31 de jan. de 2011

Sobre problemas e soluções


Quando acabarem todas as tuas opções, você pode tirar os olhos do problema e deixar que ele se resolva por si só, porque nada
nesta vida fica sem solução.
Simplesmente tire os olhos, distraia sua atenção, flutue sobre todo o pessimismo.
Mais cedo ou mais tarde, uma luz aparece, entra pela fresta que você esqueceu de vigiar e clareia tudo.
Às vezes, respirar ajuda. Vá tomar um ar fora do quarto escuro. A chave está em suas mãos, destranque a porta e saia com suas próprias pernas, com sua própria força.
Quando voltar, uma nova energia terá tomado conta do lugar, tudo parecerá diferente e menos complicado do que anteriormente.
Não permaneças focado no impasse, procure pela resolução nos lugares mais improváveis, fique atento aos conselhos de amigos, às atitudes de estranhos diante de seus próprios dilemas. É aí que o auxílio mora.
Não se feche, não se considere uma causa perdida.
Tudo tem um propósito e você só conseguirá identificá-lo se mantiver seu pensamento livre de culpas e autopiedade.

Sabrina Davanzo

29 de jan. de 2011

Nacionalidade



Eu nasci no Brasil - sou brasileira, não tenho dúvida.
Mas minhas emoções...
Ah! Essas são mexicanas. Adoram um drama.


Sabrina Davanzo

20 de jan. de 2011

constatação



Coisa boa ou ruim:
se não for alimentada, morre.


Sabrina Davanzo

17 de jan. de 2011

Casa nova



Enquanto um sol preguiçoso despontava no céu, eu descia para comprar pão pensando no quanto eu tenho mudado.
Nem lembro quando foi que comecei a me negar, só sei que agora recebi uma ordem de despejo.Estou sendo obrigada a sair do lugar.
É espantoso ver que coisas imutáveis estão indo embora, assim como todos os personagens do meu mundo imaginário que, um a um, estão se despedindo.
Chego a pensar que até esse espaço aqui já não faz parte de mim, tão irreconhecível tenho estado diante do meu reflexo.
A mudança começou discreta, quase como quando se coloca um vazo de flor a mais na janela.
Depois, foi ficando intensa. Foi necessário estacionar na porta do coração uma caçamba para levar todo o entulho, jogar fora os excessos que só causavam falta de ar.
Quanta coisa já não me serve mais... Como eu gostava de me apegar à imagens mal coladas.
Ainda continua tudo fora de ordem. Há muito chão para limpar...
Participo, consciente e satisfeita, de todo esse processo. Observo tudo que deve ser trocado, descartado, recolocado.
Estava mesmo precisando dessa reforma para viver mais leve, ser mais eu. Meu sorriso havia se acostumado à tanta culpa que já não era verdadeiro.
A cadeira em que passei tempo demais apoiada, lamentando, não está mais aqui e eu ando sem parar para colocar tudo no lugar. Enquanto a poeira não assenta, busco respostas, vasculho prateleiras.
Toda mudança consome, e essa não é diferente. Estou exausta, mas com uma imensa vontade de viver, comprar móveis novos, decorar a casa, receber visitas.
Aqui, nessa casa que vem sendo construída, não entrará um futuro distante, só aquele que cabe na minha mão. Não tenho arquitetado planos mirabolantes, só os que meus braços conseguem realizar agora. Isso chama-se cautela, material que tenho em estoque na caixinha de emergência depois de ter sofrido um bocado de desilusão.
Essa mudança que tem acontecido dentro de mim é sozinha. Não adianta chamar ninguém para ajudar, pagar carreto. Ninguém virá me transportar daqui para onde quer que eu vá. É minha mudança. São as minhas escolhas do que fica e do que jogo fora.
Não há corrida contra o relógio, não existe uma data para que tudo se ajeite, nem mesmo calculei quando devo fazer um intervalo entre o peso de um móvel e outro.
A questão é abandonar um velho lugar, conceitos antigos, custe o tempo que custar. É aceitar essa nova fase de uma face cada vez mais diferente, seja no cabelo ou no olhar.
Meu olhar tem tentado dizer muito mais do que quero falar atualmente. Trancado nesse cômodo por anos, está aflito para contar que algo novo acontece do lado de dentro.
Eu sei que esse tempo de mudança é também uma boa época para plantar. Mais do que nunca tenho escolhido sementes e cavado a terra, sentindo seu cheiro, sua umidade e, respeitando seu tempo, depositando nela toda minha esperança.
Não tem jeito. Eu sempre vou esperar pelos jardins. As flores sempre serão necessárias para enfeitar qualquer lugar em que eu esteja.
Isso não vai mudar: vou continuar tendo dessas singelezas de gostar das cores, da natureza e de tudo o que é pateticamente puro.
Um dia minha casa nova estará pronta, cheia de luz, com cada coisa em seu lugar. Então eu vou poder contar sobre como foi mudar, sobre tudo o que deixei para trás, sobre os sentimentos novos que trouxe para perto de mim e, principalmente, sobre como cresci, aprendi a sonhar e me reconhecer como dona do meu espaço.

Sabrina Davanzo

12 de jan. de 2011

Menino

O tempo se assemelha ao menino que corre solto quando ninguém o segura pela mão.
Deixa o tempo ir...
Se não der corda, o tempo não zomba, não se demora.
O tempo passa sorrindo quando está livre.
O tempo, assim como o menino, não foi feito para ficar preso aos pés das vontades.
Tem vida própria o menino. E cresce e vai longe...
Se te assentas na beira do rio e gasta tuas horas a distrair-te, o tempo ganha asas e voa. Some como o menino que se enfia em algum canto e a mãe procura e procura. Mas se te assentas à espera de alguém, ele faz manha, se agarra em teus cabelos e não sai de perto.
Deixa o tempo brincar...
Como um menino levado que tira tudo do lugar, o tempo também muda tudo. O tempo muda sentimentos, muda o menino, faz ele virar homem. Eis o poder do tempo.

Sabrina Davanzo

7 de jan. de 2011

Viagem


Invade minha cabeça, olhos, ouvidos,
desregula meus sentidos.
E eu caminho sem ver, falo sem perceber.
(Fico esperando sua vontade me querer)
Você é um vicio delicioso
que estimula minha vontade de viver.

Sabrina Davanzo

4 de jan. de 2011

Sim




Nem preciso de explicação, só não queria que (dessa vez) fosse um não.



Sabrina Davanzo

3 de jan. de 2011

Lado A


A vida escolhe a música, vira o disco,
determina nossos passos, mas eu não posso reclamar.
Nesses últimos tempos,
lindas canções têm me embalado e tirado para dançar.


Sabrina Davanzo

30 de dez. de 2010

Novo de novo



Queridos e queridas,

Obrigada pela companhia diária e pelos comentários sempre lindos e inspiradores.
Desejo que 2011 seja o melhor ano de suas vidas,
cheio de paz, amor e muita saúde para correr atrás do que move cada um de vocês.


Feliz ano novo!

PS: estou meio ausente do blog, mas prometo resolver isso em janeiro.

Sabrina Davanzo



21 de dez. de 2010

Mudança


Meu coração mudou-se de lugar,
foi morar no seu abraço.

Seu amor veio morar
num lugar vazio no meu peito.

E foi assim que nos tornamos vizinhos:
eu apaixonada por você e você por mim.


Sabrina Davanzo

18 de dez. de 2010

Livro: Da gastrite e da Ira



A Milena de Almeida, uma amiga virtual muito querida,
acaba de lançar o seu primeiro livro de contos.
Os textos dela são sensacionais.
Se você quiser comprar o seu, é só clicar aqui:

Sabrina Davanzo


15 de dez. de 2010

Sobre o que importa



O que realmente importa eu não quero mais saber.

Um viva à banalidade, à previsão do tempo,
à chegada do verão, ao índice monetário no Japão.

Aos assuntos que não ferem, que não ardem,
uma grande ovação!

Aos temas mais imbecis, nesse momento,
volto todo o meu interesse
como se deles dependesse a minha felicidade.

O que realmente importa eu quero guardar esquecido e abandonado
no lugar das coisas que não têm mais razão de se dizer.



Sabrina Davanzo

Agora



Vez em quando o agora é tarde.
O agora é nunca
e nunca mais torna a acontecer.
Vez em quando o agora é nada
e nada muda isso agora.

Sabrina Davanzo

12 de dez. de 2010

Encontro



Hoje eu estou pronta para te encontrar.
Quero estar em teu abraço num laço que nunca mais vai se desfazer.
Hoje quero ouvir sua história e me mostrar para você.
Não demora, pois eu te quero agora, amanhã pode já não ser.
Hoje vou me permitir sentir teu gosto e provar que posso te pertencer.
Se é isso o que você quer também, não espere o mundo dar mais uma volta.
Eu estou bem diante da sua porta, me atende, meu bem.

Sabrina Davanzo

10 de dez. de 2010

Bem-aventurados os que...

Maria é dessas tantas que nascem em um dia comum e recebem um complemento para o nome de acordo com as crenças e gosto dos pais. O complemento do nome dela não sei não, porque para Maria e para qualquer outro, tanto faz.
Se tivesse o que contar sobre ela eu contaria, mas sei tão pouco de Maria. Conheço apenas sua preferência pelo dia, sorvete de baunilha e lençóis brancos.
Maria é dessas que não se mostram, ouve batidas à porta e não vai abrir porque não espera ninguém. Não quer saber de conspiração do universo, coincidências do destino (se é que sabe lá o que isso significa).
Quando Maria ainda era Mariazinha a mãe viajou para vender doces nas redondezas e nunca mais voltou para lhe trocar as fraldas. Enquanto Maria crescia, ia esquecendo a feição da mãe. Hoje, a lembrança é só um borrão.
Maria é um pouco de tudo o que aprendeu e aprendeu direitinho todas as coisas porque muito cedo o suor já lhe deitava na cara. A vida nunca foi amiga de Maria. Brinquedo não teve, mesa farta não tem, beleza não tem, amigos não tem, amor não tem. A única coisa que sobra em Maria é ruga, mas ela mesma não acha que a vida é só amargura. Num domingo, durante a missa, experimentou a alegria quando o padre explicou sobre os bem-aventurados. Com todo seu histórico, Maria passou a acreditar que um dia o céu se abrirá bem diante dos seus olhos e ela será recebida como uma rainha. Maria tem essa esperançazinha que não a deixa por nada, e isso já basta para lhe fazer meio feliz.


Sabrina Davanzo

Papel de parede



Eu e o João Célio fizemos mais um papel de parede para a Papel e Tudo.
Se quiser baixar um, é só clicar aqui:
Papel e Tudo


Sabrina Davanzo

Utilidades



Eu estava no mercado para comprar arco-íris para o meu céu quando uma vendedora me alertou:
- Leva nuvens! Leva nuvens, minha filha, que não tem erro! No sol quente, ela é sombra. Para a aridez do coração, ela é regador. No ócio, ela brinca de adivinhação sendo formas variadas. Leva! Nuvens são camas para quem sonha alto e, no caso de uma queda, são tapetes, almofadas fofinhas espalhadas pelo chão.


Sabrina Davanzo

7 de dez. de 2010

Um



Que hoje eu viva apenas este dia, plena de mim.
E que eu não tenha medo do que está por vir,
nem pena do que tem de partir.


Sabrina Davanzo

5 de dez. de 2010

Mundo da lua


Já faz tanto tempo, mas de vez em quando parece que foi ontem. Às vezes, o que eu ouço não faz o menor sentido e o tempo parece só piorar. Tenho a impressão de que tudo está como antes, quando sei que nada mais é igual.
De vez em quando pareço ir para o mundo da lua, o relógio desperta e eu não quero acordar. Por que tem de ser tão difícil?
Deus, quando passa o próximo cometa? Quem sabe não parto com ele para outra galáxia ou talvez ele me traga de volta à terra. Enquanto isso.. só mais um minutinho....

Sabrina Davanzo

O que será


Demora um bom tempo para a gente perceber que a vida é que leva a gente e não o contrário.
Não sou eu quem escolho o que será do meu dia ao acordar. Posso programar a roupa que vou vestir, o sapato, mas não controlo o que acontecerá daí por diante.
Um dia mágico. Um dia trágico. Não cabe a mim desobedecer quem está no comando. Destino é o nome dado a essa mão invisível, capaz de mudar em alguns segundos toda a nossa trajetória.
Se eu ainda estou aqui e você está aí é simplesmente porque o destino quer que estejamos. Ele não brinca de acasos e eu estou convencida de que não adianta resistir.
Não sei o que será do amanhã, nem do fim dessa noite. Se tudo for como antes (e isso não é uma certeza para mim) o sol nascerá às seis da manhã.

Sabrina Davanzo

S. B. e E. tiveram mais uma chance ontem.