23 de nov de 2013

O oposto do certo






 Praticar o desapego.
Esperar pelo melhor.  
Viver o agora. 
Não olhar para trás. 
Seguir em frente. 
Não dar o braço a torcer. 
Ser mais eu. 

São tantas regras de autoajuda
 que acabo me esquecendo que sou humana. 
Com licença, 
É PERMITIDO falhar. 
Graças a Deus existe o erro, a recaída, a entrega,
 sem os quais a vida seria uma eterna e cansativa vitória 
sobre meus limites e sobre os outros. 
Deixe-me um tempo aqui, 
no fundo do poço, 
que é para eu me conhecer e saber, 
por tentativas, erros e acertos, 
até onde posso ir.

Sabrina Davanzo 





5 de nov de 2013

Sobre vazios


O vazio é um espaço hermético 
que o medo cava dentro da gente.
É um vulcão que, de tempo em tempo, 
traz a lava ao topo e ameaça-nos com a erupção.
Intimida-nos com o derramamento
de nós mesmos.
O vazio é uma profundeza inavegável.


Sabrina Davanzo 


2 de nov de 2013

Pirilampo


É preciso que você aprenda a ser que nem o vagalume. 
Encontre sua própria luz, saiba caminhar na escuridão sem depender da claridade de ninguém.
Procure descobrir como iluminar o caminho do outro sem consumir a sua própria energia.
Não tenha medo! Sua luz é suficiente para transpor a noite e se manterá acesa até o sol raiar, se assim você acreditar.


Sabrina Davanzo 


1 de nov de 2013

Relógio de Ponto


Há algum tempo, ela nota que os dias nascem religiosamente no mesmo horário, à revelia da sua vontade.
Que sacrifício encará-los logo após despregar os olhos ainda preguiçosos e desacostumados à luz.
Toma o seu café insípido (é muito cedo para o paladar identificar o gosto de alguma coisa) e parte para as próximas 24 horas que ela nem pediu para viver.
Quanta emoção cabe em um dia?
Já teve um em que ela se apaixonou. No outro, despediu-se da mãe do melhor amigo, teve aquele que ela passou no vestibular e ainda um em que deu cinco pontos na testa.
Tem dias que ela preferia não despertar, queria ficar embaixo da coberta até o próximo sol raiar.
Já reparou que o cérebro não para um minuto? Quantos milhões de pensamentos na cabeça o dia todo? Isso às vezes cansa.

Ela queria pausas, mas a vida não as faz. Não espera o cansaço dela, nem a vontade de ficar mais cinco minutos na cama.
Caso ceda à tentação, o relógio de ponto da firma registra o atraso, descontando do salário as horas e minutos não aproveitados.
Di-a-a-d-i-a: não tem como fugir.

Sabrina Davanzo 

1 de out de 2013

passatempo





O tempo sempre chega. Elástico, vai e volta, dando saltos, prendendo-se.
Ora como uma gaivota cruzando os mares, ora como uma tartaruga, o tempo acelera e retrocede dentro da nossa consciência.
A vida passa voando ou é a morte que tem pressa?
O tempo é relativo.
Às vezes, parece que faz séculos quando só alguns anos se passaram. E, de repente, um minuto é uma eternidade.
O tempo pode ser ingrato, ter gosto de remédio. Pode ser amigo, cura, amnésia. Pode fazer bem ou fazer mal.
O tempo é um deus soberano que, do alto do seu templo, nos espia e se compraz quando tentamos controla-lo.
O tempo se materializa nas faces que atravessam os anos.  Eu já o tenho sentido nos fios de cabelo, nos joelhos, na visão.
Eu, que sempre tentei correr contra a sua direção, que achava que tinha todo o tempo do mundo, agora o encaro.
No confronto, percebo que é preciso reestabelecer uma relação. Uma convivência amigável, pois, a partir de agora, ele estará cada vez mais presente. Ouso afirmar que, no final, me restará apenas a sua companhia.
Ao tempo, só tenho um pedido a fazer: tome a firmeza da minha pele, se aposse dos meus cabelos, invada as minhas articulações, mas, por favor, deixe minha alma em paz. 

De quem já não corre e aprendeu a esperar.

Sabrina Davanzo 




16 de jul de 2013

Como esperar pelo seu grande amor


Mais cedo ou mais tarde, a gente sente vontade de ter alguém “para sempre”, aquela pessoa que será nosso porto seguro para compartilharmos alegrias e tristezas.
Especialmente nós, mulheres, temos o dom de fantasiar (maldita Disney!). Sonhamos ansiosamente com um príncipe encantado, vindo direto da tela da TV. Alguém que, além de companheiro, seja capa de revista, bem sucedido, sedutor e um romântico nato, que escreve bilhetinhos todas as manhãs e compra flores nas datas especiais.


Mas a verdade, meninas, é que o mundo está cheio de príncipes não coroados. Homens de carne, osso e coração prontos para amar e dividirem suas vidas com mocinhas maduras que conseguem enxergá-los.

Então, não adianta se produzir toda para ir à balada, e ficar mal-humorada na fila do caixa. A pessoa que você tanto espera pode estar bem atrás de você.
E, afinal, quem disse que só é permitido se apaixonar em uma sexta à noite? O que há de errado com os outros dias da semana?


Ainda bem que, como disse Paulo Mendes em um lindo texto, o amor acaba em qualquer lugar, para começar de novo a qualquer momento.
Portanto, baixe a guarda de vez em quando, saia do plantão de caça aos estereótipos e dê uma chance às pessoas reais. A atração precisa de espaço para nascer.
De todo modo, enquanto não chega a sua vez, mantenha-se disposta, aberta às situações que vêm de graça, como um descuido do destino.


Aquela velha frase que sempre ouvimos “quando você menos esperar acontece” é verdadeira. Para esperar por alguém o melhor a fazer é se distrair, cuidar-se, se tornar a pessoa especial que você gostaria de encontrar.

Aí, de repente, numa terça-feira despretensiosa, aquele cara aparece na sua frente. Com sorte, pode até estar tocando Something, dos Beatles, ao fundo.
Foi assim comigo, e no dia 11 de junho fez um ano.


Sabrina Davanzo

Crônica publicada na edição deste mês da revista Minas em Cena.



  

28 de jun de 2013

Prece



Hoje eu quero agradecer tudo de bom que tem acontecido na minha vida.
Nem sei se sou merecedora de tantos privilégios, tento em vista tantas pessoas mais necessitadas ao meu redor.
Que eu não me esqueça jamais de agradecer o alimento, a vestimenta, o trabalho, o companheiro, o lar,  a família, os amigos que o Senhor me concede, diariamente, ainda que eu seja tão passível de falhas.
Que a humildade de reconhecer o quando devo ser grata todos os dias não se afaste de mim. E nas horas escuras, aquelas que certamente virão para testar-me, que o Senhor esteja comigo, inspirando-me paciência e resignação para que no mais íntimo do meu coração eu tenha forças e atravesse as adversidades sem culpar-te ou desistir da tua companhia.
Amém.
Sabrina Davanzo

7 de fev de 2013

Papo de mulherzinha: cabelo, maturidade, padrões da sociedade


Os meninos leitores do blog que me desculpem, mas hoje o texto é para as meninas. Tenho certeza que elas vão me entender.
Por muito tempo tive “problemas” com meu cabelo. Ele não é completamente liso, mas também não é cacheado (o que eu acho lindo!). Ele tem ondas. Gigantes. Verdadeiros tsunamis que assumem forma própria e diferente a cada dia ou a cada vez que tento fazer alguma coisa nele.
Quando eu era mais nova, sem o recurso da prancha, a solução era prender. Morria de vergonha de soltar aqueles poucos fios que não assentavam. A gominha era minha melhor amiga.

Na adolescência, as pranchas invadiram as lojas e salvaram a minha autoestima nesse momento da vida em que ela é fundamental, pois molda a nossa confiança em nós mesmos para sempre (esta é uma teoria minha, assunto para outro texto). A prancha se tornou minha companheira fiel antes das baladas e no colégio, de segunda a sexta.
Na faculdade, ela também foi minha aliada porque, óbvio, eu queria chamar a atenção dos garotos que, como a TV, o mundo fashion, a indústria de cosméticos e sei lá mais quem, acham normal e lindo ter – exclusivamente – o cabelo longo e liso. Fiz lá o meu sucessinho, me mantive no padrão.

Quando cheguei à idade adulta entrei de vez na onda do último grito para alisar cabelos. Nada de esconder da chuva, desviar das goteiras, arrumar três horas antes de sair de casa. Definitivamente, era o tempo da progressiva. Fátima Bernardes deu o pontapé inicial por aqui nessa revolução capilar e eu fui atrás.

Nada como ter um cabelo liso sempre né? Dormir e acordar como as atrizes de cinema.
Se a moda era ter o cabelo emplastrado de formol e, claro, extremamente liso, achei que era hora de arriscar um corte mais moderninho. Cortei ele bem curtinho e... uau! Ele continuava bem alinhado... um sucesso!
Eu estava muito feliz com meu novo corte e meus fios devidamente no lugar quando começaram a sair notícias sobre os malefícios e picaretagens que envolviam os produtos utilizados na escova progressiva, além do preço que já começava a pesar no bolso.

Desafiando a minha autoestima satisfeita, desafiando todo um conceito que eu tinha sobre como deveria ser a minha imagem, decidi abolir o produto da minha vida. Cortei o cabelo ainda mais curto e assumi, definitivamente, a cabeleira. Fiquei com aquele ar de acabei de acordar/me desculpe saí de um furacão. E quer saber? Me senti muito melhor.
Parecia que há anos eu esperava por essa libertação. Meu cabelo sempre foi desgrenhado e eu nunca quis aceitar isso.
Hoje, nem sempre estou satisfeita com os fios, mas paciência. Nem nosso humor é mesmo todos os dias. E isso também é muito legal: um dia você acorda, ou lava o cabelo, ele seca e voilá! Ele está bonito, diferente. Você nunca sabe o que vai ser.
Conseguir manter meu cabelo natural me fez suspeitar que eu estava mesmo crescendo. Fiquei mais confiante. Comecei a pensar que se alguém me quisesse, teria que aceitar meu cabelo rebelde.
E acreditem, meninas, foi bem nessa época que meu namorado apareceu lindo e apaixonado. E tem mais: uma das primeiras coisas que ele notou/comentou foi o bendito do cabelo.

A certeza de que junto com o cabelo natural veio a maturidade eu tive essa semana depois de comprar um xampu de uma marca nova.
Depois de alguns dias, notei que minhas ondas irregulares estavam desaparecendo, dando lugar a um liso meio sem sal (como o xampu).
Corri na farmácia e comprei outro. Para cabelos ondulados. Que mantém as ondas perfeitas por até 24 horas. Amém.
Voltei a ter personalidade. A minha personalidade: desgrenhada, descabelada, acordei e vim. Esta sou eu. E ele me ama assim.

Eu tenho plena consciência de que não sou uma Grazi Massafera, por isso meu cabelo não precisa ser igual ao dela no comercial de tal xampu. A gente se assumir do jeito que é, se aceitar, gostar do que vemos diante do espelho é de uma leveza que produto nenhum conseguiu ainda trazer à pele, aos cabelos, à vida. Experimentem e depois me contem.

Ps: meninos, se vocês foram curiosos e leram até aqui, lembrem-se de valorizar a pessoa que está com vocês  pelas suas características únicas, que faz com que cada um seja exatamente e exclusivamente como é.

Sabrina Davanzo

Imagem: El Blog de Alicia

24 de jan de 2013

Estranho

 Hoje meu coração amanheceu apertado.
Cheio de incertezas, como se navegasse à deriva.
Sem rumo, sem casa,
 carente não sei do que.
Hoje o meu coração acordou doído,
sofrido
 sem nenhuma explicação.
Eu tenho medo desses repentes.
Inconstâncias que fragilizam esse órgão já tão delicado
e alteram o ritmo da vida.
Quando fica assim,
coração parece querer dizer alguma coisa.
 "Tome cuidado", "afaste-se!", "Não faça isso, não vá por aí!"...
Como vou saber?
 Coração não sabe falar, só sabe sentir.
Sem entender,
fico aqui com esse aperto que dói sem doer.
Seria tão mais simples se o problema se limitasse a interpretação...
Coração, por favor, seja claro!
 O que você tem para me dizer?

Sabrina Davanzo

7 de jan de 2013

Conselho para ser feliz no ano novo



Procure ser feliz por você mesmo, sem esperar por nada nem ninguém. Não deposite sua felicidade em alguém que pode partir a qualquer momento ou nem mesmo chegar. Já imaginou a responsabilidade que você transfere para as pessoas quando espera que elas alegrem os seus dias?
Não paute sua felicidade no aumento que você ainda não teve, nas roupas que você ainda vai comprar ou nas viagens que pretende fazer. Os momentos que você ainda não viveu não lhe pertencem.  Aprenda a contentar-se com o que você tem nas mãos hoje.
Trace metas e objetivos e cumpra-os. Quer emagrecer? Pare de adiar a dieta. Quer ajudar os outros? Não espere ganhar na mega sena para só então fazer caridade. Quer conhecer pessoas interessantes? Saia de casa e vá a lugares legais.  Quer ler mais? Tire os livros da estante e começo-os logo.
Ser feliz aqui e agora depende unicamente de você.  Só você pode, ao levantar, escolher as lentes que vai usar para encarar a rotina. Optar pelas cores, evitar os tons escuros, focar menos nos problemas, ampliar a visão para além, onde se encontram as soluções, pensar e agir positivamente. Exercícios simples, que não custam nada e fazem um bem danado. É pela sua própria leveza. É pela sua saúde mental, física e emocional.
Experimente. Faça um ano realmente novo dentro de você.
Sabrina Davanzo

2 de jan de 2013

Recomeço



Em 2012, escrevi muito pouco. Não que tenha me faltado inspiração. Graças a Deus, vivi experiências de sobra que renderiam bons textos ou, pelo menos, bons temas. Mas parece que me sentia melhor guardando estas memórias numa espécie de caixa para poder revisitá-las sempre que quisesse sem que ninguém soubesse.
Eu sei... Soa meio egoísta, mas quem não o é, quando se trata das próprias emoções? Sem me dar conta, criei um retiro sentimental e agora acho que é hora de voltar a me abrir. Quero me expor de novo, questionar a vida, exaltar suas particularidades.
Como passei tanto tempo longe, estou insegura. Será que vou parecer repetitiva? Desinteressante? Preciso aprender a deixar fluir de novo, sem medo. Deixar a correnteza arrastar as palavras.
Uma coisa eu posso garantir: eu aprendi a falar de amor. Talvez eu conte sobre isso durante este ano todo... Talvez eu já nem tenha mais outro assunto.
Peço que tenham paciência comigo. Vou abrir a caixa e, aos poucos, revelar o que guardei com tanto cuidado.
É hora de me desvendar. Com licença, vou me re-apresentar.

Sabrina Davanzo 


Declaração


Eu poderia ter a sensibilidade da Marisa, a doçura da Mallu e a sensualidade da Roberta para cantar, no pé do seu ouvido, o que eu sinto por você.
Eu poderia ter a coragem de me arriscar, de largar tudo e enfrentar o desconhecido, igual ao personagem do filme que você mais gosta.
Eu poderia ter a genialidade dos profissionais que você tanto admira.
Eu poderia ter a beleza "sem-sal" da Maria Flor, sua atriz preferida, e quem sabe até um nome mais cool como o dela.
Poderia viajar com você por aí, por esses lugares que a gente só conhece pelo Instagram.
Eu poderia ser mais blasé como a Summer ou mais cult como o Tom, personagens do seu segundo filme preferido.
Poderia ser mais sexy como as mulheres que você vê na TV nas tardes de domingo ou ainda ser criatiavamente engraçada como os humoristas que você curte. 
Poderia escrever como o Marcelo Camelo, com palavras difíceis, frases desconexas que no fim fazem sentido para traduzir nossa relação.  
Eu poderia ser uma infinidade de combinações de personalidades que te agradam, mas eu sou exatamente do meu jeito e mesmo com todas estas ausências você me quer.
Você não exige de mim o que não posso ser, não quer me igualar ao seu mundo, apenas o compartilha comigo.
E eu aprendo sobre você. E eu o amo e admiro um pouco mais a cada nova lição.


Sabrina Davanzo