11 de nov. de 2010

Colheita


Meu pensamento estava em pleno salto
quando soube que não havia uma grama macia
Pensamento é fruto que dá na árvore da imaginação
tem que ficar de olho
se não vem o coração e apanha antes da hora
se não ele cai de maduro, como agora
Bem feito!
Onde foi que ele aprendeu que fruta
por mais deliciosa que seja
quando vai ao chão não sofre arranhão?
Antes tivesse ficado preso ao pé
morrendo de medo
mas experimentando, em segredo, o gosto doce da ilusão

Sabrina Davanzo


10 de nov. de 2010

Ainda não



Não quero falar de mim. Ainda não estou pronto para me saber.



Sabrina Davanzo

Chama



Quando fica triste e só ele brinca de pique esconde, procura dentro dele a felicidade.
Ela está bem ali: uma chama escondida atrás de preocupações e ilusões, mas basta olhar com os olhos do coração e ela aparece.
A felicidade mora nele... é que vez em quando fica emburrada e fecha as janelas de casa.



"Nosso propósito nesta vida é recuperar a saúde do olho do coração através do qual se pode ver Deus"
Santo Agostinho

Sabrina Davanzo

9 de nov. de 2010

Amor?


Eu queria saber falar do amor

Eu queria entender o amor
Eu queria experimentar o amor

Dizem que enlouquece
Dizem que completa
Dizem que cega...

Eu queria achar...
Alguém que entendesse o que o amor significa
Alguém me explicasse como ele funciona
Alguém que me falasse como ele acontece

Dizem que amor não se procura
Se encontra
Dizem que não precisamos ir atrás dele
Ele vem até nós

Será que ele vem como um brisa?
Ou envolve como um dia frio?
Que sensação ele causa?
Será como uma rajada de vento?
Ou como a fúria de um furacão?
Será que é gostoso como um banho de chuva?

Como é o amor?
Como se sente?
Como se vive?
Como se sabe que é amor?

Como explicar algo que nem quem viveu entende?
Dizem que o amor é cego
Mas eu acho que cegos...
Somos nós

Gabriela R.

Este texto foi escrito pela minha amiga Gabi e foi postado aqui para que ela nunca se esqueça de que é capaz de amar e ser amada.

Gabis, a poesia vive em você. Permita-se.

Sabrina Davanzo

5 de nov. de 2010

Dicionário




Ilusão

Fita de tecido transparente que envolve os olhos e impede que a realidade seja vista.



Sabrina Davanzo

Ítaca


- Ulisses, por que você tem andado tão parado? Nem parece satisfeito com esse aquário só para você...


- Ulisses, por que você não tem mais vontade de nadar nessa água toda sua?

- Ulisses, você não está feliz? Sua barbatana já não é mais tão colorida....

- Ulisses, você não percebe que tem toda a liberdade que precisa nesse espaço?

- Ulisses, você está seguro aí dentro...

Ulisses partiu e não houve como evitar. Às vezes, a gente pensa que está fazendo o suficiente: troca a água, lava o aquário, dá comida, conversa... Mas Ulisses desejava mesmo era essas coisas de peixes vividos, experientes...

- Você queria o mar, Ulisses. E o mar eu não poderia te dar. Desculpa...



Ps: Ulisses viveu por muito tempo em um áquario pequeno até que envelheceu e cansou de nadar sempre no mesmo lugar.


Sabrina Davanzo


4 de nov. de 2010

No caminho


… pode-se comparar à sensação de caminhar em um corredor estreito, margeado por flores que beijam suas canelas na medida em que você avança.
Ao serem tocadas, elas fazem uma espécie de cócegas doce e divertida. Suas pétalas sacodem levemente o pingente da tornozeleira.
É uma reverência simples que, na pressa, você nem nota.
Tenho me demorado pelos caminhos só para receber esses beijos que são capazes de mudar toda a cor do dia.
Atribuo a esses momentos o nome de paz, mas talvez não seja bem isso... Porque paz é quando além de sentir os lábios das flores, você consegue ouvir o que elas lhe dizem.

Sabrina Davanzo

3 de nov. de 2010

No espelho


Quando saiu, deixou um recado escrito com batom no espelho:

A vida tem me consumido de uma forma maravilhosa. Há muito tempo não experimentava dias tão intensos.
Estou me permitindo... Chego a ficar exausta de tanta felicidade.
Não espere por mim, pode ser que eu não volte.

Sabrina Davanzo



Para as pessoas especiais que me proporcionam momentos inesquecíveis e me fazem aproveitar cada segundo. Amo!


27 de out. de 2010

Queimando

.... tudo isso que lhe digo se assemelha ao fogo ávido que consome uma folha de papel, varrendo para sempre suas memórias. É rápido, intenso, triste, devastador, angustiante, mas é belíssimo porque há muita vida no desespero das chamas. Há um calor escaldante. Pior é padecer congelado...

Sabrina Davanzo

Paradoxo


É de quietude que eu preciso quando saio a gritar feito doida dentro de mim.


Sabrina Davanzo

Espanca

Quem é que nunca recebeu um duro golpe da realidade a ponto de não conseguir abrir os olhos?
Quem é que nunca tropeçou nas armadilhas do destino?
Quem é que diante da má sorte não chora feito menino?
E a gente nem sonha... Nem sonha o que se passa na lona depois de ser atingido.
Levanta... Leve... Levanta... Leva... levanta... lava...
Quem é que nunca se viu nas mãos de algo mais forte e poderoso que seus joelhos, tornando-se impossível não dobrar-se?
Atire a primeira pedra aquele que tem coração blindado, que tem o cotovelo engessado e nunca sentiu dor.

Sabrina Davanzo

26 de out. de 2010

Verdadeiro ou falso?

Eu invento felicidade para me enganar. Acredito tanto que já não sei se essa alegria é de mentira ou de verdade.

Sabrina Davanzo

25 de out. de 2010

Hortências e Hibiscos


Para Jéssica, Paloma, Gabriela e Lilian
Em agosto decidimos comprar pacotes para uma estadia em um Spa.
“Vamos, gente! Estamos tão estressadas”, “Vai ser legal, vamos?”
Vamos. Conseguimos agendar nossa ida – horários, compromissos, agendas apertadas- só para dois meses depois.
Quanta coisa vivemos nesse tempo...
Neste fim de semana, finalmente, fizemos nossa viagem. Foi no momento em que cada uma realmente precisa estar ali. Precisava parar, refletir, respirar.
Somos cinco. Cada uma com sua história. Famílias, amores, carreiras, pontos de vista. Cada uma traz no coração alguma aflição, embora tenhamos uma vida maravilhosa.
Nós choramos. E como. Diante de nossas fraquezas, da grandeza da vida, da natureza perfeita ao nosso redor. Choramos por dentro, por fora, de olhos fechados, embaixo d’água.
Nós rimos. O tempo todo. De tudo, para tudo, como se nada fosse capaz de nos fazer infelizes.
Tivemos conversas sérias próximas à fogueira, relembrando o passado com músicas velhas na tentativa de extrair um pouco de verdade em suas letras. Era uma forma de nos definirmos. O tempo todo cada uma de nós colocava na balança os prós e os contras de nossa própria existência.
Confinadas ali, só podíamos remoer o que nos consome e tentar achar uma explicação, uma saída mais digna.
Às vezes, ouvindo alguém falar de si, passava por nossas cabeças um certo alívio de nunca ter experimentado aquilo. “Ainda bem que nunca passei por isso...” ou talvez alguma coisa próxima da gratidão... “Nossa, a situação dela é difícil. Não posso reclamar, para mim não é assim...”
O fato é que a vida nos imprime marcas e cada um se recorda muito bem de como as suas apareceram ali.
O tempo todo agradecíamos a Deus pela comida (suco de maracujá, geléia e aquele pão de queijo), pela oportunidade de conhecer um lugar tão lindo, cercado por montanhas e uma cachoeira tímida que serviu para lavar a alma (e até tomar um caldo!).
A hora passou devagar, era só um dia, mas parecia um mês. Tivemos tempo para pensar na vida, na morte das coisas que acreditamos e, (por que não?), no quanto reclamamos sem motivos.
Talvez o segredo seja estar aberta e atenta às coisas simples da vida. Enxergar cada pedra no caminho tendo a certeza de que aquele é o lugar dela... perceber os sapos minúsculos que pululam por todos os lugares na mata enorme provando que o mundo não para, desde a água da cachoeira até os nossos sentimentos, tudo está em movimento. Esse pensamento, de alguma forma, nos deixa mais leves.
Tivemos tempo de criar um roteiro de filme de terror, imaginando todos os clichês do cinema, entre gargalhadas e lágrimas de alegria. Nossa imaginação ganhou asas, mostrando que é possível nos afastarmos dos “problemas” – Sempre vai existir uma saída!
Não poderíamos ter ido outro dia. Ainda vejo as montanhas e ouço nossas conversas e conselhos.
Lá, algumas vezes nos questionamos se Deus não manda sinais, acreditamos que é no silêncio que ele nos fala e por isso tentamos desesperadamente nos calar, ficar em paz. Mas descobri que ele também fala através das pessoas que coloca ao nosso lado, fala através dos momentos felizes, dos gritos de desabafo, das risadas escandalosas que compartilhamos com elas, comendo o melhor pão de queijo do mundo.
No sábado de manhã éramos colegas de trabalho, hoje somos amigas, cúmplices de fatos importantes na vida de cada uma.
A vida muda tudo o tempo todo, afasta e aproxima, constrói e destrói. Essa grande verdade e aquelas montanhas são coisas maravilhosas de se ver.
Ps: Hortência e Hibisco eram os nomes de nossos quartos.
Sabrina Davanzo

22 de out. de 2010

Carrossel de conflitos

Vazio... alívio... saudade... liberdade... vazio... saudade... alívio... liberdade...

Nesse carrossel distinto os cavalinhos brigam o tempo todo. Chamam minha atenção para que eu me decida a qual deles devo me agarrar e não soltar até a cabeça parar de girar. Até aquela música parar de tocar.
Não sei o que fazer com eles...
Qual deles ocupa mais espaço em minha mente? Qual deles me aborrece? Qual deles me enternece?
Existe um ponto de equilíbrio que não seja o eixo em que se encontra um desses cavalinhos?

Sabrina Davanzo

20 de out. de 2010

Um limão, meio limão

A Malu, do blog Pangeia de dois, fez um vídeo/postal lindo, cheio de sonhos, e me mandou lá do México de presente.
Acho que vale a pena dividir com vocês. Cliquem aqui para assistir: " que seja doce"

PS1: aproveitem para assistir aos outros também. São fofos!

PS2: obrigada, Maluzita! Lindo, lindo! Amei!

Sabrina Davanzo

19 de out. de 2010

Firmamento




E um dia, não se aguentando mais no firmamento, o céu desabou sobre a sua cabeça. A lua caiu desengonçada e acabou comprimindo sua garganta com uma de suas faces pontiaguda. As estrelas, pesadas, batiam no alto de sua cabeça para depois rolarem pelo chão. Contando assim parece divertido, ter o céu aos seus pés, mas na hora foi bem dolorido. Alguma coisa ali soluçava baixinho, era um xororô só.
Depois de algum tempo, o céu decidiu que tinha que voltar para o seu lugar. Juntou as estrelas partidas, a lua pela metade e a escuridão para ir embora, mas antes, deixou sobre seus hematomas algumas nuvens carregadas que mais pareciam algodão encharcado.
Mais tarde, ela viu umas luzinhas apontarem no horizonte. Numa mistura de amarelo com laranja, as luzinhas iam tomando conta de todo o azul escuro quase preto. A lua foi repousar e as estrelas se esconderam, assim como as marcas deixadas pela noite em seu corpo.
Algumas horinhas e tudo mudou... só precisou ter paciência. E algumas nuvenzinhas, claro.

Sabrina Davanzo


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Não, eu não vou falar da sua dor aqui porque não tenho esse direito e porque para quase tudo que realmente importa nessa vida não existe palavras. Sua dor é uma dessas coisas que não se discute, mas será que irá doer menos se eu disser que vai dar tudo certo? Que daqui alguns anos a saudade nem vai doer? Que ele foi uma pessoa maravilhosa e você deve agradecer por tê-lo tido por perto?
Tornará mais leve se eu disser que dói um pouquinho em mim saber que você está passando por isso?
Eu sei. Não há nada que eu possa fazer, ainda mais com toda essa distância. Também sei que nessa altura não adianta muito qualquer coisa que eu diga, mas ainda assim, se eu pudesse te dizer alguma coisa agora, diria que ele está em paz e que existe um plano para que tudo fique bem, para que a vida continue seguindo em frente.
Isso é tudo o que eu desejo. Isso é o que tenho pedido para Deus.

Para M. e Th.

Sabrina Davanzo

Narciso




Estou tentando me ser apesar de mal me conhecer. Estou tentando fazer as pazes comigo e com as escolhas erradas.
Estou tentando me acostumar à aspereza da minha pele. Estou buscando acima de qualquer coisa perdoar-me.
Estou me comprando com livros e frases feitas. Estou me conquistando com longos monólogos diante do espelho.
Eu já não me assusto e arrisco a dizer que mais um pouco de convivência acabo me apaixonando por mim.

Sabrina Davanzo

17 de out. de 2010

Doação


Existe uma doença muito comum que muitos não reparam e outros tantos ignoram, mas ela está presente em quase todos. Trata-se de amor reprimido. Sabe aquela vontade de dar o melhor de você, de amar, de oferecer carinho e não ter a quem entregar? Dentro da gente tudo isso vai virando um peso, quase arrebenta o peito querendo sair para fora, explodir em outro coração.
Não tem remédio que cure essa doença até que apareça alguém disposto a receber tudo o que você tem para doar. E o pior é que temos a impressão de que as pessoas estão procurando por isso, quando na verdade a maioria traz o peito em chamas. Parece não ter solução. Eu mesma estou padecendo desse mal e espero na fila de doadores a minha vez de fazer alguém feliz.

Sabrina Davanzo

15 de out. de 2010

Relógio



São tantas as minhas horas de insônia que até decorei o exato momento em que as lágrimas da madrugada se
condensam em orvalho.

Sabrina Davanzo