21 de ago de 2009

Peso para o que é leve


Tenho pena dos pesos para papel. Por mais que alguns sejam realmente lindos, nada muda seu triste destino de ser um empecilho na vida do que é, por natureza, leve.
E o pior é que tem gente que se parece com eles. Nasceu para acrescentar toneladas à vida do outro.

Sabrina Davanzo

19 de ago de 2009

Antes de:


Da próxima vez, pensarei sete vezes antes de tomar uma decisão. Percebi que duas não adiantou muito.

Sabrina Davanzo

Bicho papão


O Bicho Papão dos adultos chama-se Solidão. Assusta. Ouvi dizer que tem gente que até morre de medo.

Sabrina Davanzo

Dobradura


Não posso dar asas a mim mesma. Isso eu descobri tentando algumas vezes. Nunca saí voando embora alguns momentos de imensa alegria ou tristeza fossem propícios para tal feito.
Conformei em dar asas às borboletas e pássaros que dobro cuidadosamente em papéis coloridos.
Depois de trazê-los à vida, não os prendo a mim. Distribuo-os aos meus amigos, que recebem achando graça e querendo aprender dar asas também. Nem que seja à imaginação. É uma corrente que não para. Desde então, todos os dias, nascem dezenas de pássaros e borboletas e, com eles, sorrisos.

Sabrina Davanzo

18 de ago de 2009

Não-sei-o-que


Vez em quando esse não-sei-o-que que mora dentro de mim sai pra passear e me faz sentir arrepios, querer colo. Ensinaram que é preciso ser forte que nem São Jorge, que faz aniversário junto comigo e mora na lua. Mas lá ele tem as estrelas. Quem eu tenho por aqui? Só as pontas dos meus dedos suados de medo. Aperto com força. A dor faz esquecer dos arrepios e de que esse não-sei-o-que vive prestes a me sufocar.


Sabrina Davanzo

Diálogo


- Vê aquela estrada logo ali na frente? Coloca um pé na frente do outro e vai. Sem olhar pra trás.
- Não posso! Meus pés estão colados a este instante para sempre.
- Se você quiser, eles descolam. Mas só se você quiser.
- Não entendes que este é exatamente o meu problema? Não sei o que quero.

Sabrina Davanzo

17 de ago de 2009

Mini Dino



Tikito era um azarado filhote de dinossauro que ninguém queria por perto. As pessoas acreditavam que ele cresceria muito, até não caber mais dentro de casa, nem no quintal, nem na cidade. Poderia até esmagar o dono.
Tikito nunca foi amado e o motivo era o prazo de validade desse sentimento.
Pois até um animalzinho jurássico sabia que as coisas não podiam ser levadas a ferro e fogo.
"os humanos são mesmos engraçados. Afastam deles mesmos a chance de ser feliz, pensando em algo que talvez nem aconteça."
Com Tikito foi assim. As pessoas não sabiam que ele nunca cresceria. Tikito era um dinossauro anão.

Sabrina Davanzo


Engenharia


Perdi muito tempo destruindo barreiras. Está na hora de construir pontes.


Sabrina Davanzo

14 de ago de 2009

Adocicado



De manhã, amor em (des)pedaços.
A tarde, pé de moleque, para correr por aí.

A noite, sonho doce.


Sabrina Davanzo

13 de ago de 2009


Acabei perdendo o fio da meada
A linha da minha vida anda muito embaraçada.

Sabrina Davanzo

Arrumação



Arrumei minha mala. É que amanhã vou viajar. Arrumei também meu quarto, que é para estar em ordem quando eu voltar. Tomara que eu continue assim... Quem sabe se de arrumação em arrumação acabo que organizo minha vida?

Sabrina Davanzo



11 de ago de 2009

Efêmera


Para alguns a vida passa num piscar de olhos; Para outros, insônia.


Sabrina Davanzo

10 de ago de 2009

Passarinho Azul

Pessoal, agora estou no Twitter também! Não sei colocar o link ali do lado =D
Ainda estou meio tímida por lá, mas apareçam! Ou, como diria a Altiva (Eva Wilma em A Indomada... lembra dela?): Follow me!

http://twitter.com/SabrinaDavanzo

Ps: Fui looonge agora, viu? hahahah

Beijos e obrigada pelas visitas! ;)

Sabrina Davanzo

9 de ago de 2009

Trilha



Tem horas que faz falta um piano em casa.... notas musicais suaves e intensas para tornar o riso ou choro ainda mais bonito e inesquecível. A vida deveria ter trilha sonora.



Sabrina Davanzo



Sobre sonhar acordada




Ainda que lhe doa os músculos da face ela fecha os olhos com força e não para de sonhar. Não para. Já lhe avisaram mil vezes que existe vida através do espelho mas ela não quer acordar. É bom o que sente quando viaja dentro de si.
Para encarar a realidade conta até três. As pombinhas conhecem seu segredo porque quando ela se veste de adulta e sai para trabalhar, são elas quem lhe sorri. Ela acredita que há algo de mágico nos seres de asas. Ah, como gostaria de tê-las. Voaria para bem longe dos sonhos que já não podem mais serem sonhados. Sim, porque há restrições. Quando não há esperança, o sonho se torna ilusão e esta não é nada boa. É mentira vestida de palavra bonita.
Hoje, no sonho, nasceu uma florzinha frágil e ela pode com um anjo brincar. Ela quis ficar lá contemplando a flor, mas lhe avisaram que precisava voltar e encarar prédios encardidos. Para aliviar, buscava sobre eles o azul do céu e o calor do sol. Sim hoje fez bastante calor... Ainda bem, porque pelo avesso ela era só frio. Ficou de meia o dia todo.

Sabrina Davanzo



8 de ago de 2009

Até onde a vista alcança?


Eu vivo em algum lugar deste universo infinito e gigante. Será que Deus consegue me enxergar lá de cima?

Sabrina Davanzo

6 de ago de 2009

Meu inverso ganhou asas, voou...


Queridos e queridas!

É com bastante orgulho, lagriminha nos olhos e felicidades que informo a vocês que o Inverso Meu ganhou asas e pousou nas páginas de um livro. Meu primeiro livro.
Inverso Meu - Pequenas Histórias para Gente Grande, está sendo publicado pela Editora Multifoco e traz uma coletânea de textos do blog e alguns inéditos. Todos com novas e lindas ilustrações. Dessa vez, feitas por minha amiga e designer Clara Gontijo.
O lançamento está previsto para setembro. Enquanto isso, continuem por aqui fazendo a contagem regressiva comigo.

Obrigada pelo carinho de sempre, pelas palavras de apoio e incentivo. Adoro. De verdade! :)

Sabrina Davanzo

Amargura



Em um céu de brigadeiro, duas nuvenzinhas conversavam. A primeira, branquinha e fofa refletia os raios do sol ficando toda iluminada. A outra, cinza, carregada, parecia mais uma bola de chumbo perdida na paisagem.
- Para que tanta amargura? Perguntou a nuvenzinha que transbordava felicidade à amiga.
- Cansei de ser nuvem. Não tenho consistência, não posso ser tocada... Parece até que não sou real! E quer saber? Como são cansativos os dias e a noites. Resmungou.
- Mas e o fato de poder caminhar por todo o céu, que é infinito? Não te agrada? Podes ter a forma que quiser. Podes inclusive brincar com os humanos.. Eles adoram nos adivinhar.
- Não vejo vantagem nenhuma em caminhar ao léo e além do mais, não ligo para os humanos. Estão muito distantes de nós.
- Minha amiga, acho que não percebes a importância de ser quem tu és. Trabalhas em conjunto com o sol. No seu mais alto reinado, só tu podes se aproximar dele e fazer sombra fresca à terra.
A outra continuou a resmungar: o céu é sempre azul, a noite sempre muito escura...
A nuvenzinha feliz se afastou, deixando a companheira com seus pensamentos.
"Tem gente que não entende sua própria grandeza, nem dá valor ao paraíso que tem diante de si", disse ao sair.
"Cabruuuummm", trovejou a nuvem carregada e chorou.

Nesse momento, em algum lugar, começava a cair uma chuva grossa, doída e gelada.

Sabrina Davanzo

4 de ago de 2009

Trenzinho

Minha vida é igual a um trenzinho de parque: cheia de altos e baixos.
Quando desce sinto medo, apavoro, grito...
Depois que sobe, sou só gargalhadas. Olho para trás e não acredito que me desesperei. No final, tudo acaba valendo a pena e, não raro, sendo muito divertido.
Ah! Esqueci de dizer: o trenzinho não para. "Moça, me vê mais um ingresso!"

Sabrina Davanzo

3 de ago de 2009

Pedras no caminho



Andava despreocupada quando deu uma topada.
- Ai! Vê se olha por anda! Esbravejou Dona Pedra que acabara de levar uma pisada.
- Desculpe, Dona Pedra. Tenho tanta pressa... não a vi. Mas também, o que faz aí, bem no meio do caminho?
- Veja que insolente! Eu estou onde deveria estar. Aqui nasci e aqui vou ficar. E ai daquele que em mim tropeçar!
Observou-a desconcertada. Precisava ir andando.
-Desculpe mais uma vez, Dona Pedra. Não vou lhe incomodar, prestarei mais atenção.
Ela se foi. Dona Pedra continuou no mesmo lugar.

Vez ou outra você vai tropeçar, não há mal nenhum nisso. Pior é ser pedra que não sai do lugar. Vive levando topada e pior: atrapalha quem quer caminhar.

Sabrina Davanzo


"A vida é maior do que isso..."

Seria a vida maior do que amor? Para mim, o amor é base da vida. Viver é uma experiência que deve e merece ser compartilhada. Não quero conquistar o mundo e ao faze-lo não ter ninguém ao meu lado para dizer: eu consegui! Minha vida é resultado das relações que existem nela. São essas convivências que me movem, fortalecem e me fazem querer sonhar cada vez mais.

Sabrina Davanzo