7 de dez de 2009

Disfarce


Tal qual uma dona de casa fatigada, varria todos os seus medos para debaixo do tapete. Disfarçava-os com os belos arabescos bordados no tecido. A sujeira continuava ali, mas oculta por uma certa beleza. Assim ela se apresentava sempre com uma casa agradável aos olhos dos visitantes menos atenciosos. Quando era o caso de alguém botar reparo, tratava de disfarçar comentando sobre as violetas na janela e os benefícios da luz em suas pétalas. Nada como falar de suavidade quando se tem diante dos olhos algo tão denso como o medo.

Sabrina Davanzo

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