1 de jul. de 2010

Definição

Ansiedade:

Bichinho invisível,
que causa comichão,
ao percorrer todo o corpo
antes do próximo tum do coração.


Sabrina Davanzo

29 de jun. de 2010

Exorcismo

Algumas pessoas chamam de egoísmo. Eu chamo de obsessão essa minha mania de só pensar em mim. Essa necessidade instintiva e vital de me compreender, me amar, me aceitar, fazer o que me deixa feliz. É um cuidado exacerbado.
Como todo obcecado, há dias em que surto e me odeio, me repudio, sinto uma raiva animalesca de mim. Preferia que eu não existisse. É um caso de autopossessão. Eu dentro de mim numa briga infindável pelo poder, pela direção da minha vida.

Sabrina Davanzo

28 de jun. de 2010

Dúvida?



Sem ter todas as respostas, fico apenas com uma certeza: não estou aqui para entender.

Sabrina Davanzo

Exigência


A vida exige demais de mim quando só o que posso dar é amor. Parece que o amor está fora de moda, não serve, perdeu valor no mercado.
Ela quer meu sangue. Eu que nem o tenho mais correndo em minhas veias. O que eu tenho é uma lividez e apatia que me levaram embora as hemácias. Já que o amor não é aceito, ofereço estas gotas de sal que sei arrancar de dentro de mim com um pouco de contração dos músculos e nariz vermelho. Ai, essa vida exige demais.
O amor é tão leve.... e ela não o quer... e ela o rejeita.


Sabrina Davanzo


Receita


Sei muito bem do que é feita a eternidade:
pequenos minutos que me engolem,
horas que me consomem,
tempo que demora passar
e saudade de tudo o que fica.


Sabrina Davanzo

Sem(i)Deus



Como eu queria ser perfeita e imortal como os meus ídolos. Como eu queria que todos os meus erros fossem perdoados e camuflados em nome do que eu significo. Não tive a sorte de nascer no Olimpo. Minha mãe não me concebeu a partir de um semideus. Nasci anônima, desconhecida e sem graça. A mim não pertence o triunfo.
Seria esse o castigo para quem deseja ser mais do que cabe num corpo mirrado?

Sabrina Davanzo

Com todas as letras


Então, me diga você: de a a z o que é que falta para a gente se entender?


Sabrina Davanzo

27 de jun. de 2010

Partiu


A felicidade é tão efêmera que quando me dou conta de que a estou sentindo ela já está indo embora.


Sabrina Davanzo

25 de jun. de 2010

Composição


O ser mais delicado, mais sensível, não se compara ao que sou. Sou de papel de seda, asa de borboleta, casa de caracol, corpo de libélula. Não tenho composição definida. Sou etérea, sou completamente mortal.


Sabrina Davanzo

Sempre aparece...


Sempre tem um sol por trás das nuvens escuras. Dá para ver o seus raios entranhando o céu, dá pra sentir o seu calor.

Você não me engana, mau tempo. No fundo, eu sei que você queria ser bom. E vai ser. Eu sei! O sol vai aparecer.

Sabrina Davanzo

21 de jun. de 2010

Acorda

Abre os teus olhos,
devagar,
que é pra luz não incomodar.

Estica os braços,
com força,
que é tempo de começar.

Levanta-te,
põe-te a sorrir
que é hora de ir.

É (a)manhã de novo
tens de acordar
é hora de despertar.

Sabrina Davanzo

20 de jun. de 2010

Joguinho das relações



Tira daqui, põe ali. Tira dali, põe de cá. Não, volta. Arreda pra lá. Traz pra aqui. No final, só resta um. Eu.


Sabrina Davanzo




19 de jun. de 2010

Inverso na Quina Galeria


O livro Inverso Meu - pequenas histórias para gente grande - está disponível na Quina Galeria aqui em Belo Horizonte. Se você tem interesse em comprar um mas tem preguiça de pedir pela internet ou não quer pagar frete, essa é uma ótima opção. Aproveite para ver as coisinhas lindas, de uma galera super talentosa, que vende por lá.

A Quina Galeria fica no Ed. Maleta, segundo andar, na Rua Augusto de Lima, no centro.


Sabrina Davanzo


18 de jun. de 2010

Dias de feira



Segunda. Ausência. Terça. Ausência. Quarta. Ausência. Quinta. Ausência. Sexta. Ausência. Sábado. Ausência. Domingo. Ausência. Paciência. Não sei onde estou nos dias da semana.


Sabrina Davanzo

17 de jun. de 2010

Piano


Ela desconfia que carrega um peso desnecessário em sua vida. Pior é que ela não sabe como se livrar dele.

Sabrina Davanzo


Joaninha



Joaninha tem bolinha
e é toda delicada.
Seja moça com pressa
ou desanimada,
quando vê Joaninha
fica toda apaixonada.


Sabrina Davanzo

Documento


Martinha sempre levava na bolsa apertada alguns recortes que gostava. Tinha para si que um documento frio e verde de identidade, definitivamente, não conseguia dizer quem ela era, não lhe traduzia o estado de espírito. Então, caso fosse preciso apresentar um documento, em qualquer ocasião, Martinha mostrava os recortes.

Certa vez, na repartição, o atendente com cara mal dormida lhe pediu: “Documento, mocinha”. E lá foi Martinha caçando um recorte que combinasse com aquele dia. Entregou ao homem o recorte de um dia de sol. Sem paciência, o funcionário devolveu o pedaço de papel e resmungou que aquilo não a identificava. Martinha insistiu: “identifica sim, Senhor. Pois hoje sou desse jeitinho que o Senhor vê. Sou serena, estou radiante e iluminada.”
Noutra vez, Martinha apresentou na entrada para o cinema a imagem de uma girafa distraída, olhando para o nada, porque se dizia nas nuvens, pensando na vida.
Poemas, letras de Chico, arco-íris, guerra de travesseiro, neném no colo, gatinho tomando leite. Tudo podia ser Martinha, menos aquela foto séria e sem expressão do seu documento que, tão equivocadamente, chamava-se identidade, posto que não identificava nada. Ninguém poderia dizer quem era Martinha através dele. Bastava prestar atenção nos recortes para conhece-la.

Sabrina Davanzo



Dúvida


Estou com vontade de mudar. Não sei se de coração ou de lugar.



Sabrina Davanzo

Pedalando


Viver é andar de bicicleta. É você quem escolhe a direção, basta segurar firme o guidom. Uma vez pedalando, você está sujeito a tombos e arranhões, mas vale a pena.
Considere a brisa no rosto, a liberdade. Pense no movimento das pernas que nunca param e em tudo o que irá descobrir pelo caminho.
Sim. Viver é andar de bicicleta. E é permitido, inclusive, levar uma companhia. Vem comigo?


Sabrina Davanzo


16 de jun. de 2010

Machucado


Eu tenho uma ferida aberta que procuro esconder com curativos de mentira.
Mas acontece que feridas abertas são verdades escancaradas e mais cedo ou mais tarde sentirei suas fisgadas.
Preciso perder esse medo do “vai doer”, preciso perder essa aversão de ter que tocar nessa coisa feia para curá-la.
É difícil lidar com a verdade, esse antídoto amargo que incomoda, arde.
Por baixo do curativo confortável existe uma mentira dilacerando a minha pele. Preciso agir rápido, expor é a melhor forma de fazer sarar.
Essa ferida um dia será uma cicatriz. Um troféu tatuado em meu corpo mostrando que eu venci.

Sabrina Davanzo


11 de jun. de 2010

Aqui embaixo



Daqui debaixo, pouco enxergo, ando meio cega procurando entender teus planos.
Será mesmo necessário?
Daqui, você parece brincar de ensinar lições em que os tombos são para valer.
O vento traz tua risada dizendo que vai passar, mas teu tempo é manso e caminha devagar.
Olhando daqui, é difícil compreender... não tenho a visão privilegiada do meu destino como você.
E todos dizem que você sabe o que faz... nunca erra, é bom e justo.
Eu o obedeço, mas não posso deixar de fazer uma pergunta: eu tenho cura?

Sabrina Davanzo

Se perguntarem...


Se perguntarem por ela, diga que está ausente, fora de si. Diga que partiu e não sabe quando volta, nem se esse é o seu desejo.

Diga que ela foi desatar os nós da garganta e o emaranhado do coração.
Avise que ela foi respirar fora do poço, tentar ouvir outros sons além de seus próprios soluços, escutar outra voz além de sua própria consciência.

Sabrina Davanzo

9 de jun. de 2010

Wallpaper: Vento



Essa imagem aí em cima é um wallpaper que eu e o designer João Célio fizemos para a Papel e tudo.
Para baixar o seu acesse: http://papeletudo.com.br/blog/ e vá em Downloads. Aproveite para conhece o blog e os produtos gracinhas da loja virtual.

Sabrina Davanzo

Assimétrica


Eu gostaria de fazer poesias, mas me faltam as rimas. Minhas falas são só desencontros. Pareço não saber juntar a com b.
São tantas palavras que não sei o que fazer com elas. Essa vida cheia de opções...
E eu não sei o que escolher, não nasci para combinações.
Até hoje não sei o que é melhor para mim, quem dirá para compor uma métrica.
Meus olhos... Ah! Estes sim veem poesia em tudo. E são verdes...

Sabrina Davanzo

Disfarce


Pendurou nas orelhas brincos de diamantes que reluziam um brilho que não tinha.

Na boca, passou um batom vermelho sangue para lhe atribuir uma sensualidade que não possuía.
Colocou uma flor nos cabelos para exalar uma primavera que não sentia.
Calçou saltos que a deixaram de um tamanho que sozinha nunca alcançaria.
No pescoço, pendurou um pingente de chave que descansava perto do coração que nunca abria.
Pintou os olhos com sombra azul cor de um céu que nunca via.
Dançou a noite toda, empunhando garrafas de vodka barata, músicas com letras em alemão cujos significados nunca saberia.
Apossou-se de um desejo de liberdade que jamais conheceria.
Queria agir como louca, meio morta, meio viva, chamar atenção pela vivacidade de seus gestos como jamais se permitiria.
Era em pessoa, em carne e osso, uma valsa de negação: ESTA NÃO SOU EU. ESTA NÃO SOU EU.

Sabrina Davanzo

Passaporte


Pegou o mapa mundi em forma de globo no último compartimento da estante empoeirada. Colocou-o no chão e sentou-se a sua frente que nem um indiozinho. Rodou o globo, apontou o dedo, conferiu o destino, fechou os olhos e foi.


Sabrina Davanzo

8 de jun. de 2010

Parei de brincar


Quem me dera se a vida fosse uma brincadeira em que eu pudesse estar “de altas” quando me desse vontade.
Quem me dera ser um brinquedo movido a pilha que para poupar energia precisasse ser desligado de vez em quando.
Meu sonho ficar ali quietinha na prateleira ao lado das miniaturas de carros de corrida.
Tem horas que me sinto bichinho de zoológico. Estou presa nessa minha história e sou obrigada a mostrar a cara, ainda que seja de poucos amigos. A vida é uma necessidade de acontecer. Só quero ficar no meu canto, sem pegar galei, sem escorrega.
“Espera. Tô de figas!”.


Sabrina Davanzo


7 de jun. de 2010

Ressurreição



Violeta não cansa de renascer. Cada vez que amanhece murcha e cabisbaixa, penso com tristeza: "agora partiu"... E aí ela me surpreende fazendo brotar uma nova flor, cheia de vida e delicadeza. Tem me ensinado muito essa Violeta.

Sabrina Davanzo



Sal


Minha face é um leito a escoar o mar que não cansa de nascer nos cantos dos meus olhos.

Sabrina Davanzo

S.O.S


Estou aqui a ver navios e no vai e vem das ondas um ou outro marinheiro acena para mim. É um sinal de vida.

Sabrina Davanzo

6 de jun. de 2010

Dons



Às vezes, eu queria poder resolver problemas, aliviar sofrimentos, cessar dores. Então eu lembro que só Deus tem esse dom. Espero e confio nele.

Para vovô. Um fiapianho de vida e lucidez.


Sabrina Davanzo


5 de jun. de 2010

Poeira

Sou como a pedra feita de lama seca: pareço forte, mas com um aperto espatifo-me.
Quanto mais eu rolo, mais me desfaço, mais me despedaço.
É uma questão de tempo (e cessar de lágrimas) para que eu resseque, vire pó e vá para longe, grudada nos sapatos que me pisam sem nem imaginarem que um dia fui pedra de se fazer onda em rio.
Eu nasci poeira, por obra do destino e chuva forte, endureci. Mas ai... aquele que nasce sempre volta ao seu princípio. Espero pelo dia em que serei mais leve, em que serei mais eu. Espero pelo dia em que minha humilde existência não será empecilho no meio do caminho e, se por acaso, em alguém eu me agarrar, haverão de me sacodir e eu voarei.
Não terei um átomo de memória, pois nada além de mim mesma caberá em mim.
Sabrina Davanzo

4 de jun. de 2010

Língua portuguesa


Como que por decreto, passam a não ter mais sentido gramatical as cartas que escrevi?

E quanto as juras metafóricas que professei?
Como desapropriar-me das palavras dos grandes poetas que usei para expressar de forma mais literal o que eu sentia?
Pretérito-mais-que-perfeito. Futuro do pretério. Futuro do presente.
De repente, desaprendi a conju(l)gar o verbo amar. Como traduzir saudade em outras línguas?
É uma nova regra. Não encaixo meu corpo nesse texto.

Sabrina Davanzo

30 de mai. de 2010

Banho


É tanta lágrima que já lavou minha alma.
Deus, já não resta mais nada. Pode me mandar um novo amor.

Sabrina Davanzo

Regra de pontuação


Em relacionamento, quando chegar ao fim, coloque um ponto final.

Sabrina Davanzo

Remédio ao contrário


Tem coisas que a gente faz achando que vai fazer bem e acaba fazendo um mal danado.

Sabrina Davanzo

29 de mai. de 2010

Luz


Hoje um pequeno raio de sol alcançou a minha escuridão e fez-se luz.
Vem, sol. Vem iluminar toda a minha vida.

Sabrina Davanzo


27 de mai. de 2010

"Próxima estação:inverno"


Esse relógio que tiquetaqueia sem parar avisa que o tempo não me espera.
Nem pensava em partir tão cedo... Não estava preparada, mal sei o que levar na mala. Mas agora já é tarde e o bonde lá vem vindo. Está ouvindo? Seu apito corta os ruídos da minha respiração.
Adeus! Que lá vem o bonde com pressa de chegar à próxima estação. Adeus! Que já não tem mais espaço aqui para o meu coração.

Sabrina Davanzo


26 de mai. de 2010

Por quê?


Está um dia lindo e calmo lá fora. Aqui dentro, insiste a tempestade.

Sabrina Davanzo

25 de mai. de 2010

Cobrador


Todos os dias, um homenzinho muito dos bravos que trabalha para o setor de Realizações Pessoais, vem bater à minha porta.

- Bom dia! Já pensou no que vai desejar hoje? Já deu entrada no seu carro?
- Olá! Posso saber como estão os seus planos de investir em uma pós? Está ficando para trás, heim? O mercado daqui a pouco não quer gente como você.
- Como vai? Devo lhe informar que a senhorita já começa a passar da hora de casar e claro, comprar um apartamento.
- Com licença, pretende ficar parada aí até quando?
É assim, cobrança atrás de cobrança. Tornei-me uma eterna devedora de mim mesma. O tempo todo ele me diz o que fazer para seguir nessa busca sem fim.
O homenzinho trás consigo alguns documentos com regras como: “Para ser feliz é preciso chegar Lá. Lá é um lugar que só se alcança com muitas conquistas. De preferência, uma seguida da outra.”
Meio frustrada, respondo que, na verdade, nem sei se quero conhecer esse lugar. Ele imediatamente me repreende dizendo que não é permitido fazer escolhas. “Que asneira é essa? Lá é onde todo mundo quer chegar. É para onde todos devem ir. Se não se empenhar, irá ficar sozinha aí onde está.”
Passo da frustração a tristeza. E logo ele soa a trombeta: “Isso também é inaceitável. Não se pode ficar triste, não há tempo para sentir-ser perdido. Quem é que precisa refletir quando já se sabe o que deve fazer?”
Eu não tenho outra opção. Encaminho-me para a imensa fila de gente com feições cansadas e abatidas, que há muito tempo caminha tentando encontrar Lá. Essa terra prometida da felicidade e realizações.

Sabrina Davanzo

24 de mai. de 2010

Equilibrista

E não é que tem horas que a vida parece estreitar tanto, que a gente se vê caminhando sobre uma linha fininha, quase não cabendo, quase caindo no fundo do poço.
E haja força para manter o equilíbrio. E haja braços para cima, para baixo, tentando acertar o eixo. E não pode ficar parado, nem correr demais, nem desesperar, nem sentir medo, nem fechar os olhos. E ainda tem que aguentar o peso do coração.
Passar pela vida é mesmo um grande desafio.

Sabrina Davanzo

Dica

Da gastrite e da ira

http://www.dagastriteedaira.com/

Livro on line super bom de Milena de Almeida. Façam uma visita!

Eu já li tudo! : )

21 de mai. de 2010

Pedido



Antes de mais nada, gostaria de dizer que sou daquelas que fantasiam demais. Vejo contos de fadas até nas histórias de terror. Meus roteiros são adaptáveis para os sonhos impossíveis. Na hora de me despir, insisto em vestir qualquer coisa que não seja a realidade. Minha visão de raio lazer capta as maravilhas que não acontecem. É por isso que tenho tantas cicatrizes. É por isso que vivo constantemente com dor. Ah, como eu queria aceitar essa máxima de que o cristal partido jamais volta a reluzir como inteiro.
Preciso muito colocar os pés no chão. Vim aqui lhe pedir que corte minhas asas.
Mas antes, permita-me realizar um último e maravilho voo pelo meu mundo perfeito.

Sabrina Davanzo


19 de mai. de 2010

Escuro



E é à noite, quando os sonhos deveriam estar ao meu lado e não estão, que o medo vem.

Sabrina Davanzo

Significado



Partir:
Desatar o enrosco. Um que vai e outro que não pode mais alcançar.


Sabrina Davanzo


Anúncio

Procura-se alguém que tenha palavras de carinho a dizer e não saiba como fazê-lo.
Procura-se pessoas que estejam longe e precisem sentir que estão perto.
Procura-se amigos divertidos que desejem contar piadas entre um ou outro gesto de afeto.
Procura-se casais apaixonados que necessitem fazer declarações de amor.
Procura-se pais que precisem pedir perdão, filhos que tenham vontade de dizer eu te amo.
Procura-se desconhecidos que se esbarrem na fila de espera de um lugar qualquer e queiram dizer “prazer em conhecê-lo”.
Procura-se um colo de mãe que diga, ainda que silenciosamente, “vai ficar tudo bem”.
Procura-se pessoas pequenas ou grandes, pretas ou brancas, feias ou bonitas, que queiram preencher o vazio do mundo com palavras positivas.

Favor tratar com o Sr. Alfabeto.
Garante-se muitas opções de palavras. Entrega e felicidade imediatas.

Sabrina Davanzo

São meus olhos?



Não vejo mais os coelhinhos pulando no jardim. Será que eles cansaram e foram embora?
Também não sinto mais as borboletas pousarem em minhas mãos. Será que elas nunca estiveram aqui?
E o que dizer das abelhas que todos os dias faziam um zum zum zum trazendo mel para tornar minha vida mais doce? Meus olhos já não enxergam nada além da relva seca...
Meu Deus: ou eu estou ficando cega ou sempre fui louca.

Sabrina Davanzo



17 de mai. de 2010

Ao contrário


Cada dia que passa, algumas coisas parecem fazer menos sentido. E, por mais incrível que pareça, isso é bom.

Isso é o começo.

Sabrina Davanzo

Por dentro

Assim como o grão de areia, que se refugia dentro da ostra sem pensar no mal que causa a ela, eu me escondo dentro de mim.
Para encontrar minha pérola, é preciso mergulhar e buscar no mais profundo de meu ser. Arrancar uma a uma as muitas cascas que me protegem.
O que está acontecendo aqui dentro enquanto você prefere a superfície? Enquanto você pensa se deixa sua cômoda embarcação para se aventurar no fundo desse mar?
É uma reação química, física. É um tesouro. Não é fácil me encontrar...

Sabrina Davanzo

14 de mai. de 2010

Em casa...


Estou indo para a casa encontrar o que nunca perdi.
No caminho, vou deixar um pouco da minha angústia...
Estou indo para a casa porque lá, finalmente, fico longe de mim e perto do que considero verdadeiramente amor.

Sabrina Davanzo

Direção



Quando se está ao sabor amargo do vento, não há muito o que fazer a não ser rezar para que ele mude a direção e o gosto.

Sabrina Davanzo


12 de mai. de 2010

...

Quero me perder...
E só...

Sabrina Davanzo

11 de mai. de 2010

À mão livre


É sabido que, ao nascer, você é convidado para fazer um grande desenho à mão livre. É também uma regra, já estabelecida, que você deve dar asas à criatividade e, para isso, recebe uma caixinha com lápis de cor.
Aconselho-o a abusar do verde, vermelho, amarelo e laranja sempre que puder. Deixe o preto para as noites, enfeite-as com um pouco de prata e terás um belo luar. Deixe o cinza para os elefantes e terás um animal divertido e grandalhão. Lembre-se: os dias devem ser invariavelmente de céu azul de brigadeiro.
Tenha a mão firme para que o seu traço não falhe. Para o caso de erros graves, há, ainda que rara, a chance de começar de novo.
Faça o que lhe vier à cabeça, mas não repouse nunca o seu lápis. Não espere uma flor secar para começar outra... Não deixe um cãozinho que seja, à espera de afeto.
Haja o que houver, complete o seu desenho. Não faça como os medíocres que chegam ao final com seus desenhos apagados, sem expressão e culpam as cores limitadas que receberam. Não seja tolo! Você tem em suas mãos uma caixa de possibilidades e é você quem deve criar o seus tons, desenvolver suas vontades.
É mesmo um grande presente ganhar uma folha em branco, novinha para criar a vida - uma história inesquecível – do jeito que você desejar.


Sabrina Davanzo



6 de mai. de 2010

Nota


Meu bem, você consegue transformar qualquer noite de lua encoberta
em festa mágica de Cinderela.

E é por isso que sempre irei amá-lo.
Fique com a certeza de que ao seu lado a estrada é de tijolos amarelos
porque você é doce, terno e agradavelmente desajeitado.

Onde quer que eu esteja, irei amá-lo.
Você é o meu príncipe. Único e para sempre.
Haja o que houver, irei amá-lo.

Sabrina Davanzo



4 de mai. de 2010

Que seja permitido


Que seja permitido confiar em intuições que chegam quando a razão adormece.

Que seja permitido não parar de sonhar independente das dificuldades.
Que seja permitido acreditar de olhos fechados nas pessoas.
Que seja permitido experimentar o amor quantas vezes for necessário.
Que seja permitido aprender ainda que às custas de erros.
Que seja permitido recomeçar quantas vezes for necessário.

Sabrina Davanzo

Para as visitas


Visitas são, na maioria das vezes, pessoas queridas que aparecem para trazer um sorriso, uma palavra de carinho, um pensamento positivo.

Hoje o InVerso acaba de completar 26 mil delícias assim. Algumas pessoas vêm aqui há tanto tempo que já são de casa, entram sem bater. Outras, deixam uma lembrança.
Obrigada queridos e queridas por sempre aparecerem para "ver como estão as coisas". Obrigada por deixarem suas palavras lindas e reflexivas.
Deixo aqui um beijo doce para cada um que passa por este cantinho.

Sabrina Davanzo

Porto seco



E se a gente não tem um porto seguro para chegar
como é que se atreve sair ao mar
sem ter ao certo onde parar?

Sabrina Davanzo


Pés cansados


Por muito tempo acreditei ser eu mesma a responsável por trilhar meus próprios passos. Hoje, um misterioso magnetismo me atrai para longe de onde quero estar provando que não sou eu quem decide o caminho. Parece haver uma força maior, uma bússola que orienta em direções desconhecidas por mim, diferentes das que eu escolhi. Meus pés estão cansados e ainda há tanto que caminhar...

Nessa altura do trajeto as pausas são raras assim como as sombras das árvores. Já não alcanço a mão daqueles que ficaram para trás. Estou só neste caminho que é só meu. Se há o que comemorar, são as perdas. Cada vez que avanço, perco-me um pouco mais, afasto-me do que me fez acreditar ser o ponto de chegada. Sinto-me enganada... meus pés estão cansados...

Sabrina Davanzo

3 de mai. de 2010

A vida que eu quero...


O que eu quero da vida é outra vida porque esta parece já não me caber. Não comporta minhas experiências, é demasiada pequena para o que eu sei. Oh, Deus! Esta vida é tão leve para o peso do meu espírito cansado que de vez em quando minha alma sobe aos céus para lhe implorar providências divinas.
Tal como um limbo é o lugar em que encontro-me para tentar ser feliz apesar de. É trabalho para Hércules. De onde arrancar toda força necessária?
Poderia eu ter a forma que mais me trouxesse paz? Pois te pediria para transformar-me nos seres ainda desconhecidos que habitam as profundezas dos mares. Imploraria para que me fizesse uma ave rara que voa até o infinito e repousa no topo da montanha mais alta e inalcançável. O que eu temo, o que eu não quero é continuar nessa condição humana onde existe dor até na alegria. Eu que já descobri que ela finda como uma água na fonte. A alegria passa.
A vida que eu quero não tem nome. É começo de tudo, um nada, um não compreender, não existir. A vida que eu quero transcende o meu ser.

Sabrina Davanzo

26 de abr. de 2010

Regra

Aos poucos, começo a perceber a complexidade de uma regra simples que diz: viva sem medo de ser feliz.

Sabrina Davanzo

Carrossel


Meus sonhos um dia já foram do tamanho de uma roda de ciranda e meus passos serviram para delimitar o tamanho do campo de jogar “queimada’. Naquele tempo, era minha obrigação me esticar, do jeito que desse, para segurar uma peteca de penas coloridas que cortava o céu das tardes de quando eu era do tamanho de uma pedrinha de jogar 5 Marias.
Ainda guardo um arranhão no joelho que denuncia o quanto eu me aventurava em correr ao invés de caminhar. Naquela época eu fui mãe, cozinheira, professora, modelo, guerreira, fui a mais rápida do pique no alto, cheguei primeiro no pique esconde. Engraçado como eu podia ser tudo o que queria...
Nunca fui tão longe como naquele tempo. Saía de casa para ganhar o mundo na rua de cima e parecia ter atravessado de um hemisfério ao outro.
Aquele foi um tempo em que a vida era uma eterna descoberta. Mas eu, que de tão pequena cabia dentro do céu da amarelinha, não tinha maturidade para perceber que já ali, naquelas brincadeiras, começaram minhas experiências e saudades.

Sabrina Davanzo


22 de abr. de 2010

Convivência



E se hoje o dia está azul, agradeça a mim por fazer de tudo para conviver em harmonia e paz com esta que habita o meu corpo e insiste em dizer que sou eu. Não me reconheço, mas pratico a política da boa vizinhança e me ofereço pudins, bolos e tortas. Isso acalma minha imaturidade, me faz abrir um sorriso de criança em meio a essa vida adulta. Acabo por sentir um suspiro do meu verdadeiro existir, me agarro a ele e ouço-o sussurrar: "eu ainda adormeço dentro de ti..."

Sabrina Davanzo


19 de abr. de 2010

Faces


Dentre as várias de mim que sou, escolho ser aquela que não desiste, aquela que sorri a cada desventura e pensa: eu tentarei novamente. Escolho ser exatamente esta porque sei que uma pequena porção de todas as outras é o que me dá a devida coragem para me tornar quem eu quero ser.


Sabrina Davanzo

12 de abr. de 2010

Recado


Felicidade mandou dizer que não é deste mundo. Mas, para aqueles que se arriscam procurá-la em outro lugar, ela promete chocolate quente e bolo de cenoura. Boa sorte!


Sabrina Davanzo

9 de abr. de 2010

Terra


Era uma vez um Planetinha que vivia no espaço - um universo gigante que nem dá para mostrar com os braços. Junto dele moravam outros planetas, estrelas e também o sol e a lua.

Mesmo com toda essa companhia, o Planetinha sentia-se muito só, por isso convidou um monte de amigos para conviver com ele. O Planetinha ficou tão feliz com as novas amizades que ofereceu-lhes águas cristalinas, manhãs azuladas e noites reconfortantes. Cobriu seu solo de flores e moldou a paisagem com árvores de todos os portes e pássaros de todas as cores.
Para que seus amigos também não se sentissem sozinhos, deu-lhes a presença dos animais. Uma infinidade deles.
O tempo passava e o Planetinha era feliz até o dia em que os seus amigos resolveram trazer para habitar aquele lugar uma senhora muito maldosa chamada Ganância, esposa do sr. Egoísmo.
A partir de então, ela, com suas palavras bonitas e bem colocadas, convencia todo mundo a pensar cada um em si “custe o que custar”, esquecendo-se de quem havia oferecido todas aquelas maravilhas.
O Planetinha, cada vez mais triste, sentia-se deixado de lado. Passou a chorar toda hora. Grandes lágrimas caiam do céu e molhavam as casinhas de seus amigos queridos. E eles nem percebiam... ao contrário, só reclamavam: “quem é que sai de casa com essa choração?”, “ com essa choração não tem jeito de ir ao clube!”.
Os amigos, por maldade, começaram a caçoar dele. Com pequenos beliscões, arrancavam-lhe pedaços imensos. Sua dor era tanta que até tremia. Acabavam por sentir o seu desespero já que causava bastante estrago o treme treme do Planetinha.
O pobre coitado bem sabe que não há volta... Não tem coragem de abandonar seus amigos. Para onde eles iriam? “Em marte é tão quente... Em júpiter a água não é tão boa quanto aqui... Eles não se adaptariam...”
Aos poucos ele tenta controlar essa confusão. Tenta, incansavelmente, expulsar dona Ganância desse lugar que antes era tão perfeito.
Enquanto isso, alguns amigos começam a perceber que foram ingratos com o Planetinha e correm para socorrê-lo. Um curativo aqui, outro ali.
Tudo o que o Planetinha quer é que todos sejam como antes, que aproveitem com amor e respeito o que ele tem para oferecer. Não pense que ele não sofre quando, em alguma crise, um amigo acaba sendo atingido por sua tristeza. Ele sofre sim. Ele só não sabe o que fazer, depois que seus amigos resolveram assumir o poder.
“Vá embora, dona Ganância. Deixe já este lugar!”

Sabrina Davanzo

5 de abr. de 2010

Mais alto



Às vezes, queria que Ele me soprasse as respostas. Eu não sei tudo e nem deveria saber. Talvez Ele até esteja tentando, mas, com esses gritos, como poderei ouví-lo?

Sabrina Davanzo


30 de mar. de 2010

Construção


Se queres conhecer o céu, primeiro constrói tuas asas.



Sabrina Davanzo

Amarela



Ela ama porque esta é a única maneira que conhece para se manter viva e conservar sua sanidade a cada vez que olha pela janela. Entrega-se às notas tristes de um violino distante porque estas a fazem crer que, no momento em que a lágrima cair, não há porque desesperar. Até a dor pode ser suave. Seu mantra é acordar todos os dias e pensar que em algum lugar alguém sorri, afinal amanhecer significa mais uma chance.
Ao invés de amarelinhas, costuma pular obstáculos. “Não pise fora da linha...”
E quem disse que ela quer pisar? E quem se arrisca a tentar?

Sabrina Davanzo

Abraço


O problema não era ele esperar. O problema era que quando ela chegava, o abraço não era forte o suficiente.


Sabrina Davanzo

Síndrome


Sua síndrome não era do pânico. Era do afeto. Ela só temia nao ser amada urgentemente.


Sabrina Davanzo

Só por hoje




Só por hoje quero imaginar que não existem fronteiras e que posso sair daqui agora mesmo e passar a tarde em Paris.
Só por hoje quero ter a certeza de que sei quem me tornei, de que sei quem eu sou.
Só por hoje quero aceitar que fiz as escolhas certas.
Só por hoje quero ver que todos nós somos perfeitos, sem nenhum defeito.
Só por hoje quero acreditar que as flores na janela nunca morrem e que amores e amigos vão estar sempre aqui quando eu precisar.
Só por hoje não quero enxergar essa realidade esmagadora e sentir a esperança.
Só por hoje quero fingir conhecer cada centímetro desse fio que se entrelaça às horas e forma a vida.
Só por hoje quero aceitar que não há nada além de nós neste universo e que minha busca incessante pode chegar ao fim.

Sabrina Davanzo


18 de mar. de 2010

Circus


Às vezes, é como se estivesse andando em círculos: as histórias se repetem, tudo soa familiar e já visto. Surda aos aplausos, já não tem mais emoção.
Precisa sair desse globo da morte que, apesar de emocionante, não muda. Precisa arriscar-se na corda bamba, no trapézio, alçar voos que não prometem um chão. Nem que passe por palhaça no picadeiro, tudo o que quer (e precisa) é fugir dessa mesmisse de girar, girar e não sair do lugar.

Sabrina Davanzo


12 de mar. de 2010

Horizonte


Tem horas que ela quer por que quer encontrar um horizonte para olhar.
Não é tão simples quanto parece. O horizonte nem sempre está visível à frente de quem o quer ver e por vezes é necessário antes mover montanhas, clarear o tempo para só então enxergá-lo. Ela que só consegue rodear em volta de si, nunca contemplou a tênue linha que separa o céu da terra. É no horizonte que mora a luz no fim do túnel, onde o sol nasce e se põe e onde os mistérios brincam de adivinhação.
É meio estranho viver sem ter um horizonte para olhar. É como se não tivesse para onde ir. Com pena dela, a rosa dos ventos até se ofereceu para lhe orientar, mas não adiantou. Porque no fundo, não é uma questão de levantar a cabeça e guiar-se e sim de abrir os olhos de verdade e aprender a observar.

Sabrina Davanzo


Casa Bolha


Vamos todos, cada um na sua, vivendo dentro de uma pequena bolha de sabão translúcida que nos dá uma falsa sensação de segurança, enquanto o vento nos leva para onde sua vontade deseja. E a gente parece gostar de tudo isso, do cheiro do sabão que faz cócegas no nariz. E a gente fica feliz em ver a vida refletida através de uma fina camada que a deixa mais ou menos colorida, às vezes até cor de arco-íris, de acordo com o reflexo do sol. Nem nos incomoda a falta de contato (não se pode passar de uma bolha a outra).
E lá se vão as bolhas inundando as ruas, as cidades, os países...
Só não pode acontecer da gente se deparar com algo ríspido ou pontiagudo que possa romper essa sublime barreira. Se isso acontecer, seremos imediatamente arremessados ao chão duro, seco e real.

Sabrina Davanzo


9 de mar. de 2010

Jardins distantes


Na janela, o potinho cheio de água com açúcar e florzinhas na ponta espera a visita do passarinho delicado.
E ele não vem. E ele não vem.
Isso é tudo o que eu tenho para oferecer e sei que é tudo o que ele ama: doces flores.
Aguardo sua visita enquanto vejo grandes gaviões sobrevoarem o meu teto.

Vem, beija-flor. Vem provar do meu amor.
E ele não vem. E ele não vem.
Isso é tudo o que eu podia fazer para ter o prazer de vê-lo pairar levemente diante dos meus olhos.
Vem, beija-flor. Vem encher meus dias de sentido.
E ele não vem. E ele não vem.
Desconfio que não goste de flores artificiais.
Perdoe-me, beija-flor. É que moro muito longe dos jardins... levaria uma eternidade para alcançá-los...


Sabrina Davanzo


2 de mar. de 2010

Passeio à cavalo marinho


Hoje saí para passear num cavalo marinho. Seus galopes desenfreados me levaram pelas águas geladas. Redemoinho. De repente, fica que nem estátua. Em nossa frente, lá vai um cardume de peixe espada. Quando volta a trotar, acabo escorregando por sua crina, rodopio igual a uma bailarina para no fundo do oceano deitar.
Eu inconsciente. Ele, cavalinho pequeno e bem fazejo, me dá (de leve) um beijo e pede a Posídon, o deus do mar, para vir me curar.
Abro os olhos apavorada, me agarro a seu corpinho pequeno e grito: me tire daqui, me leve à tona, preciso respirar.
Cavalo marinho me deixou na beira da praia e saiu à galope, levando meus sonhos em cada trote – sonhos que mal se igualavam às pequeninas ondas que vinham até a areia me espiar.

Sabrina Davanzo

25 de fev. de 2010

Perdi?



- Onde foi que a deixei? Perdi! Desde que estou nesse mundo, nunca ouvi dizer que isto seria capaz de acontecer... Perdi...
- Eu sinto que perdi... Oh! O que será de mim? "Procure com calma, onde jamais imaginou encontrar" é o que me dizem. Mas sei que não vai adiantar... perdi...

E como ela previa, naquela época, não a encontrou. A tristeza e o desânimo tornaram-se seus companheiros constantes. Já não sorria nem chorava. Seus dias eram um "tanto faz" atrás do outro.

Numa tarde fria e cinza, ouviu tocar a campanhia.
Quem poderia ser? Quem ousava lhe incomodar, fazendo-a levar seu corpinho fraco até a porta?
Abriu.
Uma forte luz invandiu a sala, inundou seus olhos.
- Pensei que a tivesse perdido para sempre... que nunca encontraria você...
- Tens certeza de que me procurou?
- Com toda minha vontade. Busquei-a nos ombros de meus amigos. No colo dos meus amores. Na intimidade de última hora com estranhos. Busquei-a nas ruas lotadas e na solidão do meu travesseiro.
- Minha filha, percebes que procurastes nos lugares errados? Sequer cogitou olhar um segundo para dentro de ti. Onde mais poderia eu viver senão aí?
- Por que demorei tanto para encontrá-la?
- Porque eu chego quando todo o resto já se foi.
- Perdi, por muito tempo meus anseios, desejos... nada queria...
- Eu sei. E por isso estou aqui. Volte a sonhar, meu anjo. Ainda que se apaguem todas as chamas, eu serei a fagulha que acende sua vontade de viver. Eu sou a esperança.

Sabrina Davanzo




17 de fev. de 2010

Baile de máscaras

Já passou meu carnaval. Sambei a canção da vida no meio da avenida, meu coração bateu ao ritmo da bateria.
Minha fantasia de destaque tinha contas brilhantes que revelavam minha doçura e aspereza animalesca. Nada sensual para alguém que não tinha mais que um corpo magro para mostrar. Abri alas com brilho nos olhos e o sorriso franco de quem sabe que essa festa é efusiva e dura pouco. Mestre sala conduziu minha porta-bandeira com orgulho de me ver cair na folia.
Já passou meu carnaval. É hora de tirar a máscara. Em questão de segundos, confetes e serpentinas já se encontram no chão. Posso deixar o salão com o mínimo de dignidade porque, no baile de máscaras, eu interpretei meu papel e, agora, estou de volta ao que verdadeiramente sou - solidão.

Sabrina Davanzo



8 de fev. de 2010

Livro: O albatroz azul

Só agora pude acabar de ler um livro encantador, divertido e comovente: O albatroz azul, de João Ubaldo Ribeiro.
Tertuliano, o protagonista, é o tipo do personagem que a gente queria que fosse de verdade, dá vontade de tê-lo por perto para ouvir suas histórias. Ele é cada um de nós, com as marcas e dúvidas que a vida vai imprimindo em nossa alma e que, no final, é só o que deixamos e o que realmente importa.
Tertuliano é um velho que já viveu tudo o que tinha para viver e já a beira da morte espera encontrar um sentido para sua existência. Eu acredito que somos todos eternos Tertulianos!

"...nem a vida, nem a morte têm explicação ou, se têm, jamais estará a nosso alcance conhecê-las."


Sabrina Davanzo

5 de fev. de 2010

Discussão

Se pudesse discutir com o vazio que sentia, com toda certeza diria:
- Sai pra lá! Vai encher outro coração.

Sabrina Davanzo

28 de jan. de 2010

Vista

A vida é um ponto de vista. Eu uso lentes coloridas. E, ainda que esteja no meio da rua, vou sempre dizer que estou em um camarote.

Sabrina Davanzo

26 de jan. de 2010

Paciente


Nem falava com ele ultimamente tamanho era seu ódio por aquele que resolveu interferir no seu destino, mudar sua vida tão certinha e politicamente feliz.
Ele espera pa-ci-en-te-men-te até que sua raiva passe. Então irá lhe mostrar que enquanto ela fazia tempestade dentro de sua alma, ele preparava um sol quente e maravilhoso aqui fora.
Até que esse dia chegue, ele pede baixinho: abra os olhos. Enxergue além das lágrimas, além do agora.

Ps: Para Carol

Sabrina Davanzo


21 de jan. de 2010

Até onde?


Ah se eu tivesse asas mais fortes, voaria além do infinito, meu amor.
Chegaria às galaxias mais distantes, faria voos rasantes no sistema solar. O problema, meu amor é que elas ainda são tão frágeis. Por enquanto, só consigo chegar até o céu.
Sempre ouvi dizer que o céu é o limite, mas isso é para os tolos, meu amor. O limite é onde você quiser. Há de haver alguma coisa maior para além de todo esse azul. Tenho certeza e repito: quero ir além do infinito.

Sabrina Davanzo

Reunião

Neste momento, acontece uma reunião importante dentro de mim: minha razão conversa com meu coração. Espero que, finalmente, cheguem a um acordo.

Sabrina Davanzo

8 de jan. de 2010

Espertinho

Se achava tão esperto... fugia da realidade... até a vida ele tentava enganar. Diante dela, fingia ser a pessoa mais feliz e satisfeita do mundo. Só existia uma pessoa que ele nunca conseguia passar para trás: a sua consciência. Essa sabia direitinho tudo o que ia em sua cabeça e e em seu coração.

Sabrina Davanzo

7 de jan. de 2010

Casa nova


Procurou no quintal de casa um lugar melhor para viver. Encontrou, no pé da goiabeira, um ninho onde pequenos passarinhos viviam a cantar. Pensou que talvez fosse o lugar perfeito, mas esqueceu-se de que para viver ali era preciso ser livre. E ela... bem, ela ainda trazia uma corda amarrada ao pescoço.

Sabrina Davanzo


4 de jan. de 2010

Enquanto estou no caminho...

Para ler ouvindo: Bach

Tenho uma pressa que consome minha ânsia por realizar. Mas, você me perguntaria: para que desespero se tens a vida toda para fazer o que tiver de ser? A verdade é que não sei quanto essa vida dura. Quantos dias ainda me restam? Viver é sopro profundo... é hálito quente que, quando toca os lábios, se perde em meio as partículas de um ar mais denso e forte. O momento em que se dissipa é imperceptível, mas sabe-se que é real. E real também não é vida que, dia a dia, esvai-se como um sopro diante dos nossos olhos numa espessa camada chamada tempo? Nada pode esse hálito fresco e divino diante das implácaveis horas e é por isso o meu desespero. Pode ser que não me sobre tempo suficiente... Pode ser demasiado tarde quando eu, finalmente, decida por viver. Só peço para ficar o necessário. Preciso encontrar o que tanto procuro... Imagino que no fim, sim ele sempre chega para o velho e para o moço, aos que imploram e aos que desdém, no fim, talvez não haja o que encontrar. Eis o grande mistério. O não saber quanto tempo me resta me transtorna. Por favor, espere um pouco... dê-me mais tempo... preciso conhecer o sabor da felicidade.
Amém.


Sabrina Davanzo

Um ano bom



Quando o anjo da paz, nestes primeiros dias do ano, bater a sua porta, permita que ele entre e faça do seu coração uma eterna morada. Pois lembre-se que não há sentimento mais apropriado para lhe fazer companhia ao longo dos dias senão a paz. Dela é que nasce tudo o mais: felicidade, saúde, amor... Só através de sua irradiação é que o mundo poderá descansar de tanto sofrimento. Que você e todos que o (a) cercam estejam em paz em 2010.
Feliz ano novo!

Sabrina Davanzo



18 de dez. de 2009

Oráculo


Seus olhos, meu amor dizem tudo o que eu preciso saber: você me ama e eu amo você.

Sabrina Davanzo

Destino: Polo Norte



Querido Papai Noel,

Hoje estou escrevendo para dizer que não ficaremos tristes se, neste ano, o senhor não quiser aparecer. Eu sinto muito pela sua casa... Nós realmente não fomos bonzinhos nestes últimos tempos e o resultado é que acabamos fazendo mal até para o senhor. Eu já pedi para minha mãe guardar todo o gelo do congelador da geladeira aqui de casa para lhe enviar de presente. Não é porque o senhor é o Papai Noel que deve ganhar presentes, não é verdade? Falei com a mamãe que gostaria muito de ajudar aqueles ursinhos brancos que vivem aí com o senhor também, talvez trazer alguns para morar aqui em casa... mas acho que não teríamos espaço e gelo suficientes para eles. Vou ver com o Seu Angelo, o dono da vendinha aqui da minha rua. Ele tem um freezer bem grande, talvez possa ajudar.
Agora vou me despedir, Papai Noel. Nem vou pedir nada esse ano não, mas se ainda assim o senhor achar que merecemos alguma coisa, traga um pouco de consciência para todos nós, por favor.

Um beijo, Papai Noel. Até no ano que vem.

Sabrina Davanzo


15 de dez. de 2009

Sentença


Tanto me cobrei e hoje acabo descobrindo que não sei lidar com dívidas. Sem levá-las a sério, fico devendo a mim mesma, às minhas expectativas. Não tenho nem coragem de encarar as pessoas nas ruas. Suas expressões, se não refletem seu próprio interior, me acusam de desonesta.
É imperdoável o crime de trair-me. Por isso, não sem autopiedade, espero minha sentença. Já não tento mudar. Já não sei me encarar. Escondo-me tal qual o criminoso que envergonha-se e teme represálias.
Prometo enviar-lhe notícias do meu cárcere.

Sabrina Davanzo

De La Mancha


Ando meia quixotesca. Trago dentro de mim muitos sonhos para fugir da dura realidade.

Sabrina Davanzo

9 de dez. de 2009

Fique ao meu lado

Leia ouvindo: Minueto - Bach

Minha vontade é esperar pela primavera onde o calor do sol aquece sem castigar; Onde o canto dos pássaros é sinfonia em homenagem a vida e a tarde é poema escrito lentamente no céu. Talvez eu resista às tempestades deste verão escandaloso e alterado só para presenciar a aquarela da primavera. Meu corpo castigado pela intensidade do calor espera a paz da mais doce das estações.
Ah! Como desejo a primavera e seus cheiros... como desejo enxergar a vida desabrochando bela e perfeita diante dos meus olhos. Já posso me imaginar correndo pelas ruas proclamando: "Chegou a primavera! Libertem suas almas!". Mas, antes, espera ao meu lado, meu amigo, por esta bonança. Não se apresse em ir embora quando chega o verão... Fique por perto enquanto esses outros tempos precisam passar. Espera comigo, meu companheiro, o florescer. Porque uma hora ele há de chegar.


Sabrina Davanzo

Surpresa...

A vida é sacolinha surpresa. Para alguns felicidade é chiclete - saborea-se por um longo tempo e só se desfaz dele quando quiser. Outros vivem de emoções passageiras - balinhas sortidas, de cores, tamanhos e gosto diferentes- e, nem por isso, menos alegres e intensas. O que não falta é um brinquedo, ainda que singelo, para todos. Para viver é preciso passar no balcão, pegar sua sacolinha e cruzar os dedos para encontrar um monte de coisas boas.

Sabrina Davanzo

7 de dez. de 2009

É assim que ela é


Tem força no corpo e amor no coração
vai indo sem nem sonhar
que é pra não dar pernas aos delírios.
Por onde encontra alguém diz:
- Pois saiba que admiro muito você!
Aprendeu que as pessoas precisam ser louvadas.
Da infância
guarda só lembranças de um tempo
que fotografia era luxo.
Não sabe aonde vai chegar
mas está decidida que no meio do caminho
não vai ficar.

Sabrina Davanzo

É só olhar pra cima...


Se pelo caminho você só enxerga espinhos e trás as mãos cheias de marcas, experimente não se agarrar a eles, caminha sem se reter à aspereza. Um dia você irá descobrir que acima dos espinhos que lhe ferem, existe a maciez da flor.

Sabrina Davanzo

Também sou pequena demais...


Já faz dias que o sol não aparece, cai uma chuva fina e insistente. Começo a pensar se não é reflexo da dor de quem vive abaixo do céu. Eu conheço algumas pessoas que parecem tempestade, frente fria, sol entre nuvens.
Quisera eu ser raio de sol que transcende todos eles... que nada! Também não passo de uma gotinha dessa chuva que cai sem parar.

Sabrina Davanzo

Disfarce


Tal qual uma dona de casa fatigada, varria todos os seus medos para debaixo do tapete. Disfarçava-os com os belos arabescos bordados no tecido. A sujeira continuava ali, mas oculta por uma certa beleza. Assim ela se apresentava sempre com uma casa agradável aos olhos dos visitantes menos atenciosos. Quando era o caso de alguém botar reparo, tratava de disfarçar comentando sobre as violetas na janela e os benefícios da luz em suas pétalas. Nada como falar de suavidade quando se tem diante dos olhos algo tão denso como o medo.

Sabrina Davanzo

3 de dez. de 2009

Sobre os que estão no seu caminho...


Ama teus amigos. Respeita aqueles que não lhe são tão caros e ainda mais os que lhe causam verdadeira aversão. Todos fazem parte de sua eterna caminhada na busca de conhecer a ti mesmo. A forma que você lida com o outro diz muito sobre você.

Sabrina Davanzo

Dezembro


Dezembro é fim de calendário. Última folhinha solitária e resistente. É um mês estranho, que dá saudade do que passou, medo, ansiedade do que está por vir. Ainda que as perspectivas sejam boas, aparece um friozinho na barriga que indica: mais um ano inteirinho vem aí. Dezembro é um pouco nostálgico. Ele é como um filminho sendo retrocedido na memória da gente. O que se perdeu, aproveitou, viveu... Dezembro é uma pausa no meio de 11 meses. É reflexão para desfazer, corrigir, recomeçar, repensar e, há quem diga, é tornar-se mais solidário. São 31 dias que temos para fazer uma autoanálise e recobrar as forças... Janeiro está logo ali... "o tempo não para".
Sabrina Davanzo