27 de out de 2009

Cena de filme


E uma grande tragédia, dessas de filme, entrou dentro da minha casa. Ficou lá por quase três dias, sem deixar ninguém dormir. Quando subiram os créditos, o medo não passou. O fato de saber que o cara malvado ficou preso no final não confortou. A platéia toda está com a sensação de que a história continua e, pior, vai ser ainda mais triste. Difícil imaginar a vida da mocinha de agora em diante. Perca o fôlego: vez em quando, no filme da vida, um personagem monstro assuma o papel de protagonista e espalha o terror.

Sabrina Davanzo

Ps: Na semana passada, minha prima de 18 anos foi sequestrada, mantida em cárcere privado por dois dias, violentada física e psicologicamente. Não existem palavras para descrever a agonia de esperar por notícias, muito menos o medo de imaginar o que estaria acontecendo a ela onde quer que estivesse. Peço a todos que façam preces, enviem pensamentos positivos a ela e a mãe, sem esquecer de outras famílias e das centenas de pessoas que saem de casa sem saber que, naquele dia, não será permitido voltar.

24 de out de 2009

Está na hora

Nenhuma outra hora é o momento exato de ser feliz senão agora.

Sabrina Davanzo

15 de out de 2009

Lançamento em Varginha


Queridos e queridas,
Amanhã, 16/10, será o lançamento do livro Inverso Meu - Pequenas histórias para gente grande em Varginha.
O evento acontece na Fundação Cultural - Praça Mateus Tavares, 121 Centro (antiga Estação Ferroviária) a partir das 19 horas.

Ficarei muito feliz se passarem por lá!

Beijos,

Sabrina

13 de out de 2009

Medo:


Mocinho invisível e gelado que obriga a prender a respiração, fechar os olhos e cobrir a cabeça com lençol. Tudo ao mesmo tempo e bem rápido.

Sabrina Davanzo

Futuro:


Pedacinho de vida lá na frente que deixa o coração acelerado desde agora.

Sabrina Davanzo

(re) Começo


Estou pronta.
Põe para tocar a música que escolheu para ser tema do nosso amor e comece a escrever nossa história.

Sabrina Davanzo

Endereço


Meu coração arrumou uma casinha simples para eu morar. Com poucos móveis, quando canto, minha voz até ecoa pela salinha. O espaço é tão pequeno que não tem jardim. Não há uma janelazinha para apoiar os cotovelos e dizer bom dia a quem passa.
Fico o dia todo a esfregar uma mão na outra, esperando que alguém bata à porta. Mas parece que não há vizinhos também. Pelo menos eu não os ouço.
Acho que meu coração se enganou... Preciso me mudar logo desse lugar. Não é nada agradável viver em uma rua que se chama Solidão.

Sabrina Davanzo

9 de out de 2009

Não pode esperar


E desde pequena aprendeu que felicidade é coisa muito importante para se adiar. Não desperdiça um só minuto da sua. É feliz a todo custo, a cada dia. Onde já se viu congelar felicidade para experimentá-la mais tarde? Quem deixa para depois sente que o gosto é amargo. Sabor de passado que poderia ter sido e não foi. Sorriso com data de validade vencida.

Sabrina Davanzo

8 de out de 2009

Confiança


Guarda para sempre este segredo: o calor da minha mão pode ser a coragem que lhe falta para atravessar as sombras. Basta que você a segure bem forte.

Sabrina Davanzo

7 de out de 2009

Estrelado



Se hoje, quando a noite chegar, não aparecer nenhuma estrela no teu céu, prometo lhe emprestar algumas. Tenho muitas, que eu mesma fiz.

Sabrina Davanzo


6 de out de 2009

Sem saída


Quando chegou ao final da rua, constatou que esta acabava em um precipício. Terminava sem dar a mão a outro caminho.
Sentiu um frio na barriga... Se até uma rua que foi feita para se emendar a outra, sem nuncar acabar, parou por ali, imagine as pessoas que a percorriam... Poderiam achar que era o fim para elas também. Não quis arriscar olhar lá embaixo. Teve medo de encontrar olhares perdidos. Virou-se e começou a percorrer o caminho de volta.
Ela compreendia que nem sempre o fim da linha, significava o seu fim. Passar novamente pelo mesmo lugar era uma forma de prestar atenção no que estava ao redor e talvez descobrir o que a fez buscar algo que não levava a lugar algum.

Sabrina Davanzo

1 de out de 2009

Consistência



Meu mundo é diamante bruto, ainda sem lapidar. Meus sonhos são pérolas não formadas, ostras em plena árdua função. Meus delírios são pontinhas de orelhas de um coelho prestes a sair da cartola. Minha fala é estrela cadente em seu último instante de brilho. Meus gestos, Deus me livre, não são friamente calculados. Ao contrário, são apitos de chaleiras fervendo água em ebulição. Minha alma é eterea como as explosões cósmicas. Nunca percebo o momento em que elas acontecem, mas sei que existem e isso é o que torna estranhamente diferente cada bendito dia da minha vida.

Sabrina Davanzo