27 de jun. de 2011

Lição

A vida é um teste.
Sem cola.
Sem perguntas óbvias.
Sem respostas fáceis.
Sem que a gente tenha a chance de aprender a matéria antes.
E não pode perder a calma.
E tem que fazer o que sabe.
E tem que terminar a tempo.
E tem que sorrir quando acabar.

Sabrina Davanzo

22 de jun. de 2011

Sobre não esperar por ninguém


Para Gabi, Jéssica, Lili e Paloma:



De todas as coisas que foram ditas,
a mais importante ficou sufocada nas entrelinhas:
a gente não sabe o que vai ser e, apesar do amor que existe,
a cada uma só cabe contar com a própria metade.



Sabrina Davanzo

Descoberta




Por trás dos meus olhos
existe um mundo enlouquecedor
que eu não ouso
desvendar.

Sabrina Davanzo

8 de jun. de 2011

Faz de conta


Realidade é a gente que inventa. A gente pode brincar que é feliz e fica sendo. Igual quando se dedilha uma canção... quem faz o som senão as nossas próprias mãos?
A gente é capaz de fazer nuvem da poeira e nem sabe... só precisa levantar e sacudir.
A gente traz no peito uma máquina que fabrica sonhos só nossos, mas a máquina não funciona se a gente não der corda e emperra se a gente não usa.
E Deus lá criaria alguma coisa sem utilidade?
Tem que sonhar, tem que querer.
Eu sempre quero e aprendi a fazer colar com as lágrimas que caem quando um sonho sai meio torto. O sonho eu levo de volta para a forma, pra ver se ganha outro molde, e o colar eu penduro no pescoço que é pra tristeza ficar bonita.


Sabrina Davanzo


7 de jun. de 2011

Significado




Esperança é quando a gente tem um guarda-chuva colorido
para usar nos dias de tempestade.


Sabrina Davanzo



6 de jun. de 2011

Pra quem é de qualquer lugar

Vale a pena conferir o trabalho lindo da Designer Fabrícia Batista (tem ilustrações fofas que vou começar a "roubar" para o Inverso = D ).

Clica aqui: www.fabriciabatista.com.br



Sabrina Davanzo

3 de jun. de 2011

Conversa

Sentir, entender, aceitar.
Vez em quando é tão difícil. Eu tenho mania de explicação.
No fim, eu sempre te obedeço, mas como eu fujo dessa hora. Deve ser por isso que dói por dentro.
Dizem que você sempre compreende.
Tem certeza que tá aí me vigiando o tempo todo? Eu olho para cima e não te acho. Não consigo te ver.
Em que estrela você mora?
E se eu te pedir para esperar só mais um pouco (tenha paciência comigo)?
Ainda não sei o que fazer... por enquanto eu vou ficando...
Aparece e conversa comigo?
Você sabe de tudo, você sabe de mim.
Preciso de você.

Sabrina Davanzo

29 de mai. de 2011

Fim




E quando a história acaba,
mas a gente esquece de fechar o livro e guardar na estante?



Sabrina Davanzo

26 de mai. de 2011



Ponto final

Obstáculo que impede que as palavras sigam em frente
e continuem narrando uma história.


Sabrina Davanzo

22 de mai. de 2011

Sem sentido



ver e não enxergar
escutar e não ouvir
tocar e não sentir
falar e não dizer
por que meus sentidos me traem?

Sabrina Davanzo


19 de mai. de 2011

Ainda não


Diante da possibilidade de ter, aos 28 anos, uma casa própria, em um lugar previamente estabelecido, me pego pensando: não quero me condenar a viver aqui para sempre. Ainda tenho muito o que andar até encontrar um lugar para morar.

Sabrina Davanzo

Aceita?



A gente pode tomar um café.
Tomar um avião e ir pra Paquetá (nem sei se é brega, mas vá lá...). Vai que dá?

Não se faça de difícil não.
Vem, toma minha mão e me leva pra qualquer lugar.
Eu sei que pode ser irrelevante o que eu sinto nesse momento,
mas é importante (pelo menos para mim) que você saiba que eu não sou sempre assim,
não costumo me oferecer. É que eu to querendo mesmo você.

Diz que sim? Será um prazer.

Sabrina Davanzo

*Inspirado em um Job aqui da agência = )

15 de mai. de 2011

Suspeita


Às vezes, no auge das minhas preocupações e ansiedades, eu gosto de pensar que Deus, sentado em sua cadeira grande e confortável no céu, olha para mim aqui embaixo, sorri e diz baixinho:
- tsc, tsc, tsc. Sua boba, você não sabe de nada.
Tomara mesmo que eu não saiba e que os seus planos sejam maiores do que as minhas perspectivas. Eu não quero entender, só quero confiar que cada coisa acontece no tempo e do jeito certo para que eu possa viver plenamente.


(Amém)

Sabrina Davanzo



À deriva


Tem dias que o barco vira e a gente cai em pleno mar, sem saber nadar.
Os braços tentam se agarrar às ondas, os pés tentam encontrar a terra firme. É pouco fôlego e muita água num lugar que de vazio não tem nada. O mar é cheio, tão cheio que engole a gente com medo e tudo.
O mar revira os cabelos, arranca a roupa com violência. Expõe nossa nudez diante de quem está seguro na areia. E quem é que vem nos salvar? Ninguém se arrisca... o mar é traiçoeiro.
A gente torce por um milagre, torce para sair nadando na marra, fecha os olhos para não enxergar o que existe no fundo e bate os braços. A gente não para de bater. Nunca. Até o fim.


Sabrina Davanzo



13 de mai. de 2011

Estado Sólido



A leveza das borboletas.
A capacidade dos girassóis de se voltarem para a luz.
O bumbum dos vagalumes que ilumina a escuridão.
As abelhas e formigas que se relacionam sem se afetarem.
A cambalhota - mecanismo de defesa - do tatu bola.
Tem vontade de ser qualquer coisa menos humana (limitada) quando se detém nas espertezas do universo.
Tem vontade de ser outra menos preocupada com o que está por dentro e mais conectada com o que há por fora.
Ás vezes, é tanta nunvem que parece que o sol desistiu e foi embora. Quando é assim, ela ouve a musiquinha que fica tocando lá onde está guardado o coração. Um ritmo macio (tum tum - tum tum - tum tum) canta que "se o sol não vier hoje outro dia ele vem.... lalala.. outro dia ele vem. Não fique triste, meu bem."

Sabrina Davanzo

12 de mai. de 2011

Premonição


Pode ser um arrepio, um calafrio percorrendo a espinha. Pode ser uma espécie de sussurro ou o piscar de uma luz na escuridão.
É um estalo no meio da tranquilidade. Discreto. Quase imperceptível.
Tem que estar atento para percebê-lo. Tem que querer entender o que o recado quer dizer. Ele acontece, não é lenda. Quase sempre a gente recebe avisos de quando não é para ser, de quando a gente não deve se meter.
E quem é que quer ouvir? Nessas horas a gente é surdo, cego, insensível.
"Depois não diga que eu não avisei". Mas a gente diz. Diz porque alguém tem que levar a culpa por nossa persistência, mesmo sabendo que não era para agir assim.
Talvez se tivesse sido gritado para mim... Assim discreto, de leve, não acreditei, não aceitei. Fingi que não ouvi as batidas na porta, enquanto no rádio tocava a canção que eu escolhi e que me dizia para ir além.
Mas você veio me avisar...
Ah, premonição! Infelizmente, eu já deveria saber que você custa falhar! Você é certeza de tombo com placa em letras garrafais: cuidado! Piso Escorregadio!

Sabrina Davanzo


3 de mai. de 2011

Verbo

Para ouvir lendo: clock


E se eu viajasse?

E se eu (não) fugisse?
E se eu (não) ficasse?
E se eu dormisse?
E se eu (não) me escondesse?
E se eu não ligasse?
E se eu escolhesse?
E se não?
E se eu (não) falasse?
E se eu corresse?
E se eu (não) aceitasse?
E se?
E se eu me entregasse?
E se eu não engolisse?
E se eu não (me) respeitasse?
E se eu (não) duvidasse?
E se eu amasse?
E se não?
E se eu acreditasse?
E se eu (não) fosse?
E se eu desistisse?
E se?
não
Verbo é ação. Eu sou feita de verbos.
Todo verbo implica a existência de um tempo que define para sempre o que será pretérito (perfeito ou não) e o que será o futuro. O presente é uma decisão.
Embora me custem um pouco de alma para serem conjugados, não fossem eles talvez eu nem vivesse.


Sabrina Davanzo

2 de mai. de 2011

Perdas



Reconhecer a derrota também é uma forma de vencer.
Estou exausta por ter insistido tanto... Perdi.
Entrego os pontos com uma sensação de que foi ridículo ter tentado,

ter usado todas as armas que eu tinha, ter me exposto tanto.
Mas eu nunca saberia...

Você venceu, destino.
Vou me retirar, preciso me preparar para a próxima batalha.



Sabrina Davanzo

29 de abr. de 2011

Cárcere


Gaiolas,
por mais bonitas, espaçosas,
coloridas e confortáveis que sejam,
são sempre prisões.

A gente deveria parar de acumulá-las nas paredes da alma,
encarcerando sentimentos e pessoas.

Vive mais feliz o coração que pode,
a qualquer momento,
alçar voos e pousar onde quiser.
É sempre mais doce e sereno
o que cresce sem limitações.

Deixa vir..
Deixa partir quando chegar a hora...


Sabrina Davanzo

27 de abr. de 2011

Na pele


Se eu soubesse como não me deixar consumir por qualquer coisa, eu seria mais inteira. Sempre coloco um peso que não posso suportar nas situações e me despedaço. Queria não me importar tanto porque no fim acontece o que tem de acontecer, independente das minhas vontades. E isso também passa.
Queria me impressionar só com o que vale a pena, gastar mais meu tempo com as coisas possíveis, com a felicidade real, e menos com as suposições.
Estou sempre tão preocupada com as respostas que esqueço de contemplar as perguntas e acabo não sabendo nem o que buscar. Perdida entre o que está por vir e o que ficou para trás, não aproveito o presente. As conexões me roubam a atenção, enquanto eu deveria apreciar o destino para onde elas me conduzem.
Falta equilibrio, sobra frustração. Eu vivo elevada ao quadrado, à máxima potência de sentimentos.
Descubro em minha própria pele que sofre mais quem se entrega e se apega. Eu sofro.


Sabrina Davanzo