10 de jul. de 2011

Do lado de fora


Vez em quando a vida, alguém ou até a gente mesmo fecha uma porta e depois, por insegurança, medo, fraqueza (ou muito provavelmente tudo isso junto) voltamos para conferir se está realmente trancada ou se existe a possibilidade de entrarmos de novo e continuarmos ali, jogados no sofá (acomodados).
Encontrar a porta fechada é doloroso, mas é reconfortante também. É um alívio saber que não há mais nada a fazer a não ser ir embora sem o menor receio de estar deixando algo para ser vivido.
Uma porta fechada significa que é hora de encontrar outra aberta. Significa uma oportunidade de viver outras coisas, de adentrar outros cômodos. É a certeza de que deve-se esquecer as chaves extras, não tocar a campainha insistentemente.
Com a porta trancada, a gente pode ir sem dor e cheio de coragem. Nossas lembranças estarão guardadas para sempre do lado de dentro e lá fora os postes iluminam quem sai em busca de um lugar para ser bem-vindo. As ruas estão cheias de pessoas que desceram as escadas sem olhar para trás.
Há portas abrindo e fechando o tempo todo e, em algum momento, uma casa aconchegante vai estar de portas abertas nos convidando a entrar.

Sabrina Davanzo


7 de jul. de 2011

Passo a passo



Lição número 1 para ser feliz de verdade:
pare de achar que coisas mais ou menos são boas.
Pessoas, sentimentos mais ou menos serão sempre mais ou menos.
O que é bom nasce bom.


Sabrina Davanzo

5 de jul. de 2011

Nome



A vida deveria se chamar montanha russa. Ou o contrário.


Sabrina Davanzo

Invenção

A gente (sempre) se reinventa
quando descobre o que fazer com o que sobrou de nós
depois que outro foi embora.


Sabrina Davanzo

27 de jun. de 2011

Lição

A vida é um teste.
Sem cola.
Sem perguntas óbvias.
Sem respostas fáceis.
Sem que a gente tenha a chance de aprender a matéria antes.
E não pode perder a calma.
E tem que fazer o que sabe.
E tem que terminar a tempo.
E tem que sorrir quando acabar.

Sabrina Davanzo

22 de jun. de 2011

Sobre não esperar por ninguém


Para Gabi, Jéssica, Lili e Paloma:



De todas as coisas que foram ditas,
a mais importante ficou sufocada nas entrelinhas:
a gente não sabe o que vai ser e, apesar do amor que existe,
a cada uma só cabe contar com a própria metade.



Sabrina Davanzo

Descoberta




Por trás dos meus olhos
existe um mundo enlouquecedor
que eu não ouso
desvendar.

Sabrina Davanzo

8 de jun. de 2011

Faz de conta


Realidade é a gente que inventa. A gente pode brincar que é feliz e fica sendo. Igual quando se dedilha uma canção... quem faz o som senão as nossas próprias mãos?
A gente é capaz de fazer nuvem da poeira e nem sabe... só precisa levantar e sacudir.
A gente traz no peito uma máquina que fabrica sonhos só nossos, mas a máquina não funciona se a gente não der corda e emperra se a gente não usa.
E Deus lá criaria alguma coisa sem utilidade?
Tem que sonhar, tem que querer.
Eu sempre quero e aprendi a fazer colar com as lágrimas que caem quando um sonho sai meio torto. O sonho eu levo de volta para a forma, pra ver se ganha outro molde, e o colar eu penduro no pescoço que é pra tristeza ficar bonita.


Sabrina Davanzo


7 de jun. de 2011

Significado




Esperança é quando a gente tem um guarda-chuva colorido
para usar nos dias de tempestade.


Sabrina Davanzo



6 de jun. de 2011

Pra quem é de qualquer lugar

Vale a pena conferir o trabalho lindo da Designer Fabrícia Batista (tem ilustrações fofas que vou começar a "roubar" para o Inverso = D ).

Clica aqui: www.fabriciabatista.com.br



Sabrina Davanzo

3 de jun. de 2011

Conversa

Sentir, entender, aceitar.
Vez em quando é tão difícil. Eu tenho mania de explicação.
No fim, eu sempre te obedeço, mas como eu fujo dessa hora. Deve ser por isso que dói por dentro.
Dizem que você sempre compreende.
Tem certeza que tá aí me vigiando o tempo todo? Eu olho para cima e não te acho. Não consigo te ver.
Em que estrela você mora?
E se eu te pedir para esperar só mais um pouco (tenha paciência comigo)?
Ainda não sei o que fazer... por enquanto eu vou ficando...
Aparece e conversa comigo?
Você sabe de tudo, você sabe de mim.
Preciso de você.

Sabrina Davanzo

29 de mai. de 2011

Fim




E quando a história acaba,
mas a gente esquece de fechar o livro e guardar na estante?



Sabrina Davanzo

26 de mai. de 2011



Ponto final

Obstáculo que impede que as palavras sigam em frente
e continuem narrando uma história.


Sabrina Davanzo

22 de mai. de 2011

Sem sentido



ver e não enxergar
escutar e não ouvir
tocar e não sentir
falar e não dizer
por que meus sentidos me traem?

Sabrina Davanzo


19 de mai. de 2011

Ainda não


Diante da possibilidade de ter, aos 28 anos, uma casa própria, em um lugar previamente estabelecido, me pego pensando: não quero me condenar a viver aqui para sempre. Ainda tenho muito o que andar até encontrar um lugar para morar.

Sabrina Davanzo

Aceita?



A gente pode tomar um café.
Tomar um avião e ir pra Paquetá (nem sei se é brega, mas vá lá...). Vai que dá?

Não se faça de difícil não.
Vem, toma minha mão e me leva pra qualquer lugar.
Eu sei que pode ser irrelevante o que eu sinto nesse momento,
mas é importante (pelo menos para mim) que você saiba que eu não sou sempre assim,
não costumo me oferecer. É que eu to querendo mesmo você.

Diz que sim? Será um prazer.

Sabrina Davanzo

*Inspirado em um Job aqui da agência = )

15 de mai. de 2011

Suspeita


Às vezes, no auge das minhas preocupações e ansiedades, eu gosto de pensar que Deus, sentado em sua cadeira grande e confortável no céu, olha para mim aqui embaixo, sorri e diz baixinho:
- tsc, tsc, tsc. Sua boba, você não sabe de nada.
Tomara mesmo que eu não saiba e que os seus planos sejam maiores do que as minhas perspectivas. Eu não quero entender, só quero confiar que cada coisa acontece no tempo e do jeito certo para que eu possa viver plenamente.


(Amém)

Sabrina Davanzo



À deriva


Tem dias que o barco vira e a gente cai em pleno mar, sem saber nadar.
Os braços tentam se agarrar às ondas, os pés tentam encontrar a terra firme. É pouco fôlego e muita água num lugar que de vazio não tem nada. O mar é cheio, tão cheio que engole a gente com medo e tudo.
O mar revira os cabelos, arranca a roupa com violência. Expõe nossa nudez diante de quem está seguro na areia. E quem é que vem nos salvar? Ninguém se arrisca... o mar é traiçoeiro.
A gente torce por um milagre, torce para sair nadando na marra, fecha os olhos para não enxergar o que existe no fundo e bate os braços. A gente não para de bater. Nunca. Até o fim.


Sabrina Davanzo



13 de mai. de 2011

Estado Sólido



A leveza das borboletas.
A capacidade dos girassóis de se voltarem para a luz.
O bumbum dos vagalumes que ilumina a escuridão.
As abelhas e formigas que se relacionam sem se afetarem.
A cambalhota - mecanismo de defesa - do tatu bola.
Tem vontade de ser qualquer coisa menos humana (limitada) quando se detém nas espertezas do universo.
Tem vontade de ser outra menos preocupada com o que está por dentro e mais conectada com o que há por fora.
Ás vezes, é tanta nunvem que parece que o sol desistiu e foi embora. Quando é assim, ela ouve a musiquinha que fica tocando lá onde está guardado o coração. Um ritmo macio (tum tum - tum tum - tum tum) canta que "se o sol não vier hoje outro dia ele vem.... lalala.. outro dia ele vem. Não fique triste, meu bem."

Sabrina Davanzo

12 de mai. de 2011

Premonição


Pode ser um arrepio, um calafrio percorrendo a espinha. Pode ser uma espécie de sussurro ou o piscar de uma luz na escuridão.
É um estalo no meio da tranquilidade. Discreto. Quase imperceptível.
Tem que estar atento para percebê-lo. Tem que querer entender o que o recado quer dizer. Ele acontece, não é lenda. Quase sempre a gente recebe avisos de quando não é para ser, de quando a gente não deve se meter.
E quem é que quer ouvir? Nessas horas a gente é surdo, cego, insensível.
"Depois não diga que eu não avisei". Mas a gente diz. Diz porque alguém tem que levar a culpa por nossa persistência, mesmo sabendo que não era para agir assim.
Talvez se tivesse sido gritado para mim... Assim discreto, de leve, não acreditei, não aceitei. Fingi que não ouvi as batidas na porta, enquanto no rádio tocava a canção que eu escolhi e que me dizia para ir além.
Mas você veio me avisar...
Ah, premonição! Infelizmente, eu já deveria saber que você custa falhar! Você é certeza de tombo com placa em letras garrafais: cuidado! Piso Escorregadio!

Sabrina Davanzo


3 de mai. de 2011

Verbo

Para ouvir lendo: clock


E se eu viajasse?

E se eu (não) fugisse?
E se eu (não) ficasse?
E se eu dormisse?
E se eu (não) me escondesse?
E se eu não ligasse?
E se eu escolhesse?
E se não?
E se eu (não) falasse?
E se eu corresse?
E se eu (não) aceitasse?
E se?
E se eu me entregasse?
E se eu não engolisse?
E se eu não (me) respeitasse?
E se eu (não) duvidasse?
E se eu amasse?
E se não?
E se eu acreditasse?
E se eu (não) fosse?
E se eu desistisse?
E se?
não
Verbo é ação. Eu sou feita de verbos.
Todo verbo implica a existência de um tempo que define para sempre o que será pretérito (perfeito ou não) e o que será o futuro. O presente é uma decisão.
Embora me custem um pouco de alma para serem conjugados, não fossem eles talvez eu nem vivesse.


Sabrina Davanzo

2 de mai. de 2011

Perdas



Reconhecer a derrota também é uma forma de vencer.
Estou exausta por ter insistido tanto... Perdi.
Entrego os pontos com uma sensação de que foi ridículo ter tentado,

ter usado todas as armas que eu tinha, ter me exposto tanto.
Mas eu nunca saberia...

Você venceu, destino.
Vou me retirar, preciso me preparar para a próxima batalha.



Sabrina Davanzo

29 de abr. de 2011

Cárcere


Gaiolas,
por mais bonitas, espaçosas,
coloridas e confortáveis que sejam,
são sempre prisões.

A gente deveria parar de acumulá-las nas paredes da alma,
encarcerando sentimentos e pessoas.

Vive mais feliz o coração que pode,
a qualquer momento,
alçar voos e pousar onde quiser.
É sempre mais doce e sereno
o que cresce sem limitações.

Deixa vir..
Deixa partir quando chegar a hora...


Sabrina Davanzo

27 de abr. de 2011

Na pele


Se eu soubesse como não me deixar consumir por qualquer coisa, eu seria mais inteira. Sempre coloco um peso que não posso suportar nas situações e me despedaço. Queria não me importar tanto porque no fim acontece o que tem de acontecer, independente das minhas vontades. E isso também passa.
Queria me impressionar só com o que vale a pena, gastar mais meu tempo com as coisas possíveis, com a felicidade real, e menos com as suposições.
Estou sempre tão preocupada com as respostas que esqueço de contemplar as perguntas e acabo não sabendo nem o que buscar. Perdida entre o que está por vir e o que ficou para trás, não aproveito o presente. As conexões me roubam a atenção, enquanto eu deveria apreciar o destino para onde elas me conduzem.
Falta equilibrio, sobra frustração. Eu vivo elevada ao quadrado, à máxima potência de sentimentos.
Descubro em minha própria pele que sofre mais quem se entrega e se apega. Eu sofro.


Sabrina Davanzo

26 de abr. de 2011

Expectativa




E acabou sendo melhor do que esperava porque, afinal, não esperava nada.


Sabrina Davanzo


19 de abr. de 2011

Imortal



E descobriu que o amor, por ser nobre, não morre.
Apenas adormece (às vezes, para sempre).


Sabrina Davanzo

18 de abr. de 2011


Ela tem uma fé inabalável. Em meio a tantos desvios, erros e desilusões, essa fé continua acesa, afirmando que ainda dá para continuar.
Essa fé é uma mistura de força interior e inspiração divina, tem algo de sagrado que imortaliza a esperança e a torna um pouco heroína invencível. É uma energia renovadora que vem do coração, da mente, de cada célula do seu corpo cansado de lutar e faz milagres, move montanhas.
São inúmeras as quedas e as vezes em que o adversário tem super poderes maiores que os dela. Mas ela é meio que protegida do destino, o bem está do seu lado (ou seria ela que está do lado dele?).
A fé dela é um pensamento positivo e inspirador que traz ânimo ao espírito, claridade aos pensamentos, leveza para escolher novas formas de combater os obstáculos.
Que ela nunca perca essa fé. Que nada nem ninguém seja capaz de apagar essa chama que a liga à fonte da vida, que a faz ter esperança de que tudo muda e ela pode vencer.
"Nunca houve uma noite ou um problema que pudesse derrotar o nascer do sol ou a esperança"
Sabrina Davanzo

7 de abr. de 2011

Quando


Só quando ela não esperar mais nada

quando estiver livre de qualquer interesse
quando tiver certeza de que estará salva
quando sentir que acabou
terá coragem de se aproximar
Vez em quando ela queria estar pronta
(seria essa vontade uma prova de que não se recuperou?)
Para em seguida não querer estar
(só para não ter que encarar?)
Existem duas possibilidades:
Descobrir que passou
Perceber que não terminou
Ela gosta de nunca mais
Mas também acha bonito o quem sabe um dia

Sabrina Davanzo


6 de abr. de 2011

Explicação



Duas coisas que ela não entende:
como alguém pode não gostar de sorvete napolitano
e como um príncipe, de repente, se transforma num monstro bobão.

Sabrina Davanzo




31 de mar. de 2011

Sem saída



Estou contra a parede dos meus próprios sentimentos.
Uma parte de mim quer ficar longe de você,
pois corre o risco de se apaixonar e não ser correspondida.
A outra quer estar com você custe o que custar.

Sabrina Davanzo

25 de mar. de 2011

Conselho




Sempre que for tomar alguma decisão,
pare e pergunte a si mesmo: "eu posso me arrepender disso?"

Se a resposta for sim, não siga em frente.


Sabrina Davanzo



23 de mar. de 2011

Agridoce

Visto o meu melhor vestido e calço o meu sapato mais confortável para participar de um banquete.
Por não saber como será essa festa, dá vontade de ficar em casa. Mas seu eu ficar o que é que vou ter para contar? É preciso ir e experimentar os doces e salgados. Os líquidos e os sólidos. Se alguma comida não me agradar, sempre dá para andar pelo salão e conhecer os outros convidados, dançar alguma música.
Tem que ter boa vontade. Tenho aprendido que nada é de tudo ruim e que é por isso que existe o agridoce. Para os indecisos. Para não ser tão trágico, nem maravilhosamente emocionante.
Há que se ter um equilíbrio e esse é o motivo do banquete. Eu me sirvo como bem entender.
Cuido-me para não estragar o penteado, sujar o vestido. Nunca se sabe quando alguém está para chegar. Há atrasados que nos chegam nas piores horas, é bom estar preparada.
Meu convite vale para uma vida inteira e eu só vou embora quando me cansar. Quando já tiver provado de tudo. Repetidas vezes.


Sabrina Davanzo

Teoria das relações



. . .

Eu fico sozinha.

Eu aprendo a estar sozinha.

Eu gosto da minha companhia.

Você aparece.

Eu continuo gostando de estar sozinha.

Você é gentil e divertido.

Eu acredito em você.

Eu quero estar com você.

Eu não quero mais estar sozinha.

Você vai embora.

Eu fico sozinha.

Eu aprendo a estar sozinha.

Eu gosto da minha companhia.

Outro você aparece.

Eu continuo gostando de estar sozinha.

O outro você é gentil e divertido.

Eu acredito no outro você.

Eu quero estar com o outro você.

Eu não quero mais estar sozinha.

O outro você vai embora.

Eu fico sozinha.

. . .

. . .

Outro aparece.

. . .

. . .

Outro vai embora.

. . .

. . .

Eu acredito.

. . .

. . .

Eu fico sozinha.

. . .

. . .

Eu não quero mais estar sozinha.

. . .

Outro aparece.

. . .

. . .

. . .

Eu fico sozinha.


Sabrina Davanzo



18 de mar. de 2011

Sincero

A sinceridade pode ser, algumas vezes,
uma bofetada na cara dos sonhos.

Pode ser aquela pedra amarrada na ponta da corda
que faz peso para o balão não sair do chão.

Se a verdade que você queria ouvir é irreal demais,
a sinceridade acaba doendo mais que uma mentira.

Ainda existe gente sincera.
Mas também ainda existe gente que quer voar.


Sabrina Davanzo

Limbo



Acho que todo mundo tem um pouquinho de medo de amar
porque amar é deixar-se enlouquecer conscientemente.
Um amor abortado é aquele em que por infinitas razões essa entrega não foi consentida.
Esse passa a ser um quase-amor
e vaga para sempre no limbo com a estigma de "poderia ter sido".


Sabrina Davanzo

16 de mar. de 2011

Confesso


Tive um problema sério com umas borboletas no estômago
que subiram para a cabeça
e tomaram conta da minha razão.
Encantada pelas cores que borboletavam ao seu redor,
essa que deveria cuidar de mim, não dava conta nem dela.
Tomei uma solução drástica:
Infelizmente, cacei as borboletas.
Tem horas que o crime mais grave
é permitir que a consciência tire os pés do chão.


Sabrina Davanzo

Fica




Se for para chegar, chegue com vontade de ficar.

Sabrina Davanzo

15 de mar. de 2011

Bagagem



Pudesse eu encontrar a solução para teus problemas caída por aí, a traria logo para tuas mãos. Mas acontece que essa é uma tarefa pessoal e intrasferível, o máximo que posso fazer é estar ao seu lado durante a busca.

Posso oferecer luz quando a noite chegar e trazer um pouco de conforto quando o cansaço tomar conta do teu corpo.
Você sabe que é durante essa tentativa de encontrar a solução que você vai crescer não sabe?
É bem aí que você vai descobrir a força que tem e a sua capacidade de se superar.
Eu sei que você não vai desistir, fechar os olhos é pior...
Considere isso um teste para a próxima fase, você precisa se preparar.
Na sua mala tem tudo o que precisa: você leva as melhores vibrações e o carinho de todos aqueles que te amam e torcem por você.

Sabrina Davanzo

11 de mar. de 2011

Estou aqui



Para Fran - minha amiga, minha irmã


Amiga,

Estou aqui tentando entender por que é que essas coisas acontecem...
Eu lembro de quando a gente era nova, sentada na calçada falando da vida. Quem diria que a vida iria maltratar vocês assim... a gente era tão feliz.
Nós fomos criadas com tanto amor, com tanto cuidado, mas alguma coisa deu errado para eles e eu não sei dizer o que.
Algumas pessoas sabem lidar melhor que as outras com as perdas, com os nãos, com as dores.
A gente era tão imatura... encarou tudo do jeito que deu... e deu. Olha a gente aqui para provar. Mas para eles alguma coisa não se encaixou diante da doença da sua mãe, do abandono do seu pai, da ausência do que antes era fartura.
Por que é que a gente não percebeu que as coisas iriam acabar assim? Acho que é porque, embora tenham cometidos erros graves, eles são como a gente, são seu sangue. Não dá para acreditar que alguém entre nós terá coragem de libertar seu monstro interior.
Já vi muitas brigas de vocês, já vi ele com o pé quebrado, ela com o rosto cheio de pontos, já vi o desespero da sua mãe, já vi as reclamações de todos, mas não estava preparada para ver o desenrolar dessa história.
Em toda a minha vida, nunca estive tão próxima de uma situação como essa. É coisa de televisão. E lá, na tela, quando via, achava um absurdo as pessoas se preocuparem com quem cometeu o crime, quando quem estava sofrendo era a família da vítima. Eu sinto pena deles. Sei que eles podem ser bons, como foram antes desse pesadelo começar. Hoje descobri que não existe culpados. Todos somos vítimas. Vítimas das injustiças da vida que nos conduzem por caminhos que nem sempre são os melhores para nós. Quando foi que tudo começou, amiga? A gente era tão jovem para se dar conta de quão fundo o poço poderia ser... Eu não entendo... ela e ele tiveram as mesmas chances que você. Por quê?
De repente eles começaram a levar uma vida tão obscura que era demais para nossa imaginação. Eu dei aula pra eles de verdade, lembra? Você deu aula de mentirinha na escolinha que você montou na antiga casa da sua vó... parece que eles não aprenderam nada...
O que sua mãe fez para merecer ver os filhos padecerem dessa forma?
Apesar das estatísticas e dos exemplos diários de que pessoas que comentem crimes dificilmente se regeneram, não quero acreditar que para eles acabou. Talvez agora, cada um em sua cela, possam lembrar das tardes que a gente brincava e que eles eram "café com leite". Ela ainda tem o mesmo sorriso, amiga...
Todo caminho tem volta? Eu não sei.. eles é que vão poder nos dizer.
Talvez eles tivessem que passar por isso. De alguma forma a vida foi tecendo cada detalhe para que tudo isso acontecesse. Eu lembro da gente tentando ser feliz com todos os poréns. Eu lembro da gente na caminhonete, lembro de quando eles viraram adultos antes de nós, que somos mais velhas.
Queria voltar no tempo, amiga. Queria que sua mãe nunca tivesse ficado doente, que seus irmãos não tivessem deixado a escola, que você tivesse menos responsabilidades tão jovem. Queria ter presenciado outra história...
Sua irmã teve um filho antes de nós, amiga. As coisas para eles sempre foram precoces, até a dor. A gente nunca entendeu porque para os dois as fatalidades pesaram tanto. Mas a gente sabe que não é fácil ter os armários vazios, a casa vazia e o peito cheio cheio de tormenta.
Não sei se foram as amizades, se fomos nós, se foram as drogas, só sei que desde muito cedo eles se enveredaram por caminhos tão difíceis que a gente não tinha coragem de percorrer para ir buscá-los. Talvez nem adiantasse... porque o que tem de ser, tem força.
Hoje vocês estão vivendo o outro lado, amiga e pela nossa proximidade também estou vivendo um pouco. E quanto aos dois... eram crianças quando tudo começou. Quando essa história começou a ser contada, eles mal sabiam ler. Hoje eles são mais vividos que nós e trazem o peso de seus crimes nas mãos. Olha isso, amiga: crime. Que pesado.. a gente não imaginava...
Acho que aqui não existe culpados. Não é o seu pai, o fato de sua mãe não ter podido ser mais presente, ou você...
E depois de tudo, ela ainda tem o mesmo sorriso... Que Deus esteja com vocês, com eles e com todas as famílias que passam pelo mesmo problema.

PS: A e A são um casal de gêmeos que cresceram comigo, são parte da minha família. Cedo demais eles experimentaram muitas perdas e para fugir do peso delas experimentaram as drogas. Hoje, com 19 anos, ele está preso por tráfico, depois de já ter esfaqueado uma pessoa, e ela acaba de ser presa por participar do assassinato de um traficante.


Sabrina Davanzo

10 de mar. de 2011

Lembranças

Posso dizer, sem o menor receio, que aquele medo de sair à rua passou.
Tenho gostado da minha companhia e tido mais paciência com as minhas falhas.
Descobri o prazer de me apaixonar pelos momentos e não pelas pessoas. E já foram tantas paixões...
Quanta coisa já vivi depois de achar que fosse morrer...
Ontem fui à praia e o mar estava calmo, como eu tenho tentado ser desde então. Deixei que toda aquela água fria cercasse meu corpo morno e depois fiquei observando as partículas de sal grudadas à pele, porque sempre fica uma lembrança, independente da intesidade do contato.
O dia não estava tão claro, como algumas coisas também ainda não estão, mas entre uma nuvem e outra havia os raios de sol. Eu sabia que eles estavam lá, igual a essa felicidade que não precisa de motivo para existir que eu tenho sentido.
Caminhei pela areia na companhia de pensamentos leves... Diante daquela imensidão, me dei conta de como o tempo voou. Eu estou cada dia mais madura e sem certeza de nada. Isso é o que tem me movido. Tivesse eu todas as respostas, não havia mais necessidade de continuar.
Vez em quando a vontade de acelerar o passo, sair correndo me assalta, mas percebo logo e trato de prendê-la à realidade dos acontecimentos.
Meu coração está aprendendo a amar de forma pura e serena. Eu estou sã e salva.

Sabrina Davanzo

23 de fev. de 2011

Sobre abrir mão



Para ser leve, tive que desfazer do que havia de mais pesado em mim:
minhas vontades.
Só quando deixei de me agarrar desesperadamente às coisas que queria ter sem poder é que conseguir voar.


Sabrina Davanzo


21 de fev. de 2011

Doida



Os manicômios estão cheios de pessoas que tentaram ignorar seus abismos, por isso que eu me permito ser um pouco insana na hora de encarar essa loucura que é viver.

Sabrina Davanzo

17 de fev. de 2011

Verdade


Para mim, é inaceitável que um ser humano tenha coragem de usar, iludir, seduzir o outro em proveito de suas próprias fantasias.
Desculpem-me os insensíveis, mas eu acredito na entrega, no toque. Na experiência fantástica de se relacionar com alguém com o coração livre de qualquer segunda intenção.
É um pouco doloroso perceber que nem todos são iguais e que há sim pessoas capazes de alimentar emoções que não correspondem aos seus sentimentos reais.
Nós humanos deveríamos ser todos iguais, mas existe aí, espalhados por nossos círculos sociais, aqueles que não merecem um minuto da nossa atenção e motivam nossas decepções.
É uma pena. O mundo anda cada vez mais necessitado de transparência e tudo o que as pessoas fazem é esconderem-se nas sombras dos seus pensamentos egoístas.
O amor, o respeito e o afeto viraram um jogo, uma aposta. Banalizaram os maiores sentimentos do mundo.
Eu só sei me doar, me deixar levar pelas emoções, pelas palavras do outro, porque essa é a única forma de ser próximo de alguém que eu conheço. Porque essa é a fórmula que aprendi para sustentar uma amizade, um relacionamento.
O amor próprio tem cegado as pessoas. Até que ponto você é capaz de ir para conseguir o que quer? E por que é que você precisa manipular alguém para conseguir isso? Conheci muita gente que tem pontas afiadas no lugar do coração, prontas para te atacar, se você parecer uma presa fácil.
Será que devo me render? Será que devo desistir?
Às vezes, tenho a sensação de ser a única que se importa com isso. Sou fora de moda! Sentimentos e pessoas descartáveis é que são as novidades, mas eu não vou deixar de ser antiga. Vou continuar sendo eu mesma apesar de. E se eu lhe disser que gosto, que aceito, que entendo, que quero... é de alma e coração. É a mais pura verdade. Confie em mim.

Sabrina Davanzo

Espera




Eu esperava mais. Muito mais. Mas talvez o certo seja não esperar... nada.



Sabrina Davanzo

14 de fev. de 2011

Trilha

É por isso que eu não perco a esperança: o destino se encarrega de reescrever nossas emoções, começar tudo de novo de forma inesperada e surpreendente. A mesma canção pode tocar mil vezes para outras mil histórias.
É como se existisse uma trama com uma trilha sonora escolhida para marcar sua vida, em que cada acorde é uma lembrança. E aquelas notas que traziam vazio, hoje trazem felicidade.
Não me importo mais. Posso ouvir essa música à vontade. Como uma fotografia instantânea, já tenho outro momento para lembrar assim que ela começar a tocar.

Sabrina Davanzo

13 de fev. de 2011

Positivo



Quando os pensamentos inspiram, as coisas conspiram.


Sabrina Davanzo

7 de fev. de 2011

Felicidade



Para: Fran, Lilian, Paloma, Gabi, Jéssica, Clara, Mariana, Fafá, Bruna, Manu, Priscila, Laura, Carol, Izabela, Gabi 2, Erika, Cris.

Felicidade é comer pizza e bater papo até quatro da manhã.
Felicidade é tomar sorvete direto no pote falando coisas de mulher.
Felicidade é passar o dia junto sem fazer nada.
Felicidade é saber com o olhar.
Felicidade é rir até a barriga doer numa roda de samba.
Felicidade é ter alguém que torce por você.
Felicidade é o silêncio de um não constranger o outro.
Felicidade é saber que seus defeitos não incomodam, que entendem suas fraquezas e aceitam você do jeito que você é.
Felicidade é estar num carro cheio de gente e de repente perceber que não se sabe mais viver sem aquelas pessoas.
Felicidade é trocar e-mails que dá força, faz rir, refletir.
Felicidade é combinar uma viagem maravilhosa que já é divertida antes de acontecer.
Felicidade é ser convocada para uma reunião importantíssima em que a pauta é: saudade e vontade de estar perto.
Felicidade é comer o melhor pão de queijo do mundo falando ao telefone com alguém que está a quilômetros de distância.
Felicidade é chegar da balada e ir dormir quando amanhece, lembrando de tudo o que aconteceu.
Felicidade é ter um monte de história para contar.
Felicidade é passar horas enrolada num cobertor fofocando na porta de casa.
Felicidade é descobrir- se no outro na primeira vez que o vê.
Felicidade é sentir as lágrimas de alguém que tem medo de te perder.
Felicidade é receber mensagens no meio da noite só pra dizer o quanto você é importante.
Felicidade é falar sobre as coisas mais idiotas e ainda assim morrer de rir.
Felicidade é saber que confiam tanto em você que te emprestam uma roupa que nunca foi usada.
Felicidade é descobrir pessoas tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais a você.
Felicidade é perder a esperança e a reencontrar num monte de abraços.
Felicidade é encontrar casualmente e passar horas conversando, falando sobre a vida.
Felicidade é dançar como se não houvesse amanhã ao som de uma banda brega.
Felicidade é compartilhar músicas que te tocam.
Felicidade é eleger músicas que marcaram momentos.
Felicidade é saber que nos piores momentos, durante a madrugada, você pode chamar, porque vão estar lá.
Felicidade é ser expulsa de um táxi com uma chuva imensa caindo lá fora só porque se está dando muita risada.
Felicidade é ver algo e saber que aquilo é a cara de fulano.
Felicidade é estar longe e ainda assim estar perto.
Felicidade é não importar o lugar e sim a companhia.
Felicidade é chorar de alegria e rir da tristeza junto.
Felicidade é poder escolher uma família para ter por perto.
Felicidade é ter amigos.
Felicidade é ter a certeza de que é para sempre.
Eu sou muito, muito, muito, muito feliz por ter tudo isso.


Ps: Amo vocês e agradeço todos os dias por fazerem parte da minha vida.

"Quem tem amigos, tem tudo."

Sabrina Davanzo


3 de fev. de 2011

Definição




Paixão é o amor sem freio, sem limites, sem educação.


Sabrina Davanzo

2 de fev. de 2011

?



De repente, virei um ponto de interrogação.
Não me sei, não sei o que, nem onde, nem como.
A interrogação é um tipo de desespero,
quisera eu ser reticências...
três pontos de leveza, paz e coisas não ditas, confidências.
Também poderia ser exclamação!
Felicidade grafada com empolgação e de ponta cabeça.
Por hora, sou um não saber se há o que temer.
O que vem depois do ponto de interrogação?
Espero uma reposta.


Sabrina Davanzo



31 de jan. de 2011

Sobre problemas e soluções


Quando acabarem todas as tuas opções, você pode tirar os olhos do problema e deixar que ele se resolva por si só, porque nada
nesta vida fica sem solução.
Simplesmente tire os olhos, distraia sua atenção, flutue sobre todo o pessimismo.
Mais cedo ou mais tarde, uma luz aparece, entra pela fresta que você esqueceu de vigiar e clareia tudo.
Às vezes, respirar ajuda. Vá tomar um ar fora do quarto escuro. A chave está em suas mãos, destranque a porta e saia com suas próprias pernas, com sua própria força.
Quando voltar, uma nova energia terá tomado conta do lugar, tudo parecerá diferente e menos complicado do que anteriormente.
Não permaneças focado no impasse, procure pela resolução nos lugares mais improváveis, fique atento aos conselhos de amigos, às atitudes de estranhos diante de seus próprios dilemas. É aí que o auxílio mora.
Não se feche, não se considere uma causa perdida.
Tudo tem um propósito e você só conseguirá identificá-lo se mantiver seu pensamento livre de culpas e autopiedade.

Sabrina Davanzo

29 de jan. de 2011

Nacionalidade



Eu nasci no Brasil - sou brasileira, não tenho dúvida.
Mas minhas emoções...
Ah! Essas são mexicanas. Adoram um drama.


Sabrina Davanzo

20 de jan. de 2011

constatação



Coisa boa ou ruim:
se não for alimentada, morre.


Sabrina Davanzo

17 de jan. de 2011

Casa nova



Enquanto um sol preguiçoso despontava no céu, eu descia para comprar pão pensando no quanto eu tenho mudado.
Nem lembro quando foi que comecei a me negar, só sei que agora recebi uma ordem de despejo.Estou sendo obrigada a sair do lugar.
É espantoso ver que coisas imutáveis estão indo embora, assim como todos os personagens do meu mundo imaginário que, um a um, estão se despedindo.
Chego a pensar que até esse espaço aqui já não faz parte de mim, tão irreconhecível tenho estado diante do meu reflexo.
A mudança começou discreta, quase como quando se coloca um vazo de flor a mais na janela.
Depois, foi ficando intensa. Foi necessário estacionar na porta do coração uma caçamba para levar todo o entulho, jogar fora os excessos que só causavam falta de ar.
Quanta coisa já não me serve mais... Como eu gostava de me apegar à imagens mal coladas.
Ainda continua tudo fora de ordem. Há muito chão para limpar...
Participo, consciente e satisfeita, de todo esse processo. Observo tudo que deve ser trocado, descartado, recolocado.
Estava mesmo precisando dessa reforma para viver mais leve, ser mais eu. Meu sorriso havia se acostumado à tanta culpa que já não era verdadeiro.
A cadeira em que passei tempo demais apoiada, lamentando, não está mais aqui e eu ando sem parar para colocar tudo no lugar. Enquanto a poeira não assenta, busco respostas, vasculho prateleiras.
Toda mudança consome, e essa não é diferente. Estou exausta, mas com uma imensa vontade de viver, comprar móveis novos, decorar a casa, receber visitas.
Aqui, nessa casa que vem sendo construída, não entrará um futuro distante, só aquele que cabe na minha mão. Não tenho arquitetado planos mirabolantes, só os que meus braços conseguem realizar agora. Isso chama-se cautela, material que tenho em estoque na caixinha de emergência depois de ter sofrido um bocado de desilusão.
Essa mudança que tem acontecido dentro de mim é sozinha. Não adianta chamar ninguém para ajudar, pagar carreto. Ninguém virá me transportar daqui para onde quer que eu vá. É minha mudança. São as minhas escolhas do que fica e do que jogo fora.
Não há corrida contra o relógio, não existe uma data para que tudo se ajeite, nem mesmo calculei quando devo fazer um intervalo entre o peso de um móvel e outro.
A questão é abandonar um velho lugar, conceitos antigos, custe o tempo que custar. É aceitar essa nova fase de uma face cada vez mais diferente, seja no cabelo ou no olhar.
Meu olhar tem tentado dizer muito mais do que quero falar atualmente. Trancado nesse cômodo por anos, está aflito para contar que algo novo acontece do lado de dentro.
Eu sei que esse tempo de mudança é também uma boa época para plantar. Mais do que nunca tenho escolhido sementes e cavado a terra, sentindo seu cheiro, sua umidade e, respeitando seu tempo, depositando nela toda minha esperança.
Não tem jeito. Eu sempre vou esperar pelos jardins. As flores sempre serão necessárias para enfeitar qualquer lugar em que eu esteja.
Isso não vai mudar: vou continuar tendo dessas singelezas de gostar das cores, da natureza e de tudo o que é pateticamente puro.
Um dia minha casa nova estará pronta, cheia de luz, com cada coisa em seu lugar. Então eu vou poder contar sobre como foi mudar, sobre tudo o que deixei para trás, sobre os sentimentos novos que trouxe para perto de mim e, principalmente, sobre como cresci, aprendi a sonhar e me reconhecer como dona do meu espaço.

Sabrina Davanzo

12 de jan. de 2011

Menino

O tempo se assemelha ao menino que corre solto quando ninguém o segura pela mão.
Deixa o tempo ir...
Se não der corda, o tempo não zomba, não se demora.
O tempo passa sorrindo quando está livre.
O tempo, assim como o menino, não foi feito para ficar preso aos pés das vontades.
Tem vida própria o menino. E cresce e vai longe...
Se te assentas na beira do rio e gasta tuas horas a distrair-te, o tempo ganha asas e voa. Some como o menino que se enfia em algum canto e a mãe procura e procura. Mas se te assentas à espera de alguém, ele faz manha, se agarra em teus cabelos e não sai de perto.
Deixa o tempo brincar...
Como um menino levado que tira tudo do lugar, o tempo também muda tudo. O tempo muda sentimentos, muda o menino, faz ele virar homem. Eis o poder do tempo.

Sabrina Davanzo

7 de jan. de 2011

Viagem


Invade minha cabeça, olhos, ouvidos,
desregula meus sentidos.
E eu caminho sem ver, falo sem perceber.
(Fico esperando sua vontade me querer)
Você é um vicio delicioso
que estimula minha vontade de viver.

Sabrina Davanzo

4 de jan. de 2011

Sim




Nem preciso de explicação, só não queria que (dessa vez) fosse um não.



Sabrina Davanzo

3 de jan. de 2011

Lado A


A vida escolhe a música, vira o disco,
determina nossos passos, mas eu não posso reclamar.
Nesses últimos tempos,
lindas canções têm me embalado e tirado para dançar.


Sabrina Davanzo

30 de dez. de 2010

Novo de novo



Queridos e queridas,

Obrigada pela companhia diária e pelos comentários sempre lindos e inspiradores.
Desejo que 2011 seja o melhor ano de suas vidas,
cheio de paz, amor e muita saúde para correr atrás do que move cada um de vocês.


Feliz ano novo!

PS: estou meio ausente do blog, mas prometo resolver isso em janeiro.

Sabrina Davanzo



21 de dez. de 2010

Mudança


Meu coração mudou-se de lugar,
foi morar no seu abraço.

Seu amor veio morar
num lugar vazio no meu peito.

E foi assim que nos tornamos vizinhos:
eu apaixonada por você e você por mim.


Sabrina Davanzo

18 de dez. de 2010

Livro: Da gastrite e da Ira



A Milena de Almeida, uma amiga virtual muito querida,
acaba de lançar o seu primeiro livro de contos.
Os textos dela são sensacionais.
Se você quiser comprar o seu, é só clicar aqui:

Sabrina Davanzo


15 de dez. de 2010

Sobre o que importa



O que realmente importa eu não quero mais saber.

Um viva à banalidade, à previsão do tempo,
à chegada do verão, ao índice monetário no Japão.

Aos assuntos que não ferem, que não ardem,
uma grande ovação!

Aos temas mais imbecis, nesse momento,
volto todo o meu interesse
como se deles dependesse a minha felicidade.

O que realmente importa eu quero guardar esquecido e abandonado
no lugar das coisas que não têm mais razão de se dizer.



Sabrina Davanzo

Agora



Vez em quando o agora é tarde.
O agora é nunca
e nunca mais torna a acontecer.
Vez em quando o agora é nada
e nada muda isso agora.

Sabrina Davanzo

12 de dez. de 2010

Encontro



Hoje eu estou pronta para te encontrar.
Quero estar em teu abraço num laço que nunca mais vai se desfazer.
Hoje quero ouvir sua história e me mostrar para você.
Não demora, pois eu te quero agora, amanhã pode já não ser.
Hoje vou me permitir sentir teu gosto e provar que posso te pertencer.
Se é isso o que você quer também, não espere o mundo dar mais uma volta.
Eu estou bem diante da sua porta, me atende, meu bem.

Sabrina Davanzo

10 de dez. de 2010

Bem-aventurados os que...

Maria é dessas tantas que nascem em um dia comum e recebem um complemento para o nome de acordo com as crenças e gosto dos pais. O complemento do nome dela não sei não, porque para Maria e para qualquer outro, tanto faz.
Se tivesse o que contar sobre ela eu contaria, mas sei tão pouco de Maria. Conheço apenas sua preferência pelo dia, sorvete de baunilha e lençóis brancos.
Maria é dessas que não se mostram, ouve batidas à porta e não vai abrir porque não espera ninguém. Não quer saber de conspiração do universo, coincidências do destino (se é que sabe lá o que isso significa).
Quando Maria ainda era Mariazinha a mãe viajou para vender doces nas redondezas e nunca mais voltou para lhe trocar as fraldas. Enquanto Maria crescia, ia esquecendo a feição da mãe. Hoje, a lembrança é só um borrão.
Maria é um pouco de tudo o que aprendeu e aprendeu direitinho todas as coisas porque muito cedo o suor já lhe deitava na cara. A vida nunca foi amiga de Maria. Brinquedo não teve, mesa farta não tem, beleza não tem, amigos não tem, amor não tem. A única coisa que sobra em Maria é ruga, mas ela mesma não acha que a vida é só amargura. Num domingo, durante a missa, experimentou a alegria quando o padre explicou sobre os bem-aventurados. Com todo seu histórico, Maria passou a acreditar que um dia o céu se abrirá bem diante dos seus olhos e ela será recebida como uma rainha. Maria tem essa esperançazinha que não a deixa por nada, e isso já basta para lhe fazer meio feliz.


Sabrina Davanzo

Papel de parede



Eu e o João Célio fizemos mais um papel de parede para a Papel e Tudo.
Se quiser baixar um, é só clicar aqui:
Papel e Tudo


Sabrina Davanzo

Utilidades



Eu estava no mercado para comprar arco-íris para o meu céu quando uma vendedora me alertou:
- Leva nuvens! Leva nuvens, minha filha, que não tem erro! No sol quente, ela é sombra. Para a aridez do coração, ela é regador. No ócio, ela brinca de adivinhação sendo formas variadas. Leva! Nuvens são camas para quem sonha alto e, no caso de uma queda, são tapetes, almofadas fofinhas espalhadas pelo chão.


Sabrina Davanzo

7 de dez. de 2010

Um



Que hoje eu viva apenas este dia, plena de mim.
E que eu não tenha medo do que está por vir,
nem pena do que tem de partir.


Sabrina Davanzo

5 de dez. de 2010

Mundo da lua


Já faz tanto tempo, mas de vez em quando parece que foi ontem. Às vezes, o que eu ouço não faz o menor sentido e o tempo parece só piorar. Tenho a impressão de que tudo está como antes, quando sei que nada mais é igual.
De vez em quando pareço ir para o mundo da lua, o relógio desperta e eu não quero acordar. Por que tem de ser tão difícil?
Deus, quando passa o próximo cometa? Quem sabe não parto com ele para outra galáxia ou talvez ele me traga de volta à terra. Enquanto isso.. só mais um minutinho....

Sabrina Davanzo

O que será


Demora um bom tempo para a gente perceber que a vida é que leva a gente e não o contrário.
Não sou eu quem escolho o que será do meu dia ao acordar. Posso programar a roupa que vou vestir, o sapato, mas não controlo o que acontecerá daí por diante.
Um dia mágico. Um dia trágico. Não cabe a mim desobedecer quem está no comando. Destino é o nome dado a essa mão invisível, capaz de mudar em alguns segundos toda a nossa trajetória.
Se eu ainda estou aqui e você está aí é simplesmente porque o destino quer que estejamos. Ele não brinca de acasos e eu estou convencida de que não adianta resistir.
Não sei o que será do amanhã, nem do fim dessa noite. Se tudo for como antes (e isso não é uma certeza para mim) o sol nascerá às seis da manhã.

Sabrina Davanzo

S. B. e E. tiveram mais uma chance ontem.


22 de nov. de 2010

Cambalhota



Para ter uma ideia de como as emoções lhe chegam, imagine uma cambalhota. O mundo fica de cabeça para baixo, tudo fora do lugar por alguns instantes. A vida gira, gira e para, de repente, num solavanco. Não entende muito de gravidade, nem de física. Pensa que o assunto é de anatomia: um corpo dobrado, pescoço curvado e... virou!
Quando se estica, tenta perceber o lugar que estava normal, depois ao contrário e então, normal de novo. Ou será que é do outro jeito que é certo? Nunca vai entender. Só sabe que qualquer coisinha revira tudo.


Sabrina Davanzo


18 de nov. de 2010

Dicionário


E se:


Grande depósito imaginário para onde vão todas as histórias/fatos que deveriam ter acontecido e por alguma razão não aconteceram.



Sabrina Davanzo