28 de jun. de 2010

Com todas as letras


Então, me diga você: de a a z o que é que falta para a gente se entender?


Sabrina Davanzo

27 de jun. de 2010

Partiu


A felicidade é tão efêmera que quando me dou conta de que a estou sentindo ela já está indo embora.


Sabrina Davanzo

25 de jun. de 2010

Composição


O ser mais delicado, mais sensível, não se compara ao que sou. Sou de papel de seda, asa de borboleta, casa de caracol, corpo de libélula. Não tenho composição definida. Sou etérea, sou completamente mortal.


Sabrina Davanzo

Sempre aparece...


Sempre tem um sol por trás das nuvens escuras. Dá para ver o seus raios entranhando o céu, dá pra sentir o seu calor.

Você não me engana, mau tempo. No fundo, eu sei que você queria ser bom. E vai ser. Eu sei! O sol vai aparecer.

Sabrina Davanzo

21 de jun. de 2010

Acorda

Abre os teus olhos,
devagar,
que é pra luz não incomodar.

Estica os braços,
com força,
que é tempo de começar.

Levanta-te,
põe-te a sorrir
que é hora de ir.

É (a)manhã de novo
tens de acordar
é hora de despertar.

Sabrina Davanzo

20 de jun. de 2010

Joguinho das relações



Tira daqui, põe ali. Tira dali, põe de cá. Não, volta. Arreda pra lá. Traz pra aqui. No final, só resta um. Eu.


Sabrina Davanzo




19 de jun. de 2010

Inverso na Quina Galeria


O livro Inverso Meu - pequenas histórias para gente grande - está disponível na Quina Galeria aqui em Belo Horizonte. Se você tem interesse em comprar um mas tem preguiça de pedir pela internet ou não quer pagar frete, essa é uma ótima opção. Aproveite para ver as coisinhas lindas, de uma galera super talentosa, que vende por lá.

A Quina Galeria fica no Ed. Maleta, segundo andar, na Rua Augusto de Lima, no centro.


Sabrina Davanzo


18 de jun. de 2010

Dias de feira



Segunda. Ausência. Terça. Ausência. Quarta. Ausência. Quinta. Ausência. Sexta. Ausência. Sábado. Ausência. Domingo. Ausência. Paciência. Não sei onde estou nos dias da semana.


Sabrina Davanzo

17 de jun. de 2010

Piano


Ela desconfia que carrega um peso desnecessário em sua vida. Pior é que ela não sabe como se livrar dele.

Sabrina Davanzo


Joaninha



Joaninha tem bolinha
e é toda delicada.
Seja moça com pressa
ou desanimada,
quando vê Joaninha
fica toda apaixonada.


Sabrina Davanzo

Documento


Martinha sempre levava na bolsa apertada alguns recortes que gostava. Tinha para si que um documento frio e verde de identidade, definitivamente, não conseguia dizer quem ela era, não lhe traduzia o estado de espírito. Então, caso fosse preciso apresentar um documento, em qualquer ocasião, Martinha mostrava os recortes.

Certa vez, na repartição, o atendente com cara mal dormida lhe pediu: “Documento, mocinha”. E lá foi Martinha caçando um recorte que combinasse com aquele dia. Entregou ao homem o recorte de um dia de sol. Sem paciência, o funcionário devolveu o pedaço de papel e resmungou que aquilo não a identificava. Martinha insistiu: “identifica sim, Senhor. Pois hoje sou desse jeitinho que o Senhor vê. Sou serena, estou radiante e iluminada.”
Noutra vez, Martinha apresentou na entrada para o cinema a imagem de uma girafa distraída, olhando para o nada, porque se dizia nas nuvens, pensando na vida.
Poemas, letras de Chico, arco-íris, guerra de travesseiro, neném no colo, gatinho tomando leite. Tudo podia ser Martinha, menos aquela foto séria e sem expressão do seu documento que, tão equivocadamente, chamava-se identidade, posto que não identificava nada. Ninguém poderia dizer quem era Martinha através dele. Bastava prestar atenção nos recortes para conhece-la.

Sabrina Davanzo



Dúvida


Estou com vontade de mudar. Não sei se de coração ou de lugar.



Sabrina Davanzo

Pedalando


Viver é andar de bicicleta. É você quem escolhe a direção, basta segurar firme o guidom. Uma vez pedalando, você está sujeito a tombos e arranhões, mas vale a pena.
Considere a brisa no rosto, a liberdade. Pense no movimento das pernas que nunca param e em tudo o que irá descobrir pelo caminho.
Sim. Viver é andar de bicicleta. E é permitido, inclusive, levar uma companhia. Vem comigo?


Sabrina Davanzo


16 de jun. de 2010

Machucado


Eu tenho uma ferida aberta que procuro esconder com curativos de mentira.
Mas acontece que feridas abertas são verdades escancaradas e mais cedo ou mais tarde sentirei suas fisgadas.
Preciso perder esse medo do “vai doer”, preciso perder essa aversão de ter que tocar nessa coisa feia para curá-la.
É difícil lidar com a verdade, esse antídoto amargo que incomoda, arde.
Por baixo do curativo confortável existe uma mentira dilacerando a minha pele. Preciso agir rápido, expor é a melhor forma de fazer sarar.
Essa ferida um dia será uma cicatriz. Um troféu tatuado em meu corpo mostrando que eu venci.

Sabrina Davanzo


11 de jun. de 2010

Aqui embaixo



Daqui debaixo, pouco enxergo, ando meio cega procurando entender teus planos.
Será mesmo necessário?
Daqui, você parece brincar de ensinar lições em que os tombos são para valer.
O vento traz tua risada dizendo que vai passar, mas teu tempo é manso e caminha devagar.
Olhando daqui, é difícil compreender... não tenho a visão privilegiada do meu destino como você.
E todos dizem que você sabe o que faz... nunca erra, é bom e justo.
Eu o obedeço, mas não posso deixar de fazer uma pergunta: eu tenho cura?

Sabrina Davanzo

Se perguntarem...


Se perguntarem por ela, diga que está ausente, fora de si. Diga que partiu e não sabe quando volta, nem se esse é o seu desejo.

Diga que ela foi desatar os nós da garganta e o emaranhado do coração.
Avise que ela foi respirar fora do poço, tentar ouvir outros sons além de seus próprios soluços, escutar outra voz além de sua própria consciência.

Sabrina Davanzo

9 de jun. de 2010

Wallpaper: Vento



Essa imagem aí em cima é um wallpaper que eu e o designer João Célio fizemos para a Papel e tudo.
Para baixar o seu acesse: http://papeletudo.com.br/blog/ e vá em Downloads. Aproveite para conhece o blog e os produtos gracinhas da loja virtual.

Sabrina Davanzo

Assimétrica


Eu gostaria de fazer poesias, mas me faltam as rimas. Minhas falas são só desencontros. Pareço não saber juntar a com b.
São tantas palavras que não sei o que fazer com elas. Essa vida cheia de opções...
E eu não sei o que escolher, não nasci para combinações.
Até hoje não sei o que é melhor para mim, quem dirá para compor uma métrica.
Meus olhos... Ah! Estes sim veem poesia em tudo. E são verdes...

Sabrina Davanzo

Disfarce


Pendurou nas orelhas brincos de diamantes que reluziam um brilho que não tinha.

Na boca, passou um batom vermelho sangue para lhe atribuir uma sensualidade que não possuía.
Colocou uma flor nos cabelos para exalar uma primavera que não sentia.
Calçou saltos que a deixaram de um tamanho que sozinha nunca alcançaria.
No pescoço, pendurou um pingente de chave que descansava perto do coração que nunca abria.
Pintou os olhos com sombra azul cor de um céu que nunca via.
Dançou a noite toda, empunhando garrafas de vodka barata, músicas com letras em alemão cujos significados nunca saberia.
Apossou-se de um desejo de liberdade que jamais conheceria.
Queria agir como louca, meio morta, meio viva, chamar atenção pela vivacidade de seus gestos como jamais se permitiria.
Era em pessoa, em carne e osso, uma valsa de negação: ESTA NÃO SOU EU. ESTA NÃO SOU EU.

Sabrina Davanzo

Passaporte


Pegou o mapa mundi em forma de globo no último compartimento da estante empoeirada. Colocou-o no chão e sentou-se a sua frente que nem um indiozinho. Rodou o globo, apontou o dedo, conferiu o destino, fechou os olhos e foi.


Sabrina Davanzo