mas também ainda existe gente que quer voar.


Sabrina Davanzo

Limbo



Acho que todo mundo tem um pouquinho de medo de amar
porque amar é deixar-se enlouquecer conscientemente.
Um amor abortado é aquele em que por infinitas razões essa entrega não foi consentida.
Esse passa a ser um quase-amor
e vaga para sempre no limbo com a estigma de "poderia ter sido".


Sabrina Davanzo

16 de mar de 2011

Confesso


Tive um problema sério com umas borboletas no estômago
que subiram para a cabeça
e tomaram conta da minha razão.
Encantada pelas cores que borboletavam ao seu redor,
essa que deveria cuidar de mim, não dava conta nem dela.
Tomei uma solução drástica:
Infelizmente, cacei as borboletas.
Tem horas que o crime mais grave
é permitir que a consciência tire os pés do chão.


Sabrina Davanzo

Fica




Se for para chegar, chegue com vontade de ficar.

Sabrina Davanzo

15 de mar de 2011

Bagagem



Pudesse eu encontrar a solução para teus problemas caída por aí, a traria logo para tuas mãos. Mas acontece que essa é uma tarefa pessoal e intrasferível, o máximo que posso fazer é estar ao seu lado durante a busca.

Posso oferecer luz quando a noite chegar e trazer um pouco de conforto quando o cansaço tomar conta do teu corpo.
Você sabe que é durante essa tentativa de encontrar a solução que você vai crescer não sabe?
É bem aí que você vai descobrir a força que tem e a sua capacidade de se superar.
Eu sei que você não vai desistir, fechar os olhos é pior...
Considere isso um teste para a próxima fase, você precisa se preparar.
Na sua mala tem tudo o que precisa: você leva as melhores vibrações e o carinho de todos aqueles que te amam e torcem por você.

Sabrina Davanzo

11 de mar de 2011

Estou aqui



Para Fran - minha amiga, minha irmã


Amiga,

Estou aqui tentando entender por que é que essas coisas acontecem...
Eu lembro de quando a gente era nova, sentada na calçada falando da vida. Quem diria que a vida iria maltratar vocês assim... a gente era tão feliz.
Nós fomos criadas com tanto amor, com tanto cuidado, mas alguma coisa deu errado para eles e eu não sei dizer o que.
Algumas pessoas sabem lidar melhor que as outras com as perdas, com os nãos, com as dores.
A gente era tão imatura... encarou tudo do jeito que deu... e deu. Olha a gente aqui para provar. Mas para eles alguma coisa não se encaixou diante da doença da sua mãe, do abandono do seu pai, da ausência do que antes era fartura.
Por que é que a gente não percebeu que as coisas iriam acabar assim? Acho que é porque, embora tenham cometidos erros graves, eles são como a gente, são seu sangue. Não dá para acreditar que alguém entre nós terá coragem de libertar seu monstro interior.
Já vi muitas brigas de vocês, já vi ele com o pé quebrado, ela com o rosto cheio de pontos, já vi o desespero da sua mãe, já vi as reclamações de todos, mas não estava preparada para ver o desenrolar dessa história.
Em toda a minha vida, nunca estive tão próxima de uma situação como essa. É coisa de televisão. E lá, na tela, quando via, achava um absurdo as pessoas se preocuparem com quem cometeu o crime, quando quem estava sofrendo era a família da vítima. Eu sinto pena deles. Sei que eles podem ser bons, como foram antes desse pesadelo começar. Hoje descobri que não existe culpados. Todos somos vítimas. Vítimas das injustiças da vida que nos conduzem por caminhos que nem sempre são os melhores para nós. Quando foi que tudo começou, amiga? A gente era tão jovem para se dar conta de quão fundo o poço poderia ser... Eu não entendo... ela e ele tiveram as mesmas chances que você. Por quê?
De repente eles começaram a levar uma vida tão obscura que era demais para nossa imaginação. Eu dei aula pra eles de verdade, lembra? Você deu aula de mentirinha na escolinha que você montou na antiga casa da sua vó... parece que eles não aprenderam nada...
O que sua mãe fez para merecer ver os filhos padecerem dessa forma?
Apesar das estatísticas e dos exemplos diários de que pessoas que comentem crimes dificilmente se regeneram, não quero acreditar que para eles acabou. Talvez agora, cada um em sua cela, possam lembrar das tardes que a gente brincava e que eles eram "café com leite". Ela ainda tem o mesmo sorriso, amiga...
Todo caminho tem volta? Eu não sei.. eles é que vão poder nos dizer.
Talvez eles tivessem que passar por isso. De alguma forma a vida foi tecendo cada detalhe para que tudo isso acontecesse. Eu lembro da gente tentando ser feliz com todos os poréns. Eu lembro da gente na caminhonete, lembro de quando eles viraram adultos antes de nós, que somos mais velhas.
Queria voltar no tempo, amiga. Queria que sua mãe nunca tivesse ficado doente, que seus irmãos não tivessem deixado a escola, que você tivesse menos responsabilidades tão jovem. Queria ter presenciado outra história...
Sua irmã teve um filho antes de nós, amiga. As coisas para eles sempre foram precoces, até a dor. A gente nunca entendeu porque para os dois as fatalidades pesaram tanto. Mas a gente sabe que não é fácil ter os armários vazios, a casa vazia e o peito cheio cheio de tormenta.
Não sei se foram as amizades, se fomos nós, se foram as drogas, só sei que desde muito cedo eles se enveredaram por caminhos tão difíceis que a gente não tinha coragem de percorrer para ir buscá-los. Talvez nem adiantasse... porque o que tem de ser, tem força.
Hoje vocês estão vivendo o outro lado, amiga e pela nossa proximidade também estou vivendo um pouco. E quanto aos dois... eram crianças quando tudo começou. Quando essa história começou a ser contada, eles mal sabiam ler. Hoje eles são mais vividos que nós e trazem o peso de seus crimes nas mãos. Olha isso, amiga: crime. Que pesado.. a gente não imaginava...
Acho que aqui não existe culpados. Não é o seu pai, o fato de sua mãe não ter podido ser mais presente, ou você...
E depois de tudo, ela ainda tem o mesmo sorriso... Que Deus esteja com vocês, com eles e com todas as famílias que passam pelo mesmo problema.

PS: A e A são um casal de gêmeos que cresceram comigo, são parte da minha família. Cedo demais eles experimentaram muitas perdas e para fugir do peso delas experimentaram as drogas. Hoje, com 19 anos, ele está preso por tráfico, depois de já ter esfaqueado uma pessoa, e ela acaba de ser presa por participar do assassinato de um traficante.


Sabrina Davanzo

10 de mar de 2011

Lembranças

Posso dizer, sem o menor receio, que aquele medo de sair à rua passou.
Tenho gostado da minha companhia e tido mais paciência com as minhas falhas.
Descobri o prazer de me apaixonar pelos momentos e não pelas pessoas. E já foram tantas paixões...
Quanta coisa já vivi depois de achar que fosse morrer...
Ontem fui à praia e o mar estava calmo, como eu tenho tentado ser desde então. Deixei que toda aquela água fria cercasse meu corpo morno e depois fiquei observando as partículas de sal grudadas à pele, porque sempre fica uma lembrança, independente da intesidade do contato.
O dia não estava tão claro, como algumas coisas também ainda não estão, mas entre uma nuvem e outra havia os raios de sol. Eu sabia que eles estavam lá, igual a essa felicidade que não precisa de motivo para existir que eu tenho sentido.
Caminhei pela areia na companhia de pensamentos leves... Diante daquela imensidão, me dei conta de como o tempo voou. Eu estou cada dia mais madura e sem certeza de nada. Isso é o que tem me movido. Tivesse eu todas as respostas, não havia mais necessidade de continuar.
Vez em quando a vontade de acelerar o passo, sair correndo me assalta, mas percebo logo e trato de prendê-la à realidade dos acontecimentos.
Meu coração está aprendendo a amar de forma pura e serena. Eu estou sã e salva.

Sabrina Davanzo

23 de fev de 2011

Sobre abrir mão



Para ser leve, tive que desfazer do que havia de mais pesado em mim:
minhas vontades.
Só quando deixei de me agarrar desesperadamente às coisas que queria ter sem poder é que conseguir voar.


Sabrina Davanzo


21 de fev de 2011

Doida



Os manicômios estão cheios de pessoas que tentaram ignorar seus abismos, por isso que eu me permito ser um pouco insana na hora de encarar essa loucura que é viver.

Sabrina Davanzo

17 de fev de 2011

Verdade


Para mim, é inaceitável que um ser humano tenha coragem de usar, iludir, seduzir o outro em proveito de suas próprias fantasias.
Desculpem-me os insensíveis, mas eu acredito na entrega, no toque. Na experiência fantástica de se relacionar com alguém com o coração livre de qualquer segunda intenção.
É um pouco doloroso perceber que nem todos são iguais e que há sim pessoas capazes de alimentar emoções que não correspondem aos seus sentimentos reais.
Nós humanos deveríamos ser todos iguais, mas existe aí, espalhados por nossos círculos sociais, aqueles que não merecem um minuto da nossa atenção e motivam nossas decepções.
É uma pena. O mundo anda cada vez mais necessitado de transparência e tudo o que as pessoas fazem é esconderem-se nas sombras dos seus pensamentos egoístas.
O amor, o respeito e o afeto viraram um jogo, uma aposta. Banalizaram os maiores sentimentos do mundo.
Eu só sei me doar, me deixar levar pelas emoções, pelas palavras do outro, porque essa é a única forma de ser próximo de alguém que eu conheço. Porque essa é a fórmula que aprendi para sustentar uma amizade, um relacionamento.
O amor próprio tem cegado as pessoas. Até que ponto você é capaz de ir para conseguir o que quer? E por que é que você precisa manipular alguém para conseguir isso? Conheci muita gente que tem pontas afiadas no lugar do coração, prontas para te atacar, se você parecer uma presa fácil.
Será que devo me render? Será que devo desistir?
Às vezes, tenho a sensação de ser a única que se importa com isso. Sou fora de moda! Sentimentos e pessoas descartáveis é que são as novidades, mas eu não vou deixar de ser antiga. Vou continuar sendo eu mesma apesar de. E se eu lhe disser que gosto, que aceito, que entendo, que quero... é de alma e coração. É a mais pura verdade. Confie em mim.

Sabrina Davanzo

Espera




Eu esperava mais. Muito mais. Mas talvez o certo seja não esperar... nada.



Sabrina Davanzo

14 de fev de 2011

Trilha

É por isso que eu não perco a esperança: o destino se encarrega de reescrever nossas emoções, começar tudo de novo de forma inesperada e surpreendente. A mesma canção pode tocar mil vezes para outras mil histórias.
É como se existisse uma trama com uma trilha sonora escolhida para marcar sua vida, em que cada acorde é uma lembrança. E aquelas notas que traziam vazio, hoje trazem felicidade.
Não me importo mais. Posso ouvir essa música à vontade. Como uma fotografia instantânea, já tenho outro momento para lembrar assim que ela começar a tocar.

Sabrina Davanzo

13 de fev de 2011

Positivo



Quando os pensamentos inspiram, as coisas conspiram.


Sabrina Davanzo

7 de fev de 2011

Felicidade



Para: Fran, Lilian, Paloma, Gabi, Jéssica, Clara, Mariana, Fafá, Bruna, Manu, Priscila, Laura, Carol, Izabela, Gabi 2, Erika, Cris.

Felicidade é comer pizza e bater papo até quatro da manhã.
Felicidade é tomar sorvete direto no pote falando coisas de mulher.
Felicidade é passar o dia junto sem fazer nada.
Felicidade é saber com o olhar.
Felicidade é rir até a barriga doer numa roda de samba.
Felicidade é ter alguém que torce por você.
Felicidade é o silêncio de um não constranger o outro.
Felicidade é saber que seus defeitos não incomodam, que entendem suas fraquezas e aceitam você do jeito que você é.
Felicidade é estar num carro cheio de gente e de repente perceber que não se sabe mais viver sem aquelas pessoas.
Felicidade é trocar e-mails que dá força, faz rir, refletir.
Felicidade é combinar uma viagem maravilhosa que já é divertida antes de acontecer.
Felicidade é ser convocada para uma reunião importantíssima em que a pauta é: saudade e vontade de estar perto.
Felicidade é comer o melhor pão de queijo do mundo falando ao telefone com alguém que está a quilômetros de distância.
Felicidade é chegar da balada e ir dormir quando amanhece, lembrando de tudo o que aconteceu.
Felicidade é ter um monte de história para contar.
Felicidade é passar horas enrolada num cobertor fofocando na porta de casa.
Felicidade é descobrir- se no outro na primeira vez que o vê.
Felicidade é sentir as lágrimas de alguém que tem medo de te perder.
Felicidade é receber mensagens no meio da noite só pra dizer o quanto você é importante.
Felicidade é falar sobre as coisas mais idiotas e ainda assim morrer de rir.
Felicidade é saber que confiam tanto em você que te emprestam uma roupa que nunca foi usada.
Felicidade é descobrir pessoas tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais a você.
Felicidade é perder a esperança e a reencontrar num monte de abraços.
Felicidade é encontrar casualmente e passar horas conversando, falando sobre a vida.
Felicidade é dançar como se não houvesse amanhã ao som de uma banda brega.
Felicidade é compartilhar músicas que te tocam.
Felicidade é eleger músicas que marcaram momentos.
Felicidade é saber que nos piores momentos, durante a madrugada, você pode chamar, porque vão estar lá.
Felicidade é ser expulsa de um táxi com uma chuva imensa caindo lá fora só porque se está dando muita risada.
Felicidade é ver algo e saber que aquilo é a cara de fulano.
Felicidade é estar longe e ainda assim estar perto.
Felicidade é não importar o lugar e sim a companhia.
Felicidade é chorar de alegria e rir da tristeza junto.
Felicidade é poder escolher uma família para ter por perto.
Felicidade é ter amigos.
Felicidade é ter a certeza de que é para sempre.
Eu sou muito, muito, muito, muito feliz por ter tudo isso.


Ps: Amo vocês e agradeço todos os dias por fazerem parte da minha vida.

"Quem tem amigos, tem tudo."

Sabrina Davanzo


3 de fev de 2011

Definição




Paixão é o amor sem freio, sem limites, sem educação.


Sabrina Davanzo

2 de fev de 2011

?



De repente, virei um ponto de interrogação.
Não me sei, não sei o que, nem onde, nem como.
A interrogação é um tipo de desespero,
quisera eu ser reticências...
três pontos de leveza, paz e coisas não ditas, confidências.
Também poderia ser exclamação!
Felicidade grafada com empolgação e de ponta cabeça.
Por hora, sou um não saber se há o que temer.
O que vem depois do ponto de interrogação?
Espero uma reposta.


Sabrina Davanzo



31 de jan de 2011

Sobre problemas e soluções


Quando acabarem todas as tuas opções, você pode tirar os olhos do problema e deixar que ele se resolva por si só, porque nada
nesta vida fica sem solução.
Simplesmente tire os olhos, distraia sua atenção, flutue sobre todo o pessimismo.
Mais cedo ou mais tarde, uma luz aparece, entra pela fresta que você esqueceu de vigiar e clareia tudo.
Às vezes, respirar ajuda. Vá tomar um ar fora do quarto escuro. A chave está em suas mãos, destranque a porta e saia com suas próprias pernas, com sua própria força.
Quando voltar, uma nova energia terá tomado conta do lugar, tudo parecerá diferente e menos complicado do que anteriormente.
Não permaneças focado no impasse, procure pela resolução nos lugares mais improváveis, fique atento aos conselhos de amigos, às atitudes de estranhos diante de seus próprios dilemas. É aí que o auxílio mora.
Não se feche, não se considere uma causa perdida.
Tudo tem um propósito e você só conseguirá identificá-lo se mantiver seu pensamento livre de culpas e autopiedade.

Sabrina Davanzo

29 de jan de 2011

Nacionalidade



Eu nasci no Brasil - sou brasileira, não tenho dúvida.
Mas minhas emoções...
Ah! Essas são mexicanas. Adoram um drama.


Sabrina Davanzo