17 de ago. de 2010

Monstro



O melhor amigo de Sofia era um monstro que vivia embaixo da sua cama, junto com a poeira e um pé de meia esquecido. A amizade começou quando, numa noite, ele saiu para assustá-la e a encontrou chorando com a TV ligada para espantar a escuridão.

Sabrina Davanzo





Antônimos



Ela que era noite,
resolveu ser dia
Em vez de chorar,
sorria
Em vez de gritar,
pedia
No lugar da revolta,
cedia
No lugar da reclamação,
compreensão
E, para quem nunca estava disposta,
diversão
Para fazer tudo diferente,
preferiu os antônimos aos sinônimos
nada de letargia, monotonia, empatia
Sua vida ganhou novas cores
e seu coração,
mais amores

Sabrina Davanzo




12 de ago. de 2010

Caixa de entrada

Recebi seu email, amiga, e devo confessar que também me deu saudade daquela época. Quando bastava um astro do rock pra nos fazer felizes. Quando o presente era muito mais importante que o passado. E que o futuro... Tínhamos a eternidade como nosso futuro! As assombrações da meia-noite não vinham perturbar e o dia não era tão pesado quanto é agora.
Quando foi que deixamos de nos divertir? Quando foi que tudo deixou de ser prazer e se tornou uma eterna e intransponível obrigação? Quando foi que deixamos de ter tempo para nós mesmas e para nossos amigos tão queridos?
Tantos queridos estranhos em nossas vidas agora... Estranhos que acabam tomando tamanha importância, que às vezes chego a ficar com medo da presença deles.
Lembra do lançamento do Titanic no cinema? Tivemos tempo de sobra para irmos assistir o mesmo filme com final deprimente 20 vezes! Tínhamos tempo de comprar os presentes mais absurdos de aniversário uma para a outra. Procurávamos interminavelmente. E como era bom! Era como se fôssemos ter aquele tempo pra sempre. E, de certa forma, tivemos. Algo que nunca vai passar, nunca sairá das nossas lembranças. Sonhos que continuam bem vivos.
Naquela música que você falou, o Bon Jovi diz que em algum lugar alguém está sonhando ("Somewhere someone's dreaming"). E acho que é nisso que devemos nos prender, amiga. Nos sonhos. Naqueles sonhos que dependem só da gente. Naqueles em que acreditamos de verdade. Naqueles em que nada é impossível. Nos sonhos inocentes e, mesmo assim, tão reais. Naqueles sonhos que sonhamos acordadas pouco antes da meia-noite chegar.
Não fique triste pela meia-noite que se fez em seu coração, amiga. A meia-noite pode trazer lembranças ruins, pode tirar seu sono, pode até dar medo. Mas é bom pensar que depois dela um dia novo começa e que a dor acaba passando.
Dói tanto porque a gente deixa doer e porque foi importante pra gente. Dói tanto porque, como sempre em sua vida, você se doou. E, se por um lado é triste pensar que dói tanto, pelo outro é bom saber que parte da sua doação vai se transformar numa sementinha plantada no outro, nos outros. Uma sementinha de esperança plantada neste mundo tão injusto às vezes.
Sei que tem sido difícil arrumar tempo pra nos encontrarmos, amiga. Como o Bon Jovi fala na música, eu queria estar lá pra cantar essa música (wish that I was there to sing this song). Queria estar aí ao seu lado agora, amiga, pra te dizer que sua meia-noite vai passar. Mas, quem sabe não conseguimos marcar aquele dia para lembrarmos de dias mais felizes, quando eram três da tarde em plena meia-noite? Vai ser bom rir ao seu lado de novo, deixar sua presença iluminar o ambiente.
Amanhã te ligo, amiga, e combinamos algo pro fim de semana. Quem sabe já não compramos o ingresso para o show?

Carol (por e-mail)

11 de ago. de 2010

Midnight in Chelsea


Midnight in Chelsea: http://www.youtube.com/watch?v=qtXCxjbBKks


Amiga, não sei porque hoje me deu vontade de ouvir Bon Jovi...
Um dos últimos clipes dele que me lembro de ter visto o lançamento foi Midnight in Chelsea. Coloquei para tocar. Não sei muito bem o que essa música fala a não ser que é meia-noite em Chelsea... também sei que ela combina comigo. É meia-noite em mim, amiga. É a hora do desespero, a hora que a mente pensa o que o corpo lutou o dia inteiro para não lembrar. É a hora que as assombrações escolhem para nos assustar.

Que saudade da nossa época, amiga. Ver o Bon Jovi no Programa Livre e dormir em paz, à meia-noite. Como eram tranquilas as nossas noites, nossos dias. Nem de longe se pareciam com a tristeza da música que ouço agora, muito menos com a que se instalou dentro de mim.
Será que um dia voltaremos a ter essa liberdade adolescente dentro da gente? Será que um deixaremos de nos preocupar com o passar das horas?
Queria que você estivesse aqui agora. Queria que estivéssemos em um outro tempo.
Em alguma parte da música ele fala sobre “kiss good-bye”... É meia-noite, amiga. Já não existem mais beijos, muito menos de adeus... Por que é que dói tanto? A música diz que “leva um tempo para se acostumar” (Takes a little bit of getting used to), pelo menos em Chelsea é assim. Ah, se eu pudesse me mudar para lá, amiga! Onde quer que seja esse lugar... se eu pudesse sair daqui e começar a respirar de novo... porque aqui é sempre meia-noite e faltar ar.
A gente já não tem mais aquela turma, amiga! A gente mal pode contar uma com a outra, mas eu sei que nós tentamos. Entre um cansaço e outro... mesmo longe, tentamos estar perto.
Eu estou procurando sobreviver por mim mesma, como na música (she's holdin' on to her own hand)... leva um tempo até eu me acostumar.

Vamos marcar um dia para nos encontrarmos e ouvirmos todas as canções que embalaram os dias mais felizes das nossas vidas. Vamos rever nossas velhas gravuras de astros do rock, do cinema. Vamos assistir aos nossos filmes preferidos. Vamos tentar reviver o passado ou pelo menos provar que ele não sufoca.
É engraçado o modo como a vida flui... Aqui estamos nós, vivendo numa cidade estranha, ao lado de pessoas estranhas. Cada uma fazendo a sua história, levando seus tombos. Hoje fui em quem caí, amiga. É meia-noite em mim e preciso da sua mão para me levantar.
E a vida não para... “nasce um bebê, morre um velho”... (Baby's born an old man dies) nós continuamos seguindo. Quem sabe para onde? Seria para Chelsea? Será que lá é sempre meia-noite?
Na nossa época tudo parecia eterno e eu gostava de pensar assim. Já imaginou que um dia não estaremos mais aqui? O que é que vamos deixar? Quem vai pensar em nós? Quem vai sorrir ao lembrar das nossas manias, amiga?
É meia-noite em mim e é nisso que estou pensando agora. Será que um pedaço de nós fica para sempre em alguém? Eu espero que sim, amiga. Eu desejo que sim.
Então é isso... preciso dormir... preciso sonhar... Nem que seja com um tempo que não volta mais.
Saudades do Bon Jovi visitando o Brasil... Ouvi dizer que ele vem aí.. vamos ao show? Pelos nossos bons momentos...

“takes a little bit of getting used to... It's morning when I go to sleep...”


Texto enviado por e-mail para minha amiga Carol


Sabrina Davanzo



6 de ago. de 2010

Era vidro...



Não consigo escrever nada sobre ter acabado o encanto porque foi só isso: acabou o encanto. Simples assim. Como quando se apaga a luz, ou acaba de tocar sua música preferida. Como quando você come o último pedaço de chocolate ou desliga o chuveiro depois de um banho quente. Como quando o sol se põe depois de um dia de verão ou termina o passeio na roda gigante. Era doce... e se acabou...


Sabrina Davanzo

5 de ago. de 2010

Decepção



Onda violenta que arrasta, bem diante dos nossos olhos e sem piedade, o castelo de sonhos que existe dentro da gente.

Sabrina Davanzo



4 de ago. de 2010

Corpo


Tenho olhos. Posso vê-los em meu rosto diante do espelho, mas eles não me veem.
Não conseguem perceber que preciso buscar outro horizonte.
De que adianta serem verdes se só refletem o vazio cinza que trago no coração?
De que adianta serem arregalados se só quero mantê-los fechados para não ter que enxergar a situação?

Tenho pés. Posso vê-los diante do espelho, mas é como se eles não existissem. Perderam a força, não podem sair do lugar. Não obedecem ao comando do meu cérebro. É estranho! Tenho um corpo que não me compreende e luta contra minha vontade.

Sabrina Davanzo

3 de ago. de 2010

Insônia


É noite e minha cabeça funciona como se estivesse, ao meio dia, no cruzamento de duas avenidas movimentadas.

Sabrina Davanzo

2 de ago. de 2010

Intempéries



Aconteceu um terremoto dentro de mim que tirou tudo do lugar.
Preciso começar do zero. Preciso reerguer minhas estruturas, quem sabe do jeito certo agora.

Não é fácil ter atitude depois de um abalo dessa proporção. Necessito de toneladas de doações não perecíveis como paciência e amor.
Estou deitada, sem forças, nos escombros, mas antes lembrei de riscar no chão a sigla SOS (sempre funciona nos filmes) na esperança de passar alguém que se compadeça de mim e me ofereça ajuda humanitária.

Sabrina Davanzo

29 de jul. de 2010

Relatividade

Dois ou três comprimidos a mais naquela caixa e ela não estaria aqui hoje comemorando seu trigésimo aniversário.
Observando-a daqui, reparo como ela sorri em paz. Será que ela pensa em desistir agora? E quem é louco de interromper a felicidade? A dor sim, queremos conter a todo custo. Seja com comprimidos, bebidas, lençóis, projéteis de chumbo.
Todos os dias alguém, em algum lugar do mundo, contém a sua dor.
Só dois ou três comprimidos a mais, e ela não estaria aqui...
Pergunto-me se à noite, na solidão de sua companhia, ela se arrepende, se dá conta do que teria perdido caso tivesse a quantia exata na cartela para conter a dor.
Formatura, o nascimento da sobrinha, a viagem para a Europa, o encontro com seu grande amor, tudo veio depois... tudo não teria chegado.
Por que nos momentos de desespero não nos damos conta disso? Por que não pensamos: “é só uma fase... vai passar”?
Só dois ou três comprimidos a menos e eis um milagre, segundo os cálculos do médico plantonista. E ela parece tão satisfeita com o rumo que a vida tomou. Ah! Se a gente tivesse mais paciência e menos ansiedade.
Olho para sua mãe. Ela a encara fascinada, apaixonada pelo ser que trouxe ao mundo, que deu a vida que ela teria ceifado não fosse dois ou três comprimidos a menos quando descobriu a gravidez.
Ainda bem que nossas tentativas são passíveis de falhas. Observando este salão cheio de vida, percebo o quando ela é relativa... num momento de desespero, por dois ou três comprimidos a mais ou a menos, podemos pôr tudo a perder ou ganhar uma segunda chance. Só alguns gramas para muda tudo: um destino, uma existência, uma família, a felicidade do outro, a gente.

Sabrina Davanzo

26 de jul. de 2010

No escuro



O que faz o girassol depois que o sol se põe?


Sabrina Davanzo

Interceção

Estou diante de espaços em branco tentando preencher com palavras a falta que você me faz.
Sou repetitiva, melancólica, reticente... É porque hoje o que me consome não são frases de efeito, mas sua ausência hiperbólica.
Ainda bem que inventaram a escrita. Eu traduzo a minha dor. Eu explico por a mais b eu e você.

Sabrina Davanzo

23 de jul. de 2010

Estimação

Ela é um bichinho solitário e arisco que amansa com algum carinho e algodão doce com balão na ponta.
E foi o que ele fez. Espertinho, foi se aproximando com uma coisa em cada mão e logo a tinha esparramada em seu colo.
Depois que conquistou sua confiança, a novidade passou e ele a deixou meio de lado, emboladinha em um canto com o balão que guardava como lembrança do dia em que ele chegou.

Sabrina Davanzo

22 de jul. de 2010

Depois da chuva


E várias cores vieram lá do infinito, cruzaram o céu e formaram um imenso arco multicolor que mais parecia um grande portal de entrada para algum lugar mágico e calmo. Ela caminhou feliz em sua direção com a certeza de que a todos que passam pela tempestade é garantido o direito de conhecer aquele paraíso.

Sabrina Davanzo

21 de jul. de 2010

Das coisas que só ele sabe

Me leva para casa, me leva para lua
se eu sou tua, me coloca perto de ti.
Que vida é essa que dói sem doer?
Me leva pra casa, me leva pra junto de você.
O que será que tenho de aprender?
Acho que não tenho conserto
sou um vazo oco, que não ecoa, que não ressoa.
Onde foi parar a felicidade que eu sentia?
Por que eu voltei?
O que tem para acontecer?
Eu não quero ficar...
Me leva pra casa, me deixa recomeçar
me tira desse vazio, desse frio.
Por que tive que reabrir os olhos?
Por quê?
O que ainda está por vir?
Eu não quero ficar...
Eu me lembro bem daquelas paredes frias
e de como foi voltar aqui...

Sabrina Davanzo

20 de jul. de 2010

Sinal



Se achas que mereço ser feliz
hoje a noite
quando para o céu eu olhar
faça piscar uma de tuas estrelas
e eu saberei que é o teu sim

Sabrina Davanzo

16 de jul. de 2010

(des) amor



Se não me considerassem louca, eu sairia agora gritando por toda a cidade. Gritaria até me doer a garganta, sumir a voz, estourar o pulmão. Ensurdeceria meus pensamentos descabidos. Pularia da ponte, desse trem desgovernado.
Agora dei pra engolir o choro. As lágrimas se tornam sólidas e descem entalando o diafragma. Param entre o peito e o estômago. Viram úlcera. E doem. E queimam. E pesam.
Quero prometer aqui, diante da minha fraqueza, que nunca mais vou me permitir tocar em teu nome. Enquanto durar esse desapego, vou ter sempre esse apelo surdo no escuro dos meu olhos, olhos que você cegou: “NÃO É JUSTO!” Ninguém deve gostar sozinho. Todo sentimento deveria acabar ao mesmo tempo. Uma mão nunca deveria esperar pela outra.
Eu DESamo você.


Sabrina Davanzo

15 de jul. de 2010

Dói


Dor mais doída desse mundo
é ter amor pra dar
pra alguém que não quer te amar
É assim:
de se perder o chão
o ar
É como ir pela contramão
dar uma facada no coração
com uma faca de serrar
Ah...
Não tem explicação não
Só peça a Deus
pra te livrar desse mal
reza noite e dia
pede pra São Sebastião
pra não te deixar amar em vão.

Sabrina Davanzo

Cavalinho de estimação


O cavalinho está preso com um cordinha a uma estaca e fica o dia inteiro marchando em círculo. Só para quando acaba a pilha ou chega a hora do vendedor ir para a casa.
Ninguém compra... a primeira vista parece tão sem graça.
Eu acho lindo e, embora não seja um brinquedo, entendo a situação do cavalinho.
Sei bem o que é estar presa a alguma coisa e não sair do lugar. Pena eu não ter a sorte do cavalinho. Não tenho um vendendor para me levar daqui. Não tenho sequer a energia que ele tem para marchar, ainda que isso não o leve a parte alguma.

Sabrina Davanzo


Ps: este brinquedinho vende perto do meu trabalho. E eu realmente queria ter um : )

Rosa dos ventos



Minha Rosa dos Ventos
de tão desorientada
despetalou-se
Não sei mais para onde ir
Quem vai me guiar?
Norte, Sul, Leste, Oeste
Onde é que isso vai dar?

Sabrina Davanzo

Para onde?


Às vezes tenho vontade de fugir.
Para onde?
Inútil.
Para qualquer lugar que eu vá,
você vai estar lá.
Vai estar aqui...
dentro de mim.


Sabrina Davanzo


12 de jul. de 2010

Catadora de conchas


Ultimamente, deu para ficar ajoelhada na beira do mar salvando as conchas que se atracam à areia. Uma a uma, devolve-lhes às ondas com medo de que fiquem ali para sempre. Quando vai entender que quem corre risco é ela? Sempre de cabeça baixa, está cada dia mais cega. Não enxerga que atrás de si o mar vai e vem o tempo todo trazendo novas conchas. Ela é que é sempre a mesma. Ela é que não sai do lugar.


Sabrina Davanzo

Passarela



Hoje me vesti com a tua ausência e saí por aí desfilando saudade de você.


Sabrina Davanzo

Santo remédio



A distância é,
para os males do coração,

tal qual o Mertiolate:
No começo, dói e arde
dá vontade de espernear.
Depois, vai ficando brando,
a gente acostuma
e entende que é para sarar.


Sabrina Davanzo

7 de jul. de 2010

Sem título


Que minhas lágrimas não sejam em vão.
Que meu sorriso volte a ser verdadeiro.
Que as sombras não ocultem o pôr do sol.
Que minha vontade se sobressaia à minha insensatez.
Que meus desejos se tornem claros para mim.
Que minha angústia seja passageira.
Que a paz se instale em meu coração.
Que eu encontre o amor e que ele me encontre.
Que as coisas ruins não passem de pesadelos.
Que as boas sejam como sonhos.
Que eu tenha sempre um porto seguro.
Que minha luta não resulte em fracasso.

Amém.

Escrito em 26/02/07

Sabrina Davanzo

Repete



- O que você disse, coração? Eu não consigo ouvir...


Sabrina Davanzo

6 de jul. de 2010

Falta

Falta meu brinquedo. Falta minha caixa de gibis da Turma da Mônica. Falta a galera da rua. Falta o meu biscoito preferido. Falta minha prima dormir na minha casa. Falta a sessão de chaves na hora do almoço. Falta a Ginástica Olímpica. Falta o Ballet. Falta a vitória. Falta o caderno de perguntas. Falta assistir Carrossel. Falta comer arroz doce no intervalo. Falta a gincana do colégio. Falta a torcida mais animada. Falta o primeiro amor. Falta o amigo que seria pra sempre. Falta o colo da minha mãe. Falta a primeira balada. Falta a primeira vodka. Falta ir à praia com a família. Falta a emoção da primeira aula na faculdade. Falta o novo amigo. Falta a festa perfeita. Falta a paixão proibida. Falta o beijo escondido. Falta a melhor viagem . Falta o que vivi. Eu cresci.

Escrito em 6/04/06

Sabrina Davanzo

Sem título



Tenho medo da solidão e sinto uma falta imensa das pessoas que amo. Faço um esforço para me adaptar à selva que virou meu mundo. Sou obrigada a matar um leão a cada dia.
Estou exausta, esgotada, esperando o destino chegar. Nem lágrimas eu tenho mais. O vento cortante as secou com pele e tudo.
Meu pranto agora é quieto, manso e, impacientemente, espera o futuro acontecer.

Escrito em 31/08/06

Sabrina Davanzo

Para um amigo


Hoje eu fui ver você, toquei na sua mão, fiquei triste e chorei. Pensei no seu sorriso e na sua careca.
Você foi guerreiro e, apesar dela ter vencido no final, você conseguiu chegar bem longe. Você venceu seus próprios medos, superou suas limitações, quis continuar quando tudo indicava que já não adiantava mais. Você foi um exemplo. Um doce, suave, e divertido exemplo.
Então tá. Qualquer coisa, eu sei onde é sua casa. Você foi morar com Deus, tenho certeza.
Te vejo na festa junina. Sempre tem. Em junho.

"A dor não é maior que a felicidade de ter conhecido você"


Escrito em 19/07/05

Para um amigo especial, que foi embora tão rápido quanto chegou em minha vida.

Sabrina Davanzo

Parágrafo um: recaída



Já tenho saudades de você, tenho e não vou mentir. Tenho saudades do que você se tornou para mim. Saudade de ser inteira e completa só por ter o teu sorriso por perto.
Saudade do tempo que a gente era amigo, você contava comigo e eu contava com você.
Hoje conto só ausências e o tempo que falta para que tudo acabe de uma vez. Chegou dezembro.. chegou o fim da adolescência.
Ainda que eu esteja distante, nossas mãos vão estar unidas embaixo da mesa brincando de quero você e não tenho coragem de dizer.

Escrito em 02/12/00


Sabrina Davanzo

Sem título


A vida da gente muda de repente
sem perceber já não existe mais eu você
A vida da gente, às vezes, não segue a corrente
machuca amigos, desfaz dos amores
não é coerente

A vida da gente é um barco sozinho
que segue por caminhos
que não conseguimos entender

Esses caminhos
muitas vezes com espinhos
ensinam como é que deve ser

Mas nós somos teimosos
queremos seguir o coração
enfiamos os pés pelas mãos
voltamos a sofrer...


Escrito em 17/07/05

Sabrina Davanzo

5 de jul. de 2010

Dois lados



Para Érika. Que, quando o dia é cinza, quer dengo.

Se todos os dias fossem azuis, como saberias que o cinza não é bom?
Há que se experimentar a dor e a alegria,
a febre e a hipotermia.
Reconhecer no próprio paladar
a diferença do doce e do amargo fel.
Rir até cair, para compreender o mau humor, o dissabor.
Há que percorrer as duas facetas da mesma existência
para, com conhecimento de causa, escolher de que lado ficar.
Isso é ser verdadeiramente humano.
Sorte ou azar?


Sabrina Davanzo

Pequena morte

Todos os dias eu morro um pouco que é para dar lugar à novas esperanças.
Meu morrer é uma forma de enterrar os sonhos velhos, há muito desgastados pelas tentativas vãs de tornarem-se realidade.
Curioso é imaginar que na mesma terra fértil que sepulto esses despojos brotam novas vontades. Sou eu querendo de novo, brincando com Morfeu.
Nesse círculo de morte e vida, aos sonhos que ultrapassam a barreira onírica atribuo o nome de conquista, realização, felicidade; Aos que perecem para sempre no vale sombrio, pura ilusão.
Há quem prefira se agarrar ao leito/jazigo deste último, mas eu não. Eu preciso respirar o acontecer e ele não se encontra nos desejos moribundos e desfalecidos.


Sabrina Davanzo

1 de jul. de 2010

Definição

Ansiedade:

Bichinho invisível,
que causa comichão,
ao percorrer todo o corpo
antes do próximo tum do coração.


Sabrina Davanzo

29 de jun. de 2010

Exorcismo

Algumas pessoas chamam de egoísmo. Eu chamo de obsessão essa minha mania de só pensar em mim. Essa necessidade instintiva e vital de me compreender, me amar, me aceitar, fazer o que me deixa feliz. É um cuidado exacerbado.
Como todo obcecado, há dias em que surto e me odeio, me repudio, sinto uma raiva animalesca de mim. Preferia que eu não existisse. É um caso de autopossessão. Eu dentro de mim numa briga infindável pelo poder, pela direção da minha vida.

Sabrina Davanzo

28 de jun. de 2010

Dúvida?



Sem ter todas as respostas, fico apenas com uma certeza: não estou aqui para entender.

Sabrina Davanzo

Exigência


A vida exige demais de mim quando só o que posso dar é amor. Parece que o amor está fora de moda, não serve, perdeu valor no mercado.
Ela quer meu sangue. Eu que nem o tenho mais correndo em minhas veias. O que eu tenho é uma lividez e apatia que me levaram embora as hemácias. Já que o amor não é aceito, ofereço estas gotas de sal que sei arrancar de dentro de mim com um pouco de contração dos músculos e nariz vermelho. Ai, essa vida exige demais.
O amor é tão leve.... e ela não o quer... e ela o rejeita.


Sabrina Davanzo


Receita


Sei muito bem do que é feita a eternidade:
pequenos minutos que me engolem,
horas que me consomem,
tempo que demora passar
e saudade de tudo o que fica.


Sabrina Davanzo

Sem(i)Deus



Como eu queria ser perfeita e imortal como os meus ídolos. Como eu queria que todos os meus erros fossem perdoados e camuflados em nome do que eu significo. Não tive a sorte de nascer no Olimpo. Minha mãe não me concebeu a partir de um semideus. Nasci anônima, desconhecida e sem graça. A mim não pertence o triunfo.
Seria esse o castigo para quem deseja ser mais do que cabe num corpo mirrado?

Sabrina Davanzo

Com todas as letras


Então, me diga você: de a a z o que é que falta para a gente se entender?


Sabrina Davanzo

27 de jun. de 2010

Partiu


A felicidade é tão efêmera que quando me dou conta de que a estou sentindo ela já está indo embora.


Sabrina Davanzo

25 de jun. de 2010

Composição


O ser mais delicado, mais sensível, não se compara ao que sou. Sou de papel de seda, asa de borboleta, casa de caracol, corpo de libélula. Não tenho composição definida. Sou etérea, sou completamente mortal.


Sabrina Davanzo

Sempre aparece...


Sempre tem um sol por trás das nuvens escuras. Dá para ver o seus raios entranhando o céu, dá pra sentir o seu calor.

Você não me engana, mau tempo. No fundo, eu sei que você queria ser bom. E vai ser. Eu sei! O sol vai aparecer.

Sabrina Davanzo

21 de jun. de 2010

Acorda

Abre os teus olhos,
devagar,
que é pra luz não incomodar.

Estica os braços,
com força,
que é tempo de começar.

Levanta-te,
põe-te a sorrir
que é hora de ir.

É (a)manhã de novo
tens de acordar
é hora de despertar.

Sabrina Davanzo

20 de jun. de 2010

Joguinho das relações



Tira daqui, põe ali. Tira dali, põe de cá. Não, volta. Arreda pra lá. Traz pra aqui. No final, só resta um. Eu.


Sabrina Davanzo




19 de jun. de 2010

Inverso na Quina Galeria


O livro Inverso Meu - pequenas histórias para gente grande - está disponível na Quina Galeria aqui em Belo Horizonte. Se você tem interesse em comprar um mas tem preguiça de pedir pela internet ou não quer pagar frete, essa é uma ótima opção. Aproveite para ver as coisinhas lindas, de uma galera super talentosa, que vende por lá.

A Quina Galeria fica no Ed. Maleta, segundo andar, na Rua Augusto de Lima, no centro.


Sabrina Davanzo


18 de jun. de 2010

Dias de feira



Segunda. Ausência. Terça. Ausência. Quarta. Ausência. Quinta. Ausência. Sexta. Ausência. Sábado. Ausência. Domingo. Ausência. Paciência. Não sei onde estou nos dias da semana.


Sabrina Davanzo

17 de jun. de 2010

Piano


Ela desconfia que carrega um peso desnecessário em sua vida. Pior é que ela não sabe como se livrar dele.

Sabrina Davanzo


Joaninha



Joaninha tem bolinha
e é toda delicada.
Seja moça com pressa
ou desanimada,
quando vê Joaninha
fica toda apaixonada.


Sabrina Davanzo

Documento


Martinha sempre levava na bolsa apertada alguns recortes que gostava. Tinha para si que um documento frio e verde de identidade, definitivamente, não conseguia dizer quem ela era, não lhe traduzia o estado de espírito. Então, caso fosse preciso apresentar um documento, em qualquer ocasião, Martinha mostrava os recortes.

Certa vez, na repartição, o atendente com cara mal dormida lhe pediu: “Documento, mocinha”. E lá foi Martinha caçando um recorte que combinasse com aquele dia. Entregou ao homem o recorte de um dia de sol. Sem paciência, o funcionário devolveu o pedaço de papel e resmungou que aquilo não a identificava. Martinha insistiu: “identifica sim, Senhor. Pois hoje sou desse jeitinho que o Senhor vê. Sou serena, estou radiante e iluminada.”
Noutra vez, Martinha apresentou na entrada para o cinema a imagem de uma girafa distraída, olhando para o nada, porque se dizia nas nuvens, pensando na vida.
Poemas, letras de Chico, arco-íris, guerra de travesseiro, neném no colo, gatinho tomando leite. Tudo podia ser Martinha, menos aquela foto séria e sem expressão do seu documento que, tão equivocadamente, chamava-se identidade, posto que não identificava nada. Ninguém poderia dizer quem era Martinha através dele. Bastava prestar atenção nos recortes para conhece-la.

Sabrina Davanzo



Dúvida


Estou com vontade de mudar. Não sei se de coração ou de lugar.



Sabrina Davanzo

Pedalando


Viver é andar de bicicleta. É você quem escolhe a direção, basta segurar firme o guidom. Uma vez pedalando, você está sujeito a tombos e arranhões, mas vale a pena.
Considere a brisa no rosto, a liberdade. Pense no movimento das pernas que nunca param e em tudo o que irá descobrir pelo caminho.
Sim. Viver é andar de bicicleta. E é permitido, inclusive, levar uma companhia. Vem comigo?


Sabrina Davanzo


16 de jun. de 2010

Machucado


Eu tenho uma ferida aberta que procuro esconder com curativos de mentira.
Mas acontece que feridas abertas são verdades escancaradas e mais cedo ou mais tarde sentirei suas fisgadas.
Preciso perder esse medo do “vai doer”, preciso perder essa aversão de ter que tocar nessa coisa feia para curá-la.
É difícil lidar com a verdade, esse antídoto amargo que incomoda, arde.
Por baixo do curativo confortável existe uma mentira dilacerando a minha pele. Preciso agir rápido, expor é a melhor forma de fazer sarar.
Essa ferida um dia será uma cicatriz. Um troféu tatuado em meu corpo mostrando que eu venci.

Sabrina Davanzo


11 de jun. de 2010

Aqui embaixo



Daqui debaixo, pouco enxergo, ando meio cega procurando entender teus planos.
Será mesmo necessário?
Daqui, você parece brincar de ensinar lições em que os tombos são para valer.
O vento traz tua risada dizendo que vai passar, mas teu tempo é manso e caminha devagar.
Olhando daqui, é difícil compreender... não tenho a visão privilegiada do meu destino como você.
E todos dizem que você sabe o que faz... nunca erra, é bom e justo.
Eu o obedeço, mas não posso deixar de fazer uma pergunta: eu tenho cura?

Sabrina Davanzo

Se perguntarem...


Se perguntarem por ela, diga que está ausente, fora de si. Diga que partiu e não sabe quando volta, nem se esse é o seu desejo.

Diga que ela foi desatar os nós da garganta e o emaranhado do coração.
Avise que ela foi respirar fora do poço, tentar ouvir outros sons além de seus próprios soluços, escutar outra voz além de sua própria consciência.

Sabrina Davanzo

9 de jun. de 2010

Wallpaper: Vento



Essa imagem aí em cima é um wallpaper que eu e o designer João Célio fizemos para a Papel e tudo.
Para baixar o seu acesse: http://papeletudo.com.br/blog/ e vá em Downloads. Aproveite para conhece o blog e os produtos gracinhas da loja virtual.

Sabrina Davanzo

Assimétrica


Eu gostaria de fazer poesias, mas me faltam as rimas. Minhas falas são só desencontros. Pareço não saber juntar a com b.
São tantas palavras que não sei o que fazer com elas. Essa vida cheia de opções...
E eu não sei o que escolher, não nasci para combinações.
Até hoje não sei o que é melhor para mim, quem dirá para compor uma métrica.
Meus olhos... Ah! Estes sim veem poesia em tudo. E são verdes...

Sabrina Davanzo

Disfarce


Pendurou nas orelhas brincos de diamantes que reluziam um brilho que não tinha.

Na boca, passou um batom vermelho sangue para lhe atribuir uma sensualidade que não possuía.
Colocou uma flor nos cabelos para exalar uma primavera que não sentia.
Calçou saltos que a deixaram de um tamanho que sozinha nunca alcançaria.
No pescoço, pendurou um pingente de chave que descansava perto do coração que nunca abria.
Pintou os olhos com sombra azul cor de um céu que nunca via.
Dançou a noite toda, empunhando garrafas de vodka barata, músicas com letras em alemão cujos significados nunca saberia.
Apossou-se de um desejo de liberdade que jamais conheceria.
Queria agir como louca, meio morta, meio viva, chamar atenção pela vivacidade de seus gestos como jamais se permitiria.
Era em pessoa, em carne e osso, uma valsa de negação: ESTA NÃO SOU EU. ESTA NÃO SOU EU.

Sabrina Davanzo

Passaporte


Pegou o mapa mundi em forma de globo no último compartimento da estante empoeirada. Colocou-o no chão e sentou-se a sua frente que nem um indiozinho. Rodou o globo, apontou o dedo, conferiu o destino, fechou os olhos e foi.


Sabrina Davanzo

8 de jun. de 2010

Parei de brincar


Quem me dera se a vida fosse uma brincadeira em que eu pudesse estar “de altas” quando me desse vontade.
Quem me dera ser um brinquedo movido a pilha que para poupar energia precisasse ser desligado de vez em quando.
Meu sonho ficar ali quietinha na prateleira ao lado das miniaturas de carros de corrida.
Tem horas que me sinto bichinho de zoológico. Estou presa nessa minha história e sou obrigada a mostrar a cara, ainda que seja de poucos amigos. A vida é uma necessidade de acontecer. Só quero ficar no meu canto, sem pegar galei, sem escorrega.
“Espera. Tô de figas!”.


Sabrina Davanzo


7 de jun. de 2010

Ressurreição



Violeta não cansa de renascer. Cada vez que amanhece murcha e cabisbaixa, penso com tristeza: "agora partiu"... E aí ela me surpreende fazendo brotar uma nova flor, cheia de vida e delicadeza. Tem me ensinado muito essa Violeta.

Sabrina Davanzo



Sal


Minha face é um leito a escoar o mar que não cansa de nascer nos cantos dos meus olhos.

Sabrina Davanzo

S.O.S


Estou aqui a ver navios e no vai e vem das ondas um ou outro marinheiro acena para mim. É um sinal de vida.

Sabrina Davanzo

6 de jun. de 2010

Dons



Às vezes, eu queria poder resolver problemas, aliviar sofrimentos, cessar dores. Então eu lembro que só Deus tem esse dom. Espero e confio nele.

Para vovô. Um fiapianho de vida e lucidez.


Sabrina Davanzo


5 de jun. de 2010

Poeira

Sou como a pedra feita de lama seca: pareço forte, mas com um aperto espatifo-me.
Quanto mais eu rolo, mais me desfaço, mais me despedaço.
É uma questão de tempo (e cessar de lágrimas) para que eu resseque, vire pó e vá para longe, grudada nos sapatos que me pisam sem nem imaginarem que um dia fui pedra de se fazer onda em rio.
Eu nasci poeira, por obra do destino e chuva forte, endureci. Mas ai... aquele que nasce sempre volta ao seu princípio. Espero pelo dia em que serei mais leve, em que serei mais eu. Espero pelo dia em que minha humilde existência não será empecilho no meio do caminho e, se por acaso, em alguém eu me agarrar, haverão de me sacodir e eu voarei.
Não terei um átomo de memória, pois nada além de mim mesma caberá em mim.
Sabrina Davanzo

4 de jun. de 2010

Língua portuguesa


Como que por decreto, passam a não ter mais sentido gramatical as cartas que escrevi?

E quanto as juras metafóricas que professei?
Como desapropriar-me das palavras dos grandes poetas que usei para expressar de forma mais literal o que eu sentia?
Pretérito-mais-que-perfeito. Futuro do pretério. Futuro do presente.
De repente, desaprendi a conju(l)gar o verbo amar. Como traduzir saudade em outras línguas?
É uma nova regra. Não encaixo meu corpo nesse texto.

Sabrina Davanzo

30 de mai. de 2010

Banho


É tanta lágrima que já lavou minha alma.
Deus, já não resta mais nada. Pode me mandar um novo amor.

Sabrina Davanzo

Regra de pontuação


Em relacionamento, quando chegar ao fim, coloque um ponto final.

Sabrina Davanzo

Remédio ao contrário


Tem coisas que a gente faz achando que vai fazer bem e acaba fazendo um mal danado.

Sabrina Davanzo

29 de mai. de 2010

Luz


Hoje um pequeno raio de sol alcançou a minha escuridão e fez-se luz.
Vem, sol. Vem iluminar toda a minha vida.

Sabrina Davanzo


27 de mai. de 2010

"Próxima estação:inverno"


Esse relógio que tiquetaqueia sem parar avisa que o tempo não me espera.
Nem pensava em partir tão cedo... Não estava preparada, mal sei o que levar na mala. Mas agora já é tarde e o bonde lá vem vindo. Está ouvindo? Seu apito corta os ruídos da minha respiração.
Adeus! Que lá vem o bonde com pressa de chegar à próxima estação. Adeus! Que já não tem mais espaço aqui para o meu coração.

Sabrina Davanzo


26 de mai. de 2010

Por quê?


Está um dia lindo e calmo lá fora. Aqui dentro, insiste a tempestade.

Sabrina Davanzo

25 de mai. de 2010

Cobrador


Todos os dias, um homenzinho muito dos bravos que trabalha para o setor de Realizações Pessoais, vem bater à minha porta.

- Bom dia! Já pensou no que vai desejar hoje? Já deu entrada no seu carro?
- Olá! Posso saber como estão os seus planos de investir em uma pós? Está ficando para trás, heim? O mercado daqui a pouco não quer gente como você.
- Como vai? Devo lhe informar que a senhorita já começa a passar da hora de casar e claro, comprar um apartamento.
- Com licença, pretende ficar parada aí até quando?
É assim, cobrança atrás de cobrança. Tornei-me uma eterna devedora de mim mesma. O tempo todo ele me diz o que fazer para seguir nessa busca sem fim.
O homenzinho trás consigo alguns documentos com regras como: “Para ser feliz é preciso chegar Lá. Lá é um lugar que só se alcança com muitas conquistas. De preferência, uma seguida da outra.”
Meio frustrada, respondo que, na verdade, nem sei se quero conhecer esse lugar. Ele imediatamente me repreende dizendo que não é permitido fazer escolhas. “Que asneira é essa? Lá é onde todo mundo quer chegar. É para onde todos devem ir. Se não se empenhar, irá ficar sozinha aí onde está.”
Passo da frustração a tristeza. E logo ele soa a trombeta: “Isso também é inaceitável. Não se pode ficar triste, não há tempo para sentir-ser perdido. Quem é que precisa refletir quando já se sabe o que deve fazer?”
Eu não tenho outra opção. Encaminho-me para a imensa fila de gente com feições cansadas e abatidas, que há muito tempo caminha tentando encontrar Lá. Essa terra prometida da felicidade e realizações.

Sabrina Davanzo

24 de mai. de 2010

Equilibrista

E não é que tem horas que a vida parece estreitar tanto, que a gente se vê caminhando sobre uma linha fininha, quase não cabendo, quase caindo no fundo do poço.
E haja força para manter o equilíbrio. E haja braços para cima, para baixo, tentando acertar o eixo. E não pode ficar parado, nem correr demais, nem desesperar, nem sentir medo, nem fechar os olhos. E ainda tem que aguentar o peso do coração.
Passar pela vida é mesmo um grande desafio.

Sabrina Davanzo

Dica

Da gastrite e da ira

http://www.dagastriteedaira.com/

Livro on line super bom de Milena de Almeida. Façam uma visita!

Eu já li tudo! : )

21 de mai. de 2010

Pedido



Antes de mais nada, gostaria de dizer que sou daquelas que fantasiam demais. Vejo contos de fadas até nas histórias de terror. Meus roteiros são adaptáveis para os sonhos impossíveis. Na hora de me despir, insisto em vestir qualquer coisa que não seja a realidade. Minha visão de raio lazer capta as maravilhas que não acontecem. É por isso que tenho tantas cicatrizes. É por isso que vivo constantemente com dor. Ah, como eu queria aceitar essa máxima de que o cristal partido jamais volta a reluzir como inteiro.
Preciso muito colocar os pés no chão. Vim aqui lhe pedir que corte minhas asas.
Mas antes, permita-me realizar um último e maravilho voo pelo meu mundo perfeito.

Sabrina Davanzo


19 de mai. de 2010

Escuro



E é à noite, quando os sonhos deveriam estar ao meu lado e não estão, que o medo vem.

Sabrina Davanzo

Significado



Partir:
Desatar o enrosco. Um que vai e outro que não pode mais alcançar.


Sabrina Davanzo


Anúncio

Procura-se alguém que tenha palavras de carinho a dizer e não saiba como fazê-lo.
Procura-se pessoas que estejam longe e precisem sentir que estão perto.
Procura-se amigos divertidos que desejem contar piadas entre um ou outro gesto de afeto.
Procura-se casais apaixonados que necessitem fazer declarações de amor.
Procura-se pais que precisem pedir perdão, filhos que tenham vontade de dizer eu te amo.
Procura-se desconhecidos que se esbarrem na fila de espera de um lugar qualquer e queiram dizer “prazer em conhecê-lo”.
Procura-se um colo de mãe que diga, ainda que silenciosamente, “vai ficar tudo bem”.
Procura-se pessoas pequenas ou grandes, pretas ou brancas, feias ou bonitas, que queiram preencher o vazio do mundo com palavras positivas.

Favor tratar com o Sr. Alfabeto.
Garante-se muitas opções de palavras. Entrega e felicidade imediatas.

Sabrina Davanzo

São meus olhos?



Não vejo mais os coelhinhos pulando no jardim. Será que eles cansaram e foram embora?
Também não sinto mais as borboletas pousarem em minhas mãos. Será que elas nunca estiveram aqui?
E o que dizer das abelhas que todos os dias faziam um zum zum zum trazendo mel para tornar minha vida mais doce? Meus olhos já não enxergam nada além da relva seca...
Meu Deus: ou eu estou ficando cega ou sempre fui louca.

Sabrina Davanzo



17 de mai. de 2010

Ao contrário


Cada dia que passa, algumas coisas parecem fazer menos sentido. E, por mais incrível que pareça, isso é bom.

Isso é o começo.

Sabrina Davanzo

Por dentro

Assim como o grão de areia, que se refugia dentro da ostra sem pensar no mal que causa a ela, eu me escondo dentro de mim.
Para encontrar minha pérola, é preciso mergulhar e buscar no mais profundo de meu ser. Arrancar uma a uma as muitas cascas que me protegem.
O que está acontecendo aqui dentro enquanto você prefere a superfície? Enquanto você pensa se deixa sua cômoda embarcação para se aventurar no fundo desse mar?
É uma reação química, física. É um tesouro. Não é fácil me encontrar...

Sabrina Davanzo

14 de mai. de 2010

Em casa...


Estou indo para a casa encontrar o que nunca perdi.
No caminho, vou deixar um pouco da minha angústia...
Estou indo para a casa porque lá, finalmente, fico longe de mim e perto do que considero verdadeiramente amor.

Sabrina Davanzo

Direção



Quando se está ao sabor amargo do vento, não há muito o que fazer a não ser rezar para que ele mude a direção e o gosto.

Sabrina Davanzo


12 de mai. de 2010

...

Quero me perder...
E só...

Sabrina Davanzo

11 de mai. de 2010

À mão livre


É sabido que, ao nascer, você é convidado para fazer um grande desenho à mão livre. É também uma regra, já estabelecida, que você deve dar asas à criatividade e, para isso, recebe uma caixinha com lápis de cor.
Aconselho-o a abusar do verde, vermelho, amarelo e laranja sempre que puder. Deixe o preto para as noites, enfeite-as com um pouco de prata e terás um belo luar. Deixe o cinza para os elefantes e terás um animal divertido e grandalhão. Lembre-se: os dias devem ser invariavelmente de céu azul de brigadeiro.
Tenha a mão firme para que o seu traço não falhe. Para o caso de erros graves, há, ainda que rara, a chance de começar de novo.
Faça o que lhe vier à cabeça, mas não repouse nunca o seu lápis. Não espere uma flor secar para começar outra... Não deixe um cãozinho que seja, à espera de afeto.
Haja o que houver, complete o seu desenho. Não faça como os medíocres que chegam ao final com seus desenhos apagados, sem expressão e culpam as cores limitadas que receberam. Não seja tolo! Você tem em suas mãos uma caixa de possibilidades e é você quem deve criar o seus tons, desenvolver suas vontades.
É mesmo um grande presente ganhar uma folha em branco, novinha para criar a vida - uma história inesquecível – do jeito que você desejar.


Sabrina Davanzo



6 de mai. de 2010

Nota


Meu bem, você consegue transformar qualquer noite de lua encoberta
em festa mágica de Cinderela.

E é por isso que sempre irei amá-lo.
Fique com a certeza de que ao seu lado a estrada é de tijolos amarelos
porque você é doce, terno e agradavelmente desajeitado.

Onde quer que eu esteja, irei amá-lo.
Você é o meu príncipe. Único e para sempre.
Haja o que houver, irei amá-lo.

Sabrina Davanzo



4 de mai. de 2010

Que seja permitido


Que seja permitido confiar em intuições que chegam quando a razão adormece.

Que seja permitido não parar de sonhar independente das dificuldades.
Que seja permitido acreditar de olhos fechados nas pessoas.
Que seja permitido experimentar o amor quantas vezes for necessário.
Que seja permitido aprender ainda que às custas de erros.
Que seja permitido recomeçar quantas vezes for necessário.

Sabrina Davanzo

Para as visitas


Visitas são, na maioria das vezes, pessoas queridas que aparecem para trazer um sorriso, uma palavra de carinho, um pensamento positivo.

Hoje o InVerso acaba de completar 26 mil delícias assim. Algumas pessoas vêm aqui há tanto tempo que já são de casa, entram sem bater. Outras, deixam uma lembrança.
Obrigada queridos e queridas por sempre aparecerem para "ver como estão as coisas". Obrigada por deixarem suas palavras lindas e reflexivas.
Deixo aqui um beijo doce para cada um que passa por este cantinho.

Sabrina Davanzo

Porto seco



E se a gente não tem um porto seguro para chegar
como é que se atreve sair ao mar
sem ter ao certo onde parar?

Sabrina Davanzo


Pés cansados


Por muito tempo acreditei ser eu mesma a responsável por trilhar meus próprios passos. Hoje, um misterioso magnetismo me atrai para longe de onde quero estar provando que não sou eu quem decide o caminho. Parece haver uma força maior, uma bússola que orienta em direções desconhecidas por mim, diferentes das que eu escolhi. Meus pés estão cansados e ainda há tanto que caminhar...

Nessa altura do trajeto as pausas são raras assim como as sombras das árvores. Já não alcanço a mão daqueles que ficaram para trás. Estou só neste caminho que é só meu. Se há o que comemorar, são as perdas. Cada vez que avanço, perco-me um pouco mais, afasto-me do que me fez acreditar ser o ponto de chegada. Sinto-me enganada... meus pés estão cansados...

Sabrina Davanzo

3 de mai. de 2010

A vida que eu quero...


O que eu quero da vida é outra vida porque esta parece já não me caber. Não comporta minhas experiências, é demasiada pequena para o que eu sei. Oh, Deus! Esta vida é tão leve para o peso do meu espírito cansado que de vez em quando minha alma sobe aos céus para lhe implorar providências divinas.
Tal como um limbo é o lugar em que encontro-me para tentar ser feliz apesar de. É trabalho para Hércules. De onde arrancar toda força necessária?
Poderia eu ter a forma que mais me trouxesse paz? Pois te pediria para transformar-me nos seres ainda desconhecidos que habitam as profundezas dos mares. Imploraria para que me fizesse uma ave rara que voa até o infinito e repousa no topo da montanha mais alta e inalcançável. O que eu temo, o que eu não quero é continuar nessa condição humana onde existe dor até na alegria. Eu que já descobri que ela finda como uma água na fonte. A alegria passa.
A vida que eu quero não tem nome. É começo de tudo, um nada, um não compreender, não existir. A vida que eu quero transcende o meu ser.

Sabrina Davanzo

26 de abr. de 2010

Regra

Aos poucos, começo a perceber a complexidade de uma regra simples que diz: viva sem medo de ser feliz.

Sabrina Davanzo

Carrossel


Meus sonhos um dia já foram do tamanho de uma roda de ciranda e meus passos serviram para delimitar o tamanho do campo de jogar “queimada’. Naquele tempo, era minha obrigação me esticar, do jeito que desse, para segurar uma peteca de penas coloridas que cortava o céu das tardes de quando eu era do tamanho de uma pedrinha de jogar 5 Marias.
Ainda guardo um arranhão no joelho que denuncia o quanto eu me aventurava em correr ao invés de caminhar. Naquela época eu fui mãe, cozinheira, professora, modelo, guerreira, fui a mais rápida do pique no alto, cheguei primeiro no pique esconde. Engraçado como eu podia ser tudo o que queria...
Nunca fui tão longe como naquele tempo. Saía de casa para ganhar o mundo na rua de cima e parecia ter atravessado de um hemisfério ao outro.
Aquele foi um tempo em que a vida era uma eterna descoberta. Mas eu, que de tão pequena cabia dentro do céu da amarelinha, não tinha maturidade para perceber que já ali, naquelas brincadeiras, começaram minhas experiências e saudades.

Sabrina Davanzo


22 de abr. de 2010

Convivência



E se hoje o dia está azul, agradeça a mim por fazer de tudo para conviver em harmonia e paz com esta que habita o meu corpo e insiste em dizer que sou eu. Não me reconheço, mas pratico a política da boa vizinhança e me ofereço pudins, bolos e tortas. Isso acalma minha imaturidade, me faz abrir um sorriso de criança em meio a essa vida adulta. Acabo por sentir um suspiro do meu verdadeiro existir, me agarro a ele e ouço-o sussurrar: "eu ainda adormeço dentro de ti..."

Sabrina Davanzo


19 de abr. de 2010

Faces


Dentre as várias de mim que sou, escolho ser aquela que não desiste, aquela que sorri a cada desventura e pensa: eu tentarei novamente. Escolho ser exatamente esta porque sei que uma pequena porção de todas as outras é o que me dá a devida coragem para me tornar quem eu quero ser.


Sabrina Davanzo

12 de abr. de 2010

Recado


Felicidade mandou dizer que não é deste mundo. Mas, para aqueles que se arriscam procurá-la em outro lugar, ela promete chocolate quente e bolo de cenoura. Boa sorte!


Sabrina Davanzo

9 de abr. de 2010

Terra


Era uma vez um Planetinha que vivia no espaço - um universo gigante que nem dá para mostrar com os braços. Junto dele moravam outros planetas, estrelas e também o sol e a lua.

Mesmo com toda essa companhia, o Planetinha sentia-se muito só, por isso convidou um monte de amigos para conviver com ele. O Planetinha ficou tão feliz com as novas amizades que ofereceu-lhes águas cristalinas, manhãs azuladas e noites reconfortantes. Cobriu seu solo de flores e moldou a paisagem com árvores de todos os portes e pássaros de todas as cores.
Para que seus amigos também não se sentissem sozinhos, deu-lhes a presença dos animais. Uma infinidade deles.
O tempo passava e o Planetinha era feliz até o dia em que os seus amigos resolveram trazer para habitar aquele lugar uma senhora muito maldosa chamada Ganância, esposa do sr. Egoísmo.
A partir de então, ela, com suas palavras bonitas e bem colocadas, convencia todo mundo a pensar cada um em si “custe o que custar”, esquecendo-se de quem havia oferecido todas aquelas maravilhas.
O Planetinha, cada vez mais triste, sentia-se deixado de lado. Passou a chorar toda hora. Grandes lágrimas caiam do céu e molhavam as casinhas de seus amigos queridos. E eles nem percebiam... ao contrário, só reclamavam: “quem é que sai de casa com essa choração?”, “ com essa choração não tem jeito de ir ao clube!”.
Os amigos, por maldade, começaram a caçoar dele. Com pequenos beliscões, arrancavam-lhe pedaços imensos. Sua dor era tanta que até tremia. Acabavam por sentir o seu desespero já que causava bastante estrago o treme treme do Planetinha.
O pobre coitado bem sabe que não há volta... Não tem coragem de abandonar seus amigos. Para onde eles iriam? “Em marte é tão quente... Em júpiter a água não é tão boa quanto aqui... Eles não se adaptariam...”
Aos poucos ele tenta controlar essa confusão. Tenta, incansavelmente, expulsar dona Ganância desse lugar que antes era tão perfeito.
Enquanto isso, alguns amigos começam a perceber que foram ingratos com o Planetinha e correm para socorrê-lo. Um curativo aqui, outro ali.
Tudo o que o Planetinha quer é que todos sejam como antes, que aproveitem com amor e respeito o que ele tem para oferecer. Não pense que ele não sofre quando, em alguma crise, um amigo acaba sendo atingido por sua tristeza. Ele sofre sim. Ele só não sabe o que fazer, depois que seus amigos resolveram assumir o poder.
“Vá embora, dona Ganância. Deixe já este lugar!”

Sabrina Davanzo

5 de abr. de 2010

Mais alto



Às vezes, queria que Ele me soprasse as respostas. Eu não sei tudo e nem deveria saber. Talvez Ele até esteja tentando, mas, com esses gritos, como poderei ouví-lo?

Sabrina Davanzo


30 de mar. de 2010

Construção


Se queres conhecer o céu, primeiro constrói tuas asas.



Sabrina Davanzo