19 de mai. de 2010

São meus olhos?



Não vejo mais os coelhinhos pulando no jardim. Será que eles cansaram e foram embora?
Também não sinto mais as borboletas pousarem em minhas mãos. Será que elas nunca estiveram aqui?
E o que dizer das abelhas que todos os dias faziam um zum zum zum trazendo mel para tornar minha vida mais doce? Meus olhos já não enxergam nada além da relva seca...
Meu Deus: ou eu estou ficando cega ou sempre fui louca.

Sabrina Davanzo



17 de mai. de 2010

Ao contrário


Cada dia que passa, algumas coisas parecem fazer menos sentido. E, por mais incrível que pareça, isso é bom.

Isso é o começo.

Sabrina Davanzo

Por dentro

Assim como o grão de areia, que se refugia dentro da ostra sem pensar no mal que causa a ela, eu me escondo dentro de mim.
Para encontrar minha pérola, é preciso mergulhar e buscar no mais profundo de meu ser. Arrancar uma a uma as muitas cascas que me protegem.
O que está acontecendo aqui dentro enquanto você prefere a superfície? Enquanto você pensa se deixa sua cômoda embarcação para se aventurar no fundo desse mar?
É uma reação química, física. É um tesouro. Não é fácil me encontrar...

Sabrina Davanzo

14 de mai. de 2010

Em casa...


Estou indo para a casa encontrar o que nunca perdi.
No caminho, vou deixar um pouco da minha angústia...
Estou indo para a casa porque lá, finalmente, fico longe de mim e perto do que considero verdadeiramente amor.

Sabrina Davanzo

Direção



Quando se está ao sabor amargo do vento, não há muito o que fazer a não ser rezar para que ele mude a direção e o gosto.

Sabrina Davanzo


12 de mai. de 2010

...

Quero me perder...
E só...

Sabrina Davanzo

11 de mai. de 2010

À mão livre


É sabido que, ao nascer, você é convidado para fazer um grande desenho à mão livre. É também uma regra, já estabelecida, que você deve dar asas à criatividade e, para isso, recebe uma caixinha com lápis de cor.
Aconselho-o a abusar do verde, vermelho, amarelo e laranja sempre que puder. Deixe o preto para as noites, enfeite-as com um pouco de prata e terás um belo luar. Deixe o cinza para os elefantes e terás um animal divertido e grandalhão. Lembre-se: os dias devem ser invariavelmente de céu azul de brigadeiro.
Tenha a mão firme para que o seu traço não falhe. Para o caso de erros graves, há, ainda que rara, a chance de começar de novo.
Faça o que lhe vier à cabeça, mas não repouse nunca o seu lápis. Não espere uma flor secar para começar outra... Não deixe um cãozinho que seja, à espera de afeto.
Haja o que houver, complete o seu desenho. Não faça como os medíocres que chegam ao final com seus desenhos apagados, sem expressão e culpam as cores limitadas que receberam. Não seja tolo! Você tem em suas mãos uma caixa de possibilidades e é você quem deve criar o seus tons, desenvolver suas vontades.
É mesmo um grande presente ganhar uma folha em branco, novinha para criar a vida - uma história inesquecível – do jeito que você desejar.


Sabrina Davanzo



6 de mai. de 2010

Nota


Meu bem, você consegue transformar qualquer noite de lua encoberta
em festa mágica de Cinderela.

E é por isso que sempre irei amá-lo.
Fique com a certeza de que ao seu lado a estrada é de tijolos amarelos
porque você é doce, terno e agradavelmente desajeitado.

Onde quer que eu esteja, irei amá-lo.
Você é o meu príncipe. Único e para sempre.
Haja o que houver, irei amá-lo.

Sabrina Davanzo



4 de mai. de 2010

Que seja permitido


Que seja permitido confiar em intuições que chegam quando a razão adormece.

Que seja permitido não parar de sonhar independente das dificuldades.
Que seja permitido acreditar de olhos fechados nas pessoas.
Que seja permitido experimentar o amor quantas vezes for necessário.
Que seja permitido aprender ainda que às custas de erros.
Que seja permitido recomeçar quantas vezes for necessário.

Sabrina Davanzo

Para as visitas


Visitas são, na maioria das vezes, pessoas queridas que aparecem para trazer um sorriso, uma palavra de carinho, um pensamento positivo.

Hoje o InVerso acaba de completar 26 mil delícias assim. Algumas pessoas vêm aqui há tanto tempo que já são de casa, entram sem bater. Outras, deixam uma lembrança.
Obrigada queridos e queridas por sempre aparecerem para "ver como estão as coisas". Obrigada por deixarem suas palavras lindas e reflexivas.
Deixo aqui um beijo doce para cada um que passa por este cantinho.

Sabrina Davanzo

Porto seco



E se a gente não tem um porto seguro para chegar
como é que se atreve sair ao mar
sem ter ao certo onde parar?

Sabrina Davanzo


Pés cansados


Por muito tempo acreditei ser eu mesma a responsável por trilhar meus próprios passos. Hoje, um misterioso magnetismo me atrai para longe de onde quero estar provando que não sou eu quem decide o caminho. Parece haver uma força maior, uma bússola que orienta em direções desconhecidas por mim, diferentes das que eu escolhi. Meus pés estão cansados e ainda há tanto que caminhar...

Nessa altura do trajeto as pausas são raras assim como as sombras das árvores. Já não alcanço a mão daqueles que ficaram para trás. Estou só neste caminho que é só meu. Se há o que comemorar, são as perdas. Cada vez que avanço, perco-me um pouco mais, afasto-me do que me fez acreditar ser o ponto de chegada. Sinto-me enganada... meus pés estão cansados...

Sabrina Davanzo

3 de mai. de 2010

A vida que eu quero...


O que eu quero da vida é outra vida porque esta parece já não me caber. Não comporta minhas experiências, é demasiada pequena para o que eu sei. Oh, Deus! Esta vida é tão leve para o peso do meu espírito cansado que de vez em quando minha alma sobe aos céus para lhe implorar providências divinas.
Tal como um limbo é o lugar em que encontro-me para tentar ser feliz apesar de. É trabalho para Hércules. De onde arrancar toda força necessária?
Poderia eu ter a forma que mais me trouxesse paz? Pois te pediria para transformar-me nos seres ainda desconhecidos que habitam as profundezas dos mares. Imploraria para que me fizesse uma ave rara que voa até o infinito e repousa no topo da montanha mais alta e inalcançável. O que eu temo, o que eu não quero é continuar nessa condição humana onde existe dor até na alegria. Eu que já descobri que ela finda como uma água na fonte. A alegria passa.
A vida que eu quero não tem nome. É começo de tudo, um nada, um não compreender, não existir. A vida que eu quero transcende o meu ser.

Sabrina Davanzo

26 de abr. de 2010

Regra

Aos poucos, começo a perceber a complexidade de uma regra simples que diz: viva sem medo de ser feliz.

Sabrina Davanzo

Carrossel


Meus sonhos um dia já foram do tamanho de uma roda de ciranda e meus passos serviram para delimitar o tamanho do campo de jogar “queimada’. Naquele tempo, era minha obrigação me esticar, do jeito que desse, para segurar uma peteca de penas coloridas que cortava o céu das tardes de quando eu era do tamanho de uma pedrinha de jogar 5 Marias.
Ainda guardo um arranhão no joelho que denuncia o quanto eu me aventurava em correr ao invés de caminhar. Naquela época eu fui mãe, cozinheira, professora, modelo, guerreira, fui a mais rápida do pique no alto, cheguei primeiro no pique esconde. Engraçado como eu podia ser tudo o que queria...
Nunca fui tão longe como naquele tempo. Saía de casa para ganhar o mundo na rua de cima e parecia ter atravessado de um hemisfério ao outro.
Aquele foi um tempo em que a vida era uma eterna descoberta. Mas eu, que de tão pequena cabia dentro do céu da amarelinha, não tinha maturidade para perceber que já ali, naquelas brincadeiras, começaram minhas experiências e saudades.

Sabrina Davanzo


22 de abr. de 2010

Convivência



E se hoje o dia está azul, agradeça a mim por fazer de tudo para conviver em harmonia e paz com esta que habita o meu corpo e insiste em dizer que sou eu. Não me reconheço, mas pratico a política da boa vizinhança e me ofereço pudins, bolos e tortas. Isso acalma minha imaturidade, me faz abrir um sorriso de criança em meio a essa vida adulta. Acabo por sentir um suspiro do meu verdadeiro existir, me agarro a ele e ouço-o sussurrar: "eu ainda adormeço dentro de ti..."

Sabrina Davanzo


19 de abr. de 2010

Faces


Dentre as várias de mim que sou, escolho ser aquela que não desiste, aquela que sorri a cada desventura e pensa: eu tentarei novamente. Escolho ser exatamente esta porque sei que uma pequena porção de todas as outras é o que me dá a devida coragem para me tornar quem eu quero ser.


Sabrina Davanzo

12 de abr. de 2010

Recado


Felicidade mandou dizer que não é deste mundo. Mas, para aqueles que se arriscam procurá-la em outro lugar, ela promete chocolate quente e bolo de cenoura. Boa sorte!


Sabrina Davanzo

9 de abr. de 2010

Terra


Era uma vez um Planetinha que vivia no espaço - um universo gigante que nem dá para mostrar com os braços. Junto dele moravam outros planetas, estrelas e também o sol e a lua.

Mesmo com toda essa companhia, o Planetinha sentia-se muito só, por isso convidou um monte de amigos para conviver com ele. O Planetinha ficou tão feliz com as novas amizades que ofereceu-lhes águas cristalinas, manhãs azuladas e noites reconfortantes. Cobriu seu solo de flores e moldou a paisagem com árvores de todos os portes e pássaros de todas as cores.
Para que seus amigos também não se sentissem sozinhos, deu-lhes a presença dos animais. Uma infinidade deles.
O tempo passava e o Planetinha era feliz até o dia em que os seus amigos resolveram trazer para habitar aquele lugar uma senhora muito maldosa chamada Ganância, esposa do sr. Egoísmo.
A partir de então, ela, com suas palavras bonitas e bem colocadas, convencia todo mundo a pensar cada um em si “custe o que custar”, esquecendo-se de quem havia oferecido todas aquelas maravilhas.
O Planetinha, cada vez mais triste, sentia-se deixado de lado. Passou a chorar toda hora. Grandes lágrimas caiam do céu e molhavam as casinhas de seus amigos queridos. E eles nem percebiam... ao contrário, só reclamavam: “quem é que sai de casa com essa choração?”, “ com essa choração não tem jeito de ir ao clube!”.
Os amigos, por maldade, começaram a caçoar dele. Com pequenos beliscões, arrancavam-lhe pedaços imensos. Sua dor era tanta que até tremia. Acabavam por sentir o seu desespero já que causava bastante estrago o treme treme do Planetinha.
O pobre coitado bem sabe que não há volta... Não tem coragem de abandonar seus amigos. Para onde eles iriam? “Em marte é tão quente... Em júpiter a água não é tão boa quanto aqui... Eles não se adaptariam...”
Aos poucos ele tenta controlar essa confusão. Tenta, incansavelmente, expulsar dona Ganância desse lugar que antes era tão perfeito.
Enquanto isso, alguns amigos começam a perceber que foram ingratos com o Planetinha e correm para socorrê-lo. Um curativo aqui, outro ali.
Tudo o que o Planetinha quer é que todos sejam como antes, que aproveitem com amor e respeito o que ele tem para oferecer. Não pense que ele não sofre quando, em alguma crise, um amigo acaba sendo atingido por sua tristeza. Ele sofre sim. Ele só não sabe o que fazer, depois que seus amigos resolveram assumir o poder.
“Vá embora, dona Ganância. Deixe já este lugar!”

Sabrina Davanzo

5 de abr. de 2010

Mais alto



Às vezes, queria que Ele me soprasse as respostas. Eu não sei tudo e nem deveria saber. Talvez Ele até esteja tentando, mas, com esses gritos, como poderei ouví-lo?

Sabrina Davanzo