25 de fev de 2010

Perdi?



- Onde foi que a deixei? Perdi! Desde que estou nesse mundo, nunca ouvi dizer que isto seria capaz de acontecer... Perdi...
- Eu sinto que perdi... Oh! O que será de mim? "Procure com calma, onde jamais imaginou encontrar" é o que me dizem. Mas sei que não vai adiantar... perdi...

E como ela previa, naquela época, não a encontrou. A tristeza e o desânimo tornaram-se seus companheiros constantes. Já não sorria nem chorava. Seus dias eram um "tanto faz" atrás do outro.

Numa tarde fria e cinza, ouviu tocar a campanhia.
Quem poderia ser? Quem ousava lhe incomodar, fazendo-a levar seu corpinho fraco até a porta?
Abriu.
Uma forte luz invandiu a sala, inundou seus olhos.
- Pensei que a tivesse perdido para sempre... que nunca encontraria você...
- Tens certeza de que me procurou?
- Com toda minha vontade. Busquei-a nos ombros de meus amigos. No colo dos meus amores. Na intimidade de última hora com estranhos. Busquei-a nas ruas lotadas e na solidão do meu travesseiro.
- Minha filha, percebes que procurastes nos lugares errados? Sequer cogitou olhar um segundo para dentro de ti. Onde mais poderia eu viver senão aí?
- Por que demorei tanto para encontrá-la?
- Porque eu chego quando todo o resto já se foi.
- Perdi, por muito tempo meus anseios, desejos... nada queria...
- Eu sei. E por isso estou aqui. Volte a sonhar, meu anjo. Ainda que se apaguem todas as chamas, eu serei a fagulha que acende sua vontade de viver. Eu sou a esperança.

Sabrina Davanzo




17 de fev de 2010

Baile de máscaras

Já passou meu carnaval. Sambei a canção da vida no meio da avenida, meu coração bateu ao ritmo da bateria.
Minha fantasia de destaque tinha contas brilhantes que revelavam minha doçura e aspereza animalesca. Nada sensual para alguém que não tinha mais que um corpo magro para mostrar. Abri alas com brilho nos olhos e o sorriso franco de quem sabe que essa festa é efusiva e dura pouco. Mestre sala conduziu minha porta-bandeira com orgulho de me ver cair na folia.
Já passou meu carnaval. É hora de tirar a máscara. Em questão de segundos, confetes e serpentinas já se encontram no chão. Posso deixar o salão com o mínimo de dignidade porque, no baile de máscaras, eu interpretei meu papel e, agora, estou de volta ao que verdadeiramente sou - solidão.

Sabrina Davanzo



8 de fev de 2010

Livro: O albatroz azul

Só agora pude acabar de ler um livro encantador, divertido e comovente: O albatroz azul, de João Ubaldo Ribeiro.
Tertuliano, o protagonista, é o tipo do personagem que a gente queria que fosse de verdade, dá vontade de tê-lo por perto para ouvir suas histórias. Ele é cada um de nós, com as marcas e dúvidas que a vida vai imprimindo em nossa alma e que, no final, é só o que deixamos e o que realmente importa.
Tertuliano é um velho que já viveu tudo o que tinha para viver e já a beira da morte espera encontrar um sentido para sua existência. Eu acredito que somos todos eternos Tertulianos!

"...nem a vida, nem a morte têm explicação ou, se têm, jamais estará a nosso alcance conhecê-las."


Sabrina Davanzo

5 de fev de 2010

Discussão

Se pudesse discutir com o vazio que sentia, com toda certeza diria:
- Sai pra lá! Vai encher outro coração.

Sabrina Davanzo