23 de ago de 2010

Cortina

Quando eu tinha uns seis anos e dormia no quarto da minha avó, uma cortina bege com uns raminhos verdes bem pequenos me fazia perder o sono. No meio da noite, olhava para a cortina refletindo a luz que vinha do poste na rua e tinha a sensação de que os raminhos se transformavam em seres minúsculo que ficavam construindo alguma coisa, descendo e subindo o tempo todo pelo tecido.
Parecendo macaquinhos atarefados, os movimentos na cortina me davam muito medo e, por isso, eu acordava todo mundo e fazia com que acendessem a luz.
Hoje eu penso nessa história e fico imaginado se a vida tem um pouco disso. Para que cada coisa aconteça, e sem que a gente saiba, Deus espera o nosso sono para, por trás da cortina que guarda o nosso destino, construir novas histórias. E os anjos ficam lá, trabalhando incessantemente para que tudo saia como tem de ser. Se você é criança e tem muita imaginação, consegue enxergar esses operários no corre corre.
Hoje essa cortina não está lá, mas aposto que se estivesse eu não veria nada além de raminhos verdes. Não sei se é porque quando a gente cresce as coisas ficam mais reais ou se é porque Deus está cada vez mais ocupado com outras coisas.

Sabrina Davanzo

Um comentário:

Renata de Aragão Lopes disse...

Que texto encantador, Sabrina!

Quando muito,
eu vejo o balançar
das cortinas...

Beijo,
Doce de Lira