23 de out de 2008

Salto a superfície


Às vezes, sinto-me em águas infinitamente profundas.
Sinto o calor do sol aquecendo as ondas e vejo o jogo de cores que se forma no espelho d’água. São momentos de indizível beleza.
Olho ao meu redor e vejo todos ocupados com suas respirações e nados sincronizados.
Se ao menos eu me destacasse. Se eu pudesse mostrar que por trás de escamas tenho sentimentos e emoções...
Mas afinal, as escamas são necessárias para lidar com a correnteza. Não convém expô-las.
Aquele que faz uso da expressão “peixe fora d’água”, não compreende quão mais difícil é se adaptar às profundezas.
Quem me dera ser digna da superfície, subir à tona e respirar ar puro até que o cansaço tome meu corpo.
Aqui embaixo é tudo tão denso.
Talvez por medo, atenho-me a minha humilde existência. Sei que cabe só a mim lutar para que o ar entre, ainda que exausto, pelos meus pulmões e chegue a cada recôndito canto de minha existência.
Admiro aqueles que têm coragem de saltar. Mas não me iludo.. sei que não são heróis e sim meros desesperados que sucumbiram diante de suas provações no mar de possibilidades que é a vida.


Sabrina Davanzo


2 comentários:

Clara Gontijo disse...

delicado, intenso, profundo, real. Peixinho dourado, é o que é.
Que bom que tem o dom de descrever esses mergulhos. Aguardo os próximos com ansiedade!

Sângela disse...

Oi amiga do coração! Q espetáculo de blog, hem? Li só o primeiro texto e amei! Parabéns! Essa sensibilidade combina com você! Quando tiver mais tempo entro novamente, tá? Bjocas.